Atualizado em 25 de setembro de 2026.
A biossegurança é o conjunto de ações voltadas para a prevenção, a minimização ou a eliminação de riscos inerentes às atividades que possam comprometer a saúde humana, animal e o meio ambiente. Nos serviços de saúde, envolve a proteção dos trabalhadores, dos pacientes e da comunidade contra agentes biológicos, químicos e físicos. O tema é cobrado em praticamente todos os concursos para técnicos de enfermagem, enfermeiros, médicos e demais profissionais de saúde, como os da SES TO e da Sesa AP. Este guia resume os pontos mais cobrados. A preparação para a área está no guia de concurso na área da saúde.
A NR 32 e os serviços de saúde
A Norma Regulamentadora 32 estabelece as diretrizes básicas para a implementação de medidas de proteção à segurança e à saúde dos trabalhadores dos serviços de saúde. Entre as regras mais cobradas:
- O empregador deve fornecer gratuitamente aos trabalhadores o programa de imunização ativa contra tétano, difteria, hepatite B e outras vacinas indicadas no programa de controle médico.
- É vedado o uso de adornos pelos trabalhadores em contato com agentes biológicos, e também o uso de calçados abertos.
- É proibido o reencape e a desconexão manual de agulhas.
- Os materiais perfurocortantes devem ser descartados em recipientes próprios, próximos ao local de uso.
- É proibido o consumo de alimentos e bebidas nos postos de trabalho e a guarda de alimentos em locais não destinados a esse fim.
- Os trabalhadores devem ter acesso a lavatório exclusivo para a higiene das mãos.
Precauções padrão e baseadas na transmissão
As precauções padrão devem ser aplicadas a todos os pacientes, independentemente do diagnóstico, e incluem a higiene das mãos, o uso de equipamentos de proteção individual conforme o risco de contato com sangue e secreções, o descarte adequado de perfurocortantes e a etiqueta respiratória. Além delas, há as precauções específicas:
| Precaução | Medidas principais | Exemplos |
|---|---|---|
| Contato | Luvas e avental ao contato com o paciente e o ambiente | Bactérias multirresistentes, escabiose |
| Gotículas | Máscara cirúrgica e distância, com quarto privativo quando possível | Influenza, meningite meningocócica, coqueluche |
| Aerossóis | Máscara N95 ou PFF2 e quarto privativo, preferencialmente com pressão negativa | Tuberculose, sarampo, varicela |
Higiene das mãos
A higiene das mãos é a medida isolada mais importante para prevenir as infecções relacionadas à assistência à saúde. A Organização Mundial da Saúde define os cinco momentos: antes de tocar o paciente; antes de realizar procedimento limpo ou asséptico; após o risco de exposição a fluidos corporais; após tocar o paciente; e após tocar superfícies próximas ao paciente. Quando as mãos estão visivelmente sujas, deve-se usar água e sabonete; nas demais situações, pode-se usar a preparação alcoólica. O uso de luvas não substitui a higiene das mãos.
Acidente com material biológico
Em caso de exposição a sangue ou fluidos, a pele deve ser lavada imediatamente com água e sabão, e as mucosas, com água ou soro fisiológico, sem espremer o local nem usar substâncias cáusticas. O acidente deve ser comunicado e registrado, com a emissão da comunicação de acidente de trabalho e a notificação no sistema de agravos, e o trabalhador deve ser avaliado para a profilaxia pós-exposição ao HIV, que deve ser iniciada o mais rápido possível, idealmente nas primeiras horas, e, no máximo, até 72 horas. Também se avaliam a situação vacinal para hepatite B e o acompanhamento sorológico.
Classificação dos artigos
Pela classificação de Spaulding, os artigos usados na assistência são críticos, quando penetram tecidos estéreis ou o sistema vascular, como os instrumentos cirúrgicos, e exigem esterilização; semicríticos, quando entram em contato com mucosas íntegras ou pele não íntegra, como os equipamentos de terapia respiratória, e exigem, no mínimo, desinfecção de alto nível; e não críticos, quando entram em contato apenas com a pele íntegra, como estetoscópios e comadres, e exigem limpeza ou desinfecção de nível baixo ou intermediário. A limpeza sempre deve preceder a desinfecção e a esterilização.
O fluxo unidirecional do centro de material e a prevenção da infecção do sítio cirúrgico estão no guia de enfermagem perioperatória.
Resíduos de serviços de saúde
| Grupo | Tipo | Exemplos |
|---|---|---|
| A | Com possível presença de agentes biológicos, ou infectantes | Bolsas de sangue, materiais com secreções, peças anatômicas |
| B | Químicos | Medicamentos vencidos, reagentes, saneantes |
| C | Radioativos | Rejeitos de medicina nuclear e radioterapia |
| D | Comuns, equiparados aos domiciliares | Restos de alimentos, papel de áreas administrativas |
| E | Perfurocortantes | Agulhas, lâminas de bisturi, ampolas de vidro |
A classificação segue a RDC Anvisa 222/2018, e todo serviço deve ter um plano de gerenciamento de resíduos de serviços de saúde, que abrange desde a segregação no momento da geração até a disposição final. Os perfurocortantes devem ser descartados em recipientes rígidos, resistentes à punctura, à ruptura e ao vazamento, respeitando o limite de preenchimento indicado.
Os tipos de riscos ocupacionais, as cores do mapa de riscos e a hierarquia das medidas de proteção estão no guia de saúde do trabalhador.
EPI e EPC
Os equipamentos de proteção individual, os EPIs, protegem o trabalhador, como luvas, aventais, máscaras, óculos de proteção, protetores faciais e gorros. Os equipamentos de proteção coletiva, os EPCs, protegem o ambiente e o grupo, como as cabines de segurança biológica, os chuveiros de emergência e os lava-olhos. Na retirada dos EPIs, a ordem importa para evitar a autocontaminação: em geral, retiram-se primeiro as luvas e o avental, e a máscara por último, sempre seguida da higiene das mãos.
Classes de risco biológico
Os agentes biológicos são classificados em quatro classes de risco, conforme a gravidade e a capacidade de transmissão. A classe 1 reúne agentes com baixo risco individual e coletivo; a classe 2, agentes com risco individual moderado e baixa probabilidade de disseminação; a classe 3, agentes que causam doenças graves, com possibilidade de transmissão, mas com tratamento ou prevenção disponíveis; e a classe 4, agentes com alto risco individual e coletivo, para os quais não há, em geral, medidas eficazes de tratamento ou prevenção.
Os seis protocolos básicos, a classificação dos incidentes e a notificação dos eventos adversos estão no guia de segurança do paciente.
Infecções relacionadas à assistência
As infecções relacionadas à assistência à saúde são as adquiridas após a admissão do paciente, relacionadas à internação ou aos procedimentos realizados. Os hospitais devem manter programa de controle de infecção hospitalar, com uma comissão responsável, conforme a Lei 9.431/1997. As medidas de biossegurança, especialmente a higiene das mãos e as precauções, são a base da prevenção dessas infecções.
A técnica asséptica nos curativos, as fases da cicatrização e a prevenção da lesão por pressão estão no guia de lesão por pressão e curativos.
Como estudar
Monte quadros com as precauções e os exemplos de doenças, com os grupos de resíduos e com a classificação dos artigos, que são os pontos mais cobrados. Leia a NR 32 com atenção às proibições e às obrigações do empregador, e resolva questões das bancas de concursos de saúde, como FGV, Instituto AOCP e IBFC.
Nas provas de técnico em enfermagem, as questões costumam trazer situações práticas, como qual precaução adotar para determinado paciente ou em qual recipiente descartar um material.
Exemplos de como cai
Afirmação: "Na precaução para aerossóis, a máscara cirúrgica é suficiente." Errado. Deve-se usar a máscara N95 ou PFF2.
Afirmação: "Agulhas e lâminas de bisturi pertencem ao grupo E dos resíduos de serviços de saúde." Certo. São perfurocortantes.
Afirmação: "O uso de luvas dispensa a higiene das mãos." Errado. As luvas não substituem a higiene das mãos.
Resumo para revisar antes da prova
Biossegurança como prevenção de riscos à saúde e ao ambiente; NR 32 com vacinação gratuita, proibição de adornos, de reencape de agulhas e de alimentos nos postos de trabalho; precauções padrão para todos os pacientes; contato com luvas e avental, gotículas com máscara cirúrgica e aerossóis com N95; cinco momentos da higiene das mãos; conduta em acidente com material biológico, com profilaxia pós-exposição em até 72 horas; artigos críticos, semicríticos e não críticos; e resíduos dos grupos A, B, C, D e E, com plano de gerenciamento.
Perguntas frequentes
Quais são os tipos de precaução baseados na transmissão?
Precaução de contato, com luvas e avental, para microrganismos transmitidos pelo contato direto ou indireto; precaução para gotículas, com máscara cirúrgica, como na influenza e na meningite meningocócica; e precaução para aerossóis, com máscara N95 ou PFF2 e quarto privativo, como na tuberculose, no sarampo e na varicela.
Quais são os cinco momentos da higiene das mãos?
Antes de tocar o paciente; antes de realizar procedimento limpo ou asséptico; após o risco de exposição a fluidos corporais; após tocar o paciente; e após tocar superfícies próximas ao paciente.
A NR 32 permite reencapar agulhas?
Não. A NR 32 proíbe o reencape e a desconexão manual de agulhas, que devem ser descartadas em recipientes próprios para materiais perfurocortantes.

