Atualizado em 25 de setembro de 2026.

O diabetes mellitus é uma das doenças crônicas mais frequentes na atenção à saúde, e o preparo e a aplicação de insulina estão entre os procedimentos mais cobrados nas provas de técnico de enfermagem, enfermeiro e agente comunitário de saúde. As questões costumam pedir os sinais de hipoglicemia, a conduta imediata, a mistura de insulinas e a conservação. Este guia resume os pontos mais cobrados. Os valores de referência seguem as diretrizes vigentes, por isso vale conferir a bibliografia do edital. As vias de administração estão no guia de vias de administração de medicamentos.

Os tipos de diabetes

  • Diabetes tipo 1: destruição das células do pâncreas que produzem insulina, em geral de causa autoimune, com deficiência de insulina; costuma surgir na infância e na juventude, e o tratamento exige insulina.
  • Diabetes tipo 2: resistência à ação da insulina e deficiência relativa na sua secreção; é o tipo mais comum, associado a excesso de peso, sedentarismo e histórico familiar, e o tratamento envolve mudança do estilo de vida, medicamentos orais e, em alguns casos, insulina.
  • Diabetes gestacional: hiperglicemia diagnosticada pela primeira vez durante a gestação.

O diagnóstico e os sinais de hiperglicemia

Os critérios diagnósticos mais adotados incluem a glicemia de jejum igual ou superior a 126 mg/dL, a hemoglobina glicada igual ou superior a 6,5%, a glicemia duas horas após a sobrecarga de glicose igual ou superior a 200 mg/dL e a glicemia casual igual ou superior a 200 mg/dL com sintomas, com confirmação conforme as diretrizes. Os sinais clássicos de hiperglicemia são os "4 Ps": poliúria, excesso de urina; polidipsia, sede excessiva; polifagia, fome excessiva; e perda de peso. A hemoglobina glicada reflete a média da glicemia dos últimos dois a três meses e é usada no acompanhamento.

A hipoglicemia

A hipoglicemia, em geral definida como glicemia abaixo de 70 mg/dL, é uma complicação aguda comum em quem usa insulina ou certos medicamentos orais, especialmente quando há atraso ou omissão de refeições, excesso de atividade física ou erro de dose. Os sinais incluem sudorese, tremores, taquicardia, palidez, fome, tontura, confusão, alteração de comportamento e, nos casos graves, convulsões e perda de consciência.

A regra dos 15: no paciente consciente com hipoglicemia, oferecer cerca de 15 gramas de carboidrato de absorção rápida, como meio copo de suco ou uma colher de sopa de açúcar, e reavaliar a glicemia após cerca de 15 minutos, repetindo se necessário. No paciente inconsciente, nada deve ser dado por via oral, pelo risco de aspiração, e o tratamento é feito por via endovenosa ou com outros recursos, conforme o protocolo.

As complicações agudas e crônicas

Além da hipoglicemia, as complicações agudas incluem a cetoacidose diabética, mais comum no diabetes tipo 1, com hiperglicemia, desidratação, hálito cetônico, respiração profunda e rápida e dor abdominal, e o estado hiperglicêmico hiperosmolar, mais comum no diabetes tipo 2, com hiperglicemia muito elevada e desidratação grave. As complicações crônicas incluem a retinopatia, a nefropatia, a neuropatia e as doenças cardiovasculares, além do pé diabético, que pode evoluir com úlceras, infecções e amputações.

Os tipos de insulina

TipoExemplosCaracterísticas
Ação ultrarrápidaLispro, asparte, glulisinaInício de ação em poucos minutos; aplicada junto às refeições
Ação rápidaRegularAspecto límpido; aplicada cerca de 30 minutos antes das refeições; pode ser usada por via endovenosa, conforme prescrição
Ação intermediáriaNPHAspecto turvo, leitoso; deve ser homogeneizada antes do uso
Ação longaGlargina, detemir, degludecaAção prolongada, em geral sem pico; não devem ser misturadas com outras insulinas

A insulina NPH deve ser homogeneizada rolando o frasco entre as palmas das mãos, sem agitar vigorosamente, para evitar a formação de bolhas. As seringas de insulina são graduadas em unidades, compatíveis com a concentração de 100 unidades por mililitro. O cálculo de doses está no guia de cálculo de medicação.

A mistura de insulinas

Quando a prescrição indica a mistura de insulina regular com NPH na mesma seringa, deve-se aspirar primeiro a regular, de aspecto límpido, e depois a NPH, de aspecto turvo, para não contaminar o frasco de insulina regular com a NPH. A técnica envolve injetar ar primeiro no frasco de NPH, na quantidade da dose, sem aspirar; depois injetar ar no frasco de regular e aspirar a dose; e, por fim, aspirar a dose de NPH.

Do límpido para o turvo: na mistura, aspira-se primeiro a insulina regular, límpida, e depois a NPH, turva. As insulinas de ação longa, como a glargina, não devem ser misturadas com outras na mesma seringa. As bancas costumam inverter a ordem de aspiração.

A aplicação e o rodízio

A insulina é aplicada, em geral, por via subcutânea, nas regiões do abdome, afastando-se cerca de dois dedos do umbigo, da face posterior do braço, da face lateral da coxa e do quadrante superior externo das nádegas. A absorção é mais rápida no abdome. O rodízio dos locais de aplicação é essencial para evitar a lipodistrofia, que altera a absorção da insulina. Com as agulhas curtas usadas atualmente, a aplicação costuma ser feita em ângulo de 90 graus, com ou sem prega cutânea, conforme o tamanho da agulha e a quantidade de tecido subcutâneo do paciente.

A conservação da insulina

Os frascos e as canetas de insulina fechados devem ser conservados em geladeira, entre 2 °C e 8 °C, longe do congelador, e a insulina não pode ser congelada. O frasco ou a caneta em uso pode ser mantido em temperatura ambiente, longe do calor e da luz direta, pelo prazo indicado pelo fabricante após a abertura, em geral de algumas semanas. A insulina que congelou, mudou de aspecto ou passou do prazo deve ser descartada. A conservação de imunobiológicos segue lógica parecida, tema do guia de imunização e rede de frio.

Os cuidados com os pés

A prevenção do pé diabético inclui a inspeção diária dos pés, a higiene com secagem cuidadosa entre os dedos, a hidratação da pele, exceto entre os dedos, o corte reto das unhas, o uso de calçados confortáveis e fechados, a verificação do interior dos calçados antes de calçá-los e a orientação para não andar descalço. A neuropatia reduz a sensibilidade, e pequenas lesões podem passar despercebidas e evoluir para úlceras.

Como estudar

Memorize os tipos de diabetes, os sinais de hiperglicemia e de hipoglicemia, a regra dos 15, o quadro dos tipos de insulina, a ordem de aspiração na mistura, os locais e o rodízio de aplicação e a conservação entre 2 °C e 8 °C, que são os pontos mais cobrados. Depois, revise as complicações agudas e crônicas e os cuidados com os pés.

Exemplos de como cai

Afirmação: "Na mistura de insulinas, deve-se aspirar primeiro a NPH e depois a regular." Errado. Aspira-se primeiro a regular, límpida, e depois a NPH, turva.

Afirmação: "Sudorese, tremores, taquicardia e confusão mental podem indicar hipoglicemia." Certo. São sinais típicos da hipoglicemia.

Afirmação: "Os frascos de insulina fechados devem ser mantidos no congelador para aumentar a validade." Errado. A insulina não pode ser congelada; deve ficar na geladeira, entre 2 °C e 8 °C.

Resumo para revisar antes da prova

Diabetes tipo 1 por deficiência de insulina, tipo 2 por resistência e deficiência relativa e gestacional; diagnóstico com glicemia de jejum de 126 mg/dL ou mais, hemoglobina glicada de 6,5% ou mais e glicemias de 200 mg/dL ou mais; poliúria, polidipsia, polifagia e perda de peso; hipoglicemia abaixo de 70 mg/dL, com sudorese, tremores e confusão, e regra dos 15 no paciente consciente; cetoacidose, estado hiperosmolar e complicações crônicas; insulinas ultrarrápida, regular límpida, NPH turva homogeneizada rolando o frasco e de ação longa sem mistura; mistura do límpido para o turvo; aplicação subcutânea no abdome, braços, coxas e nádegas, com rodízio; conservação entre 2 °C e 8 °C, sem congelar, e frasco em uso em temperatura ambiente pelo prazo do fabricante; e cuidados diários com os pés.

Perguntas frequentes

Como misturar insulina regular e NPH na mesma seringa?

Aspira-se primeiro a insulina regular, de aspecto límpido, e depois a NPH, de aspecto turvo, para evitar a contaminação do frasco de insulina regular com a NPH. As insulinas de ação prolongada, como a glargina, não devem ser misturadas.

Qual a conduta na hipoglicemia leve em paciente consciente?

Oferecer cerca de 15 gramas de carboidrato de absorção rápida, como suco ou açúcar, e reavaliar a glicemia após cerca de 15 minutos, repetindo se necessário, a chamada regra dos 15. O paciente inconsciente não deve receber nada por via oral.

Como conservar a insulina?

Os frascos e as canetas fechados devem ser mantidos em geladeira, entre 2 °C e 8 °C, sem congelar. O frasco em uso pode ficar em temperatura ambiente, longe do calor e da luz, pelo prazo indicado pelo fabricante, em geral de algumas semanas.

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