Atualizado em 25 de setembro de 2026.
O cuidado com as feridas e a prevenção da lesão por pressão são atividades centrais da equipe de enfermagem e temas muito cobrados nas provas para técnico de enfermagem e enfermeiro, como as da SES TO e da Sesa AP. As questões costumam pedir as fases da cicatrização, os estágios da lesão por pressão, a escala de Braden, as medidas de prevenção e a indicação das coberturas. Este guia resume os pontos mais cobrados. As condutas podem variar conforme os protocolos da instituição e as atualizações das diretrizes, por isso vale conferir a bibliografia do edital.
As fases da cicatrização
- Inflamatória: ocorre logo após a lesão, com hemostasia, formação do coágulo e chegada de células de defesa, que limpam a ferida. Os sinais são calor, rubor, edema e dor.
- Proliferativa: formação do tecido de granulação, com novos vasos sanguíneos, produção de colágeno, contração da ferida e epitelização, que recobre a lesão.
- Maturação ou remodelação: reorganização do colágeno e aumento da resistência da cicatriz, fase que pode durar meses ou até anos.
Os tipos de cicatrização
| Tipo | Características |
|---|---|
| Primeira intenção | Bordas aproximadas, geralmente por sutura, com pouca perda de tecido; cicatrização mais rápida e cicatriz menor |
| Segunda intenção | Bordas afastadas, com perda de tecido; a ferida fecha pela formação de tecido de granulação, de forma mais lenta |
| Terceira intenção | Fechamento retardado: a ferida é deixada aberta por um tempo, em geral por contaminação, e fechada depois |
A classificação das feridas
As feridas podem ser agudas, como as cirúrgicas e as traumáticas, que seguem o processo normal de cicatrização, ou crônicas, como as úlceras venosas, as lesões do pé diabético e as lesões por pressão, que têm cicatrização prolongada. Quanto ao grau de contaminação, as feridas cirúrgicas são classificadas em limpas, potencialmente contaminadas, contaminadas e infectadas.
Os tecidos do leito da ferida
A avaliação da ferida observa o tipo de tecido presente no leito: o tecido de granulação, vermelho vivo e úmido, indica boa evolução; o de epitelização, rosado, indica o fechamento da ferida; o esfacelo, amarelado e aderido, é tecido desvitalizado; e a necrose, escura e endurecida, também chamada de escara, é tecido morto. Os tecidos desvitalizados atrasam a cicatrização e precisam ser removidos pelo desbridamento, que pode ser autolítico, feito pelo próprio organismo com o apoio de coberturas que mantêm a umidade; enzimático, com substâncias como a papaína e a colagenase; mecânico; ou instrumental, feito por profissional habilitado. Também se avaliam o tamanho, a profundidade, a quantidade e o aspecto do exsudato, o odor, as bordas e a pele ao redor.
O que é lesão por pressão
A lesão por pressão é um dano localizado na pele e nos tecidos moles subjacentes, geralmente sobre uma proeminência óssea ou relacionado ao uso de dispositivo médico, resultante da pressão intensa ou prolongada, ou da pressão combinada com o cisalhamento. Os locais mais acometidos são a região sacral, os calcâneos, os trocânteres, as regiões isquiáticas, o occipital, os cotovelos e as escápulas. Os principais fatores de risco são a imobilidade, a umidade, principalmente por incontinência, a fricção e o cisalhamento, a nutrição deficiente e a alteração da perfusão e da sensibilidade.
Os estágios da lesão por pressão
- Estágio 1: pele íntegra com área de eritema que não embranquece à pressão.
- Estágio 2: perda da pele em espessura parcial, com exposição da derme; o leito é rosado ou vermelho e úmido, e a lesão pode se apresentar como bolha intacta ou rompida.
- Estágio 3: perda da pele em espessura total, com gordura visível; pode haver tecido de granulação, esfacelo e necrose, sem exposição de fáscia, músculo, tendão, ligamento, cartilagem ou osso.
- Estágio 4: perda da pele em espessura total e perda tissular, com exposição ou palpação direta de fáscia, músculo, tendão, ligamento, cartilagem ou osso.
- Não classificável: perda total da pele e tissular cuja extensão não pode ser confirmada porque o leito está coberto por esfacelo ou necrose.
- Tissular profunda: pele íntegra ou não, com área localizada de coloração vermelho-escura, marrom ou púrpura persistente, que não embranquece, ou bolha com conteúdo sanguinolento.
A classificação também reconhece a lesão por pressão relacionada a dispositivo médico e a lesão por pressão em membranas mucosas.
A escala de Braden
A escala de Braden é o instrumento mais usado para avaliar o risco de lesão por pressão. Ela avalia seis itens: percepção sensorial, umidade, atividade, mobilidade, nutrição e fricção e cisalhamento. Os cinco primeiros itens recebem de 1 a 4 pontos, e o último, de 1 a 3, de modo que a pontuação total vai de 6 a 23. Quanto menor o escore, maior o risco. Os pontos de corte para classificar o risco variam conforme a referência, mas escores iguais ou inferiores a cerca de 18 costumam indicar risco. A avaliação deve ser feita na admissão e repetida periodicamente.
As medidas de prevenção
A prevenção da lesão por pressão é um dos protocolos básicos de segurança do paciente adotados pelo Ministério da Saúde. As principais medidas são a avaliação do risco na admissão e periodicamente; a mudança de decúbito programada, em intervalos definidos conforme a avaliação do paciente, sendo o de duas horas o mais citado; o uso de superfícies de redistribuição de pressão, como colchões especiais; a elevação dos calcâneos; a manutenção da cabeceira na menor elevação possível, respeitadas as condições clínicas, para reduzir o cisalhamento; a manutenção da pele limpa, seca e hidratada; o manejo da umidade causada por incontinência, suor e exsudato; e a otimização da nutrição e da hidratação. Não se deve massagear as proeminências ósseas avermelhadas, porque a massagem pode agravar a lesão dos tecidos.
A técnica de limpeza da ferida
A limpeza da ferida é feita, em geral, com soro fisiológico a 0,9%, preferencialmente morno, que não agride o tecido de granulação. Em muitas feridas, usa-se a irrigação em jato, com seringa e agulha, para remover detritos sem traumatizar o leito. Como regra geral ensinada nas provas, a limpeza segue da área menos contaminada para a mais contaminada: em uma incisão cirúrgica limpa, parte-se da incisão para as bordas, e, em uma ferida infectada, das bordas para o centro. O curativo deve ser feito com técnica asséptica, e o material descartado conforme as regras de biossegurança.
As principais coberturas
| Cobertura | Indicação principal |
|---|---|
| Ácidos graxos essenciais | Hidratação e proteção da pele, prevenção de lesões e feridas com granulação |
| Hidrocoloide | Feridas limpas com pouco exsudato; mantém o meio úmido e favorece o desbridamento autolítico; não indicado em feridas infectadas |
| Hidrogel | Feridas secas ou com necrose e esfacelo; hidrata o leito e favorece o desbridamento autolítico |
| Alginato de cálcio | Feridas com exsudato abundante, sangrantes ou cavitárias; alta absorção e ação hemostática |
| Carvão ativado com prata | Feridas infectadas, com exsudato e odor |
| Sulfadiazina de prata | Queimaduras, pela ação antimicrobiana |
| Papaína | Desbridamento enzimático, com concentração conforme o tipo de tecido |
| Filme transparente | Proteção da pele e fixação de cateteres |
A prevenção da lesão por pressão é um dos seis protocolos do guia de segurança do paciente.
Como estudar
Memorize os estágios da lesão por pressão com as estruturas expostas em cada um, os seis itens da escala de Braden e a regra de que menor escore significa maior risco, que são os pontos mais cobrados. Depois, associe cada cobertura ao tipo de ferida em que é indicada.
Exemplos de como cai
Afirmação: "Na escala de Braden, quanto maior a pontuação, maior o risco de lesão por pressão." Errado. Quanto menor a pontuação, maior o risco.
Afirmação: "A lesão por pressão em estágio 1 apresenta pele íntegra com eritema que não embranquece." Certo. É a definição do estágio 1.
Afirmação: "A massagem das proeminências ósseas avermelhadas é recomendada na prevenção da lesão por pressão." Errado. A massagem não é recomendada.
Resumo para revisar antes da prova
Cicatrização nas fases inflamatória, proliferativa e de maturação; primeira intenção com bordas aproximadas, segunda com granulação e terceira com fechamento retardado; feridas agudas e crônicas; granulação, epitelização, esfacelo e necrose, com desbridamento autolítico, enzimático, mecânico ou instrumental; lesão por pressão sobre proeminência óssea ou dispositivo; estágios 1 a 4, não classificável e tissular profunda; Braden com seis itens, de 6 a 23, menor escore com maior risco; mudança de decúbito, superfícies especiais, pele seca e hidratada, nutrição e nada de massagem; limpeza com soro fisiológico do menos para o mais contaminado; e coberturas conforme o tipo de ferida.
Perguntas frequentes
Quais são os estágios da lesão por pressão?
Estágio 1, pele íntegra com eritema que não embranquece; estágio 2, perda parcial da pele com exposição da derme; estágio 3, perda total da pele, com gordura visível; estágio 4, perda total da pele e dos tecidos, com exposição de fáscia, músculo, tendão, ligamento, cartilagem ou osso. Há também a lesão não classificável e a lesão tissular profunda.
Como funciona a escala de Braden?
Avalia o risco de lesão por pressão em seis itens: percepção sensorial, umidade, atividade, mobilidade, nutrição e fricção e cisalhamento. A pontuação vai de 6 a 23, e, quanto menor o escore, maior o risco.
Qual a diferença entre cicatrização por primeira e segunda intenção?
Na primeira intenção, as bordas da ferida são aproximadas, geralmente por sutura, com pouca perda de tecido. Na segunda intenção, as bordas ficam afastadas e a ferida fecha pela formação de tecido de granulação, de forma mais lenta.
