Atualizado em 25 de setembro de 2026.
A hemoterapia é o tratamento que utiliza o sangue e os seus componentes, e a transfusão sanguínea é um procedimento de alto risco, que exige cuidados rigorosos da equipe de enfermagem. O tema é cobrado nas provas de técnico de enfermagem e de enfermeiro, como as da SES TO e da Sesa AP, com questões sobre a compatibilidade sanguínea, os cuidados durante a transfusão e as reações transfusionais. Este guia resume os pontos mais cobrados. As condutas específicas seguem as normas técnicas vigentes e os protocolos do serviço. Os princípios de segurança estão no guia de segurança do paciente.
Hemocomponentes e hemoderivados
Os hemocomponentes são produtos obtidos do sangue total por processos físicos, como a centrifugação e o congelamento, e os hemoderivados são obtidos por processos físico-químicos industriais de fracionamento do plasma, como a albumina, as imunoglobulinas e os concentrados de fatores de coagulação.
| Hemocomponente | Principal indicação | Conservação usual |
|---|---|---|
| Concentrado de hemácias | Anemias e perdas sanguíneas, para melhorar o transporte de oxigênio | Refrigerado |
| Concentrado de plaquetas | Plaquetopenia e sangramentos por falta ou disfunção de plaquetas | Temperatura ambiente, sob agitação constante |
| Plasma fresco congelado | Deficiência de fatores de coagulação | Congelado |
| Crioprecipitado | Reposição de fibrinogênio e de alguns fatores de coagulação | Congelado |
A compatibilidade ABO e Rh
O sistema ABO classifica o sangue pelos antígenos presentes nas hemácias: o tipo A tem antígeno A e anticorpos anti-B no plasma; o tipo B tem antígeno B e anticorpos anti-A; o tipo AB tem os dois antígenos e nenhum desses anticorpos; e o tipo O não tem antígenos A e B e tem os dois anticorpos. O sistema Rh indica a presença, Rh positivo, ou a ausência, Rh negativo, do antígeno D.
- Para hemácias, o tipo O negativo é o doador universal, e o tipo AB positivo é o receptor universal.
- Para plasma, a lógica se inverte: o tipo AB é o doador universal de plasma, porque não tem anticorpos anti-A e anti-B, e o tipo O é o receptor universal de plasma.
- Em regra, o receptor Rh negativo deve receber hemácias Rh negativo, e o receptor Rh positivo pode receber Rh positivo ou negativo.
Os exames pré-transfusionais
Antes da transfusão, são realizados no serviço de hemoterapia exames como a tipagem ABO e RhD do receptor, a pesquisa de anticorpos irregulares e a prova de compatibilidade, também chamada de prova cruzada, entre o sangue do doador e o do receptor. A amostra de sangue do paciente deve ser corretamente identificada no momento da coleta, porque erros de identificação estão entre as principais causas de reações graves.
Os cuidados de enfermagem
- conferir a prescrição, a identificação do paciente e a identificação da bolsa, com dupla checagem à beira do leito, antes de iniciar a transfusão;
- verificar e registrar os sinais vitais antes do início, nos primeiros minutos e ao término da transfusão;
- iniciar a infusão lentamente e permanecer junto ao paciente nos primeiros minutos, período em que as reações graves costumam aparecer;
- usar equipo próprio para transfusão, com filtro;
- não adicionar medicamentos à bolsa nem infundi-los na mesma via do sangue; a única solução compatível para uso concomitante é o soro fisiológico a 0,9%;
- não aquecer a bolsa em micro-ondas ou em água quente; o aquecimento, quando indicado, é feito em equipamento próprio;
- respeitar o tempo máximo de infusão de cada bolsa, em geral de até quatro horas, para reduzir o risco de contaminação bacteriana;
- registrar no prontuário o hemocomponente, o número da bolsa, os horários de início e término e as intercorrências.
As reações transfusionais
As reações podem ser imediatas, durante ou até 24 horas após a transfusão, ou tardias. Entre as imediatas estão a reação febril não hemolítica, a mais comum, com febre e calafrios; a reação alérgica, da urticária leve à anafilaxia; a reação hemolítica aguda, geralmente por incompatibilidade ABO, a mais grave, com febre, calafrios, dor lombar, hipotensão, urina escura e risco de choque; a sobrecarga circulatória, com dispneia e sinais de congestão, mais comum em idosos e cardiopatas; a lesão pulmonar aguda relacionada à transfusão; e a contaminação bacteriana. Entre as tardias estão a reação hemolítica tardia, a aloimunização e a transmissão de infecções.
A conduta diante de uma reação
- interromper imediatamente a transfusão;
- manter o acesso venoso com soro fisiológico a 0,9%;
- verificar os sinais vitais e avaliar o paciente;
- comunicar o médico e o serviço de hemoterapia;
- conferir novamente a identificação do paciente e da bolsa;
- encaminhar a bolsa, o equipo e as amostras de sangue ao serviço de hemoterapia, conforme o protocolo;
- registrar e notificar a reação ao sistema de hemovigilância.
A doação de sangue
A doação de sangue no Brasil é voluntária, altruísta e não remunerada, e a Constituição veda todo tipo de comercialização de sangue e seus derivados. Em regra, podem doar pessoas de 16 a 69 anos, com autorização dos responsáveis para os menores de 18 anos e com limite de idade para a primeira doação, e com peso mínimo de 50 kg, entre outros critérios de triagem. O intervalo mínimo entre as doações é, em regra, de 60 dias para os homens e de 90 dias para as mulheres, com limite anual de doações. O STF declarou inconstitucionais as normas que restringiam a doação por homens que fazem sexo com homens com base apenas na orientação sexual. O trabalhador tem direito a faltar um dia, a cada 12 meses, para a doação voluntária de sangue, e o servidor federal, um dia por doação, tema do guia de licenças e afastamentos na Lei 8.112.
Como estudar
Memorize a diferença entre hemocomponentes e hemoderivados, o quadro de indicações, os doadores e receptores universais de hemácias e de plasma, os cuidados de enfermagem, com a dupla checagem, os sinais vitais, a observação inicial, a proibição de medicamentos na via e o tempo máximo de quatro horas, e a conduta diante das reações, que são os pontos mais cobrados.
Exemplos de como cai
Afirmação: "O tipo AB positivo é o doador universal de concentrado de hemácias." Errado. O doador universal de hemácias é o O negativo; o AB positivo é o receptor universal.
Afirmação: "Diante de suspeita de reação transfusional, a primeira conduta é interromper a transfusão, mantendo o acesso venoso com soro fisiológico." Certo. É a conduta inicial recomendada.
Afirmação: "É permitido administrar soro glicosado na mesma via da transfusão de hemácias." Errado. Apenas o soro fisiológico a 0,9% é compatível.
Resumo para revisar antes da prova
Hemocomponentes por processos físicos e hemoderivados por fracionamento industrial; hemácias para anemia e perdas, plaquetas para plaquetopenia, plasma para fatores de coagulação e crioprecipitado para fibrinogênio; sistemas ABO e Rh; O negativo doador universal e AB positivo receptor universal de hemácias, e AB doador universal de plasma; tipagem, pesquisa de anticorpos e prova cruzada; dupla checagem, sinais vitais antes, no início e ao fim, observação nos primeiros minutos, equipo com filtro, nenhum medicamento na via, só soro fisiológico, e até quatro horas por bolsa; reações febril, alérgica, hemolítica aguda, sobrecarga circulatória, lesão pulmonar e contaminação; interrupção imediata, comunicação, envio da bolsa e notificação; e doação voluntária e não remunerada, de 16 a 69 anos, com 50 kg e intervalos de 60 e 90 dias.
Perguntas frequentes
Quem é o doador universal de hemácias?
O tipo O negativo, porque as suas hemácias não têm os antígenos A, B e D. O receptor universal de hemácias é o tipo AB positivo. No plasma, a lógica se inverte: o tipo AB é o doador universal de plasma.
Qual a conduta diante de uma reação transfusional?
Interromper imediatamente a transfusão, manter o acesso venoso com soro fisiológico, verificar os sinais vitais, comunicar o médico e o serviço de hemoterapia, conferir a identificação do paciente e da bolsa, encaminhar a bolsa e as amostras e notificar a reação.
Por quanto tempo uma bolsa de sangue pode ser infundida?
Em geral, a infusão de cada bolsa não deve ultrapassar quatro horas, para reduzir o risco de contaminação bacteriana, e o paciente deve ser observado de perto, especialmente nos primeiros minutos da transfusão.

