Atualizado em 25 de setembro de 2026.

A farmacologia estuda os medicamentos, a forma como agem no organismo e como o organismo reage a eles. Nas provas de técnico de enfermagem e de enfermeiro, como as da SES TO e da Sesa AP, as questões costumam cobrar os conceitos de farmacocinética, os antídotos, os medicamentos de alta vigilância e os cuidados de enfermagem com as classes mais usadas. Este guia resume os pontos mais cobrados. As doses e as vias estão nos guias de cálculo de medicação e de vias de administração. As condutas específicas dependem da prescrição e dos protocolos de cada serviço.

Farmacocinética: o que o organismo faz com o fármaco

  • Absorção: passagem do fármaco do local de administração para a corrente sanguínea. Depende da via, da forma farmacêutica e das condições do paciente.
  • Distribuição: transporte do fármaco pelo sangue até os tecidos. Muitos fármacos se ligam às proteínas plasmáticas, como a albumina, e só a fração livre é ativa. Barreiras como a hematoencefálica e a placentária limitam a passagem de alguns fármacos.
  • Metabolização ou biotransformação: transformação do fármaco, principalmente no fígado, em substâncias geralmente mais fáceis de eliminar.
  • Excreção: eliminação do fármaco e dos seus metabólitos, principalmente pelos rins, mas também pela bile, pelas fezes, pelos pulmões e pelo leite materno.

Pacientes com doença no fígado ou nos rins, idosos e recém-nascidos podem ter alterações na metabolização e na excreção, o que exige ajuste de dose e atenção redobrada aos efeitos adversos.

Biodisponibilidade e efeito de primeira passagem

A biodisponibilidade é a fração da dose administrada que chega inalterada à circulação sistêmica. Na via endovenosa, ela é de 100%, porque o fármaco é colocado diretamente na corrente sanguínea. Na via oral, parte do fármaco absorvido no intestino passa pelo fígado antes de chegar à circulação e é metabolizada: é o efeito de primeira passagem, que reduz a biodisponibilidade. A via sublingual evita esse efeito, porque o fármaco é absorvido diretamente para a circulação.

Meia-vida e janela terapêutica

A meia-vida é o tempo necessário para que a concentração do fármaco no plasma caia pela metade. Ela orienta o intervalo entre as doses. Em geral, considera-se que, após cerca de quatro a cinco meias-vidas, o fármaco é praticamente eliminado, ou, em doses repetidas, atinge o estado de equilíbrio. A janela terapêutica é a faixa de concentração entre a dose eficaz e a dose tóxica. Fármacos com janela terapêutica estreita, como a digoxina, a varfarina, o lítio e a fenitoína, exigem controle rigoroso da dose e, muitas vezes, dosagem dos níveis no sangue.

Via endovenosa tem biodisponibilidade de 100%: as bancas costumam cobrar que a via endovenosa não sofre absorção nem efeito de primeira passagem, e que a via oral é a mais sujeita a esse efeito. A via sublingual é a alternativa para fármacos que seriam muito metabolizados pelo fígado.

Farmacodinâmica: o que o fármaco faz no organismo

A farmacodinâmica estuda o mecanismo de ação dos fármacos. Muitos agem ligando-se a receptores. O agonista se liga ao receptor e produz uma resposta; o antagonista se liga ao receptor e bloqueia a ação, sem produzir resposta. A potência se refere à dose necessária para produzir o efeito, e a eficácia, ao efeito máximo que o fármaco consegue produzir.

Interações e reações adversas

As interações medicamentosas ocorrem quando um fármaco altera o efeito de outro. No sinergismo, os efeitos se somam ou se potencializam; no antagonismo, um fármaco reduz ou anula o efeito do outro. Alimentos e bebidas também interferem, como o leite, que reduz a absorção de alguns antibióticos, e o álcool, que potencializa os depressores do sistema nervoso. As reações adversas incluem os efeitos colaterais, esperados e ligados à ação do fármaco; as reações alérgicas, que podem chegar à anafilaxia; a idiossincrasia, uma resposta incomum de determinado paciente; e a toxicidade por dose excessiva. A tolerância é a necessidade de doses cada vez maiores para obter o mesmo efeito, e a dependência é a necessidade física ou psíquica de continuar usando o fármaco.

Os antídotos mais cobrados

Intoxicação ou excessoAntídoto
Opioides, como morfinaNaloxona
Benzodiazepínicos, como diazepamFlumazenil
HeparinaSulfato de protamina
VarfarinaVitamina K
ParacetamolN-acetilcisteína
Organofosforados e carbamatosAtropina

Medicamentos de alta vigilância

Os medicamentos potencialmente perigosos, ou de alta vigilância, são os que apresentam risco aumentado de causar danos graves quando há falha na sua utilização. Entre eles estão a insulina, a heparina e os demais anticoagulantes, os opioides, os sedativos, os quimioterápicos, os bloqueadores neuromusculares e as soluções concentradas de eletrólitos, como o cloreto de potássio concentrado, que nunca deve ser administrado em bolus endovenoso e deve ser sempre diluído. Esses medicamentos exigem cuidados como armazenamento separado, identificação diferenciada, dupla checagem e padronização de doses, medidas ligadas ao protocolo de segurança na prescrição, uso e administração de medicamentos.

O protocolo de segurança na prescrição, uso e administração de medicamentos está no guia de segurança do paciente.

Cuidados com as classes mais usadas

  • Anti-inflamatórios não esteroides: podem causar irritação gástrica, sangramento e prejuízo renal; administrar preferencialmente com alimentos, conforme orientação.
  • Antibióticos: respeitar rigorosamente os horários e a duração do tratamento, para manter a concentração eficaz e reduzir a resistência bacteriana; perguntar sempre sobre alergias.
  • Diuréticos: a furosemida, de alça, pode causar perda de potássio; a espironolactona é poupadora de potássio. Controlar a diurese, o peso e os eletrólitos, e preferir a administração pela manhã.
  • Digoxina: verificar a frequência cardíaca antes da administração, conforme o protocolo, e observar sinais de intoxicação, como náuseas, vômitos, bradicardia e alterações visuais.
  • Anti-hipertensivos: verificar a pressão arterial antes da administração e orientar o paciente a levantar-se devagar, pelo risco de hipotensão postural. O captopril pode causar tosse seca, e os betabloqueadores podem causar bradicardia.
  • Anticoagulantes: observar sinais de sangramento, como gengivorragia, hematúria e hematomas, e acompanhar os exames de coagulação.
  • Insulinas: a insulina regular tem ação rápida e é a usada por via endovenosa nas situações de urgência, conforme prescrição; a NPH tem ação intermediária e aspecto leitoso. Controlar a glicemia e observar sinais de hipoglicemia, como sudorese, tremores e confusão.

O uso de opioides pela escada analgésica da OMS e a prevenção da constipação estão no guia de cuidados paliativos.

Os tipos de insulina, a mistura na mesma seringa, a hipoglicemia e a conservação estão no guia de diabetes e insulinoterapia.

Populações especiais

Idosos, crianças e gestantes exigem atenção especial. Nos idosos, a redução da função renal e hepática e o uso de muitos medicamentos ao mesmo tempo aumentam o risco de efeitos adversos e interações. Nas crianças, as doses costumam ser calculadas pelo peso ou pela superfície corporal. Nas gestantes, alguns fármacos atravessam a placenta e podem causar malformações, o chamado efeito teratogênico, por isso o uso deve ser sempre avaliado pelo prescritor.

A polifarmácia e os medicamentos potencialmente inapropriados para idosos estão no guia de saúde do idoso.

Como estudar

Memorize as quatro etapas da farmacocinética, a tabela de antídotos e a lista de medicamentos de alta vigilância, que são os pontos mais cobrados. Depois, estude os cuidados de enfermagem de cada classe, relacionando o efeito adverso com a verificação que deve ser feita antes da administração.

Nas provas, é comum a banca descrever um paciente e perguntar qual cuidado deve ser tomado antes de administrar o medicamento.

Exemplos de como cai

Afirmação: "O antídoto da heparina é a vitamina K." Errado. O antídoto da heparina é o sulfato de protamina; a vitamina K reverte a varfarina.

Afirmação: "A via endovenosa apresenta biodisponibilidade de 100%." Certo. O fármaco é colocado diretamente na circulação.

Afirmação: "O cloreto de potássio concentrado pode ser administrado em bolus endovenoso." Errado. Deve ser sempre diluído.

Resumo para revisar antes da prova

Farmacocinética com absorção, distribuição, metabolização principalmente hepática e excreção principalmente renal; fração livre ativa; biodisponibilidade de 100% na via endovenosa e efeito de primeira passagem na via oral; meia-vida e eliminação em quatro a cinco meias-vidas; janela terapêutica estreita na digoxina, na varfarina, no lítio e na fenitoína; agonista e antagonista; sinergismo e antagonismo; reações adversas, tolerância e dependência; antídotos: naloxona, flumazenil, protamina, vitamina K, N-acetilcisteína e atropina; alta vigilância com insulina, heparina, opioides e potássio concentrado; e cuidados com cada classe.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre farmacocinética e farmacodinâmica?

A farmacocinética estuda o que o organismo faz com o fármaco: absorção, distribuição, metabolização e excreção. A farmacodinâmica estuda o que o fármaco faz no organismo, ou seja, o seu mecanismo de ação e os seus efeitos.

Qual o antídoto da heparina?

O sulfato de protamina. Outros antídotos cobrados são a vitamina K para a varfarina, a naloxona para os opioides, o flumazenil para os benzodiazepínicos e a N-acetilcisteína para o paracetamol.

O que é meia-vida de um medicamento?

É o tempo necessário para que a concentração do fármaco no plasma caia pela metade. Em geral, considera-se que, após cerca de quatro a cinco meias-vidas, o fármaco é praticamente eliminado ou, em doses repetidas, atinge o estado de equilíbrio.

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