Atualizado em 25 de setembro de 2026.

A administração de medicamentos é uma das atividades mais frequentes da equipe de enfermagem e um dos temas mais cobrados nas provas para técnico e auxiliar de enfermagem e para enfermeiro, como as da SES TO e da Sesa AP. As questões costumam pedir os ângulos das injeções, os locais de aplicação, os volumes máximos e os cuidados de cada via. Este guia resume os pontos mais cobrados. Os valores podem variar ligeiramente conforme a literatura, por isso vale conferir a bibliografia do edital. O cálculo das doses está no guia de cálculo de medicação.

Vias enterais, parenterais e outras

  • Enterais: usam o trato digestivo, como a via oral, a sublingual e a retal, e as sondas nasogástrica e nasoenteral.
  • Parenterais: não usam o trato digestivo e envolvem injeções, como a intradérmica, a subcutânea, a intramuscular e a endovenosa.
  • Outras: a tópica, sobre a pele e as mucosas; a inalatória, pelas vias respiratórias; a oftálmica; a otológica; e a vaginal.

Via oral e sublingual

A via oral é a mais usada, por ser simples, econômica e segura, mas tem absorção mais lenta e não deve ser usada em pacientes inconscientes, com vômitos ou com dificuldade grave de deglutição. A via sublingual, em que o medicamento é colocado sob a língua, tem absorção rápida, porque o fármaco passa diretamente para a circulação, sem passar primeiro pelo fígado, e é usada, por exemplo, para alguns medicamentos cardiovasculares de efeito rápido.

Via intradérmica: ângulo e indicações

Na via intradérmica, o medicamento é injetado na derme, logo abaixo da epiderme, com ângulo de 10 a 15 graus e bisel voltado para cima, formando uma pequena pápula. O volume é pequeno, em geral de 0,1 mL, e não costuma ultrapassar 0,5 mL. É usada para testes de sensibilidade e alergia, para a prova tuberculínica e para a vacina BCG, aplicada na inserção inferior do músculo deltoide do braço direito. O local mais usado para testes é a face anterior do antebraço.

Via subcutânea: insulina e heparina

Na via subcutânea, o medicamento é injetado no tecido subcutâneo, com ângulo de 45 ou 90 graus, conforme o comprimento da agulha e a quantidade de tecido adiposo do paciente. O volume costuma ser de até cerca de 1 a 1,5 mL. Os locais mais usados são o abdome, ao redor do umbigo, a face externa do braço e a face anterior da coxa. É a via da insulina e da heparina, e o rodízio dos locais de aplicação é importante para evitar lesões no tecido. Na aplicação de heparina, não se massageia o local, para evitar hematomas.

A aplicação de insulina, com os locais, o rodízio e a mistura de insulinas, está no guia de diabetes e insulinoterapia.

Via intramuscular e os locais de aplicação

Na via intramuscular, o medicamento é injetado no tecido muscular, com ângulo de 90 graus. Os principais locais são:

RegiãoCaracterísticas
Ventroglútea, ou de HochstetterConsiderada a mais segura para adultos, por ter boa massa muscular e ficar distante de grandes vasos e nervos; admite volumes maiores
DorsoglúteaDeve-se usar o quadrante superior externo, pelo risco de lesão do nervo isquiático; não é indicada para crianças pequenas
Vasto lateral da coxaPreferencial em lactentes e crianças pequenas; admite volumes maiores
DeltoideMúsculo pequeno, indicado para volumes pequenos, como muitas vacinas
Deltoide aceita pouco volume: as bancas costumam cobrar que o deltoide, por ser um músculo pequeno, só recebe volumes pequenos, em geral até cerca de 2 a 3 mL no adulto, enquanto as regiões ventroglútea e do vasto lateral admitem volumes maiores. A região ventroglútea é a mais recomendada para adultos, e o vasto lateral, para lactentes.

Via endovenosa e as suas complicações

Na via endovenosa, o medicamento é administrado diretamente na veia, com efeito imediato e absorção completa. Pode ser feita em bolus, de forma rápida, ou por infusão, contínua ou intermitente, com equipo de gotas ou bomba de infusão. As complicações mais cobradas são a flebite, inflamação da veia, com dor, vermelhidão e calor no trajeto; a infiltração ou o extravasamento, quando o líquido sai da veia para os tecidos, com inchaço e dor; a infecção; e a embolia gasosa. Diante de sinais de flebite ou infiltração, a infusão deve ser interrompida e o acesso, retirado.

A biodisponibilidade de cada via e o efeito de primeira passagem estão no guia de farmacologia básica.

A transfusão de hemocomponentes exige via sem medicamentos e equipo próprio, como explica o guia de hemoterapia e transfusão sanguínea.

Cuidados de segurança

Antes de administrar qualquer medicamento, o profissional deve conferir os certos da administração, como paciente, medicamento, dose, via e horário certos, verificar alergias, higienizar as mãos e usar técnica asséptica nas vias parenterais. As agulhas devem ser descartadas imediatamente em recipiente para perfurocortantes, sem reencapar, conforme a NR 32, tema do guia de biossegurança. Todo medicamento administrado deve ser registrado, e as reações adversas devem ser comunicadas.

Preparo dos medicamentos

No preparo, o profissional deve ler o rótulo do medicamento em três momentos: ao retirá-lo do armário, ao prepará-lo e antes de guardar ou descartar a embalagem. O medicamento preparado deve ser identificado com o nome do paciente, o nome do medicamento, a dose e a via, e não deve ser deixado sem identificação. Como regra de segurança, o profissional não deve administrar medicamento preparado por outra pessoa, porque não tem como conferir o que foi feito.

Medicamentos por sonda

Na administração por sonda nasogástrica ou nasoenteral, os comprimidos devem ser triturados e diluídos, e a sonda deve ser lavada com água antes e depois de cada medicamento, para evitar obstrução e interação entre os fármacos. Não devem ser triturados, porém, os comprimidos de revestimento entérico e os de liberação prolongada, porque a trituração altera a sua absorção e pode causar efeitos adversos. Antes da administração, deve-se confirmar o posicionamento da sonda.

A medida, a passagem e a confirmação do posicionamento das sondas estão no guia de sondagens e oxigenoterapia.

Vias inalatória, retal e tópica

A via inalatória leva o medicamento diretamente às vias respiratórias, por meio de nebulizadores ou de inaladores dosimetrados, e é muito usada no tratamento da asma e de outras doenças respiratórias, com efeito rápido e menos efeitos sistêmicos. A via retal, com supositórios ou enemas, é uma alternativa quando a via oral não pode ser usada, como em pacientes com vômitos. A via tópica aplica o medicamento sobre a pele ou as mucosas, com ação predominantemente local.

Técnica em Z

A técnica em Z é usada na via intramuscular para medicamentos irritantes ou que mancham a pele: a pele e o tecido subcutâneo são tracionados lateralmente antes da introdução da agulha e liberados depois da retirada, formando um trajeto em zigue-zague que impede o refluxo do medicamento para o tecido subcutâneo.

O cuidado com as feridas, os estágios da lesão por pressão e as coberturas estão no guia de lesão por pressão e curativos.

Como estudar

Monte um quadro com cada via parenteral, o ângulo, o local, o volume e os exemplos de medicamentos, que são os pontos mais cobrados. Revise junto os certos da administração e as regras de biossegurança, porque as bancas costumam cobrar os temas em conjunto.

Nas provas de técnico em enfermagem, as questões costumam descrever uma prescrição e perguntar qual via, qual ângulo e qual local são os mais adequados para o paciente descrito, considerando idade, volume e tipo de medicamento.

Revise o quadro das vias na véspera da prova.

Exemplos de como cai

Afirmação: "A injeção intramuscular é aplicada com ângulo de 45 graus." Errado. O ângulo da via intramuscular é de 90 graus.

Afirmação: "A região ventroglútea é considerada a mais segura para injeções intramusculares em adultos." Certo. Fica longe de grandes vasos e nervos.

Afirmação: "A via oral é indicada para pacientes inconscientes." Errado. Há risco de aspiração.

Resumo para revisar antes da prova

Vias enterais, parenterais e outras; oral simples e sublingual com absorção rápida; intradérmica com 10 a 15 graus, pequeno volume, testes e BCG no deltoide direito; subcutânea com 45 ou 90 graus, insulina e heparina, com rodízio de locais; intramuscular com 90 graus, ventroglútea mais segura, dorsoglútea no quadrante superior externo, vasto lateral em lactentes e deltoide para pequenos volumes; endovenosa com efeito imediato, bolus ou infusão, e complicações como flebite e infiltração; e os certos, a assepsia e o descarte seguro.

Perguntas frequentes

Qual o ângulo de cada via parenteral?

Em geral, a via intradérmica usa ângulo de 10 a 15 graus; a subcutânea, de 45 ou 90 graus, conforme o tamanho da agulha e o tecido do paciente; e a intramuscular, de 90 graus.

Qual região é considerada mais segura para injeção intramuscular?

A região ventroglútea, também chamada de região de Hochstetter, é considerada a mais segura para adultos, por ter boa massa muscular e ficar distante de grandes vasos e nervos, como o nervo isquiático.

Onde é aplicada a vacina BCG?

Por via intradérmica, na região da inserção inferior do músculo deltoide do braço direito, conforme a padronização adotada no país.

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Equipe SOS Concursos

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