Atualizado em 25 de setembro de 2026.
Os cuidados paliativos são uma abordagem voltada à qualidade de vida de pessoas com doenças que ameaçam a continuidade da vida e dos seus familiares. O tema aparece com frequência nas provas de enfermagem e de outras profissões da saúde, com questões sobre o conceito da Organização Mundial da Saúde, os princípios, o controle da dor e a diferença entre eutanásia, distanásia e ortotanásia. Este guia resume os pontos mais cobrados. As normas éticas da profissão estão no guia de ética e legislação de enfermagem.
O conceito
Segundo a OMS, os cuidados paliativos consistem na abordagem que promove a qualidade de vida de pacientes e de seus familiares diante de doenças que ameaçam a continuidade da vida, por meio da prevenção e do alívio do sofrimento, com a identificação precoce, a avaliação e o tratamento da dor e de outros problemas de natureza física, psicossocial e espiritual. O cuidado paliativo não se limita ao câncer: é indicado também em doenças como a insuficiência cardíaca, a doença pulmonar obstrutiva crônica, as demências e as doenças neurológicas degenerativas.
Os princípios
- promover o alívio da dor e de outros sintomas desagradáveis;
- afirmar a vida e considerar a morte um processo normal da vida;
- não acelerar nem adiar a morte;
- integrar os aspectos psicológicos e espirituais no cuidado;
- oferecer um sistema de suporte que possibilite ao paciente viver tão ativamente quanto possível até o momento da morte;
- oferecer sistema de suporte para auxiliar os familiares durante a doença do paciente e no luto;
- adotar abordagem multiprofissional;
- melhorar a qualidade de vida e influenciar positivamente o curso da doença;
- iniciar o mais precocemente possível, junto com outras medidas de prolongamento da vida.
A dor total
O conceito de dor total, formulado por Cicely Saunders, precursora do movimento moderno dos cuidados paliativos, reconhece que o sofrimento tem dimensões física, psicológica, social e espiritual, que se influenciam mutuamente. Por isso, o controle da dor exige mais do que analgésicos: envolve escuta, apoio emocional, atenção às necessidades sociais e respeito às crenças do paciente.
A avaliação da dor
A dor deve ser avaliada de forma sistemática, como um sinal vital, com escalas adequadas à condição do paciente: a escala numérica, de 0 a 10; a escala visual analógica; e a escala de faces, útil para crianças e pessoas com dificuldade de comunicação. A avaliação considera também a localização, o tipo, a intensidade, a duração, os fatores de melhora e de piora e o impacto na vida do paciente. A avaliação dos sinais vitais está no guia de sinais vitais.
A escada analgésica da OMS
| Degrau | Intensidade da dor | Tratamento |
|---|---|---|
| 1 | Leve | Analgésicos não opioides, como paracetamol, dipirona e anti-inflamatórios, com ou sem adjuvantes |
| 2 | Moderada | Opioides fracos, como codeína e tramadol, associados ou não aos não opioides e aos adjuvantes |
| 3 | Intensa | Opioides fortes, como morfina, associados ou não aos não opioides e aos adjuvantes |
Os princípios de uso dos analgésicos incluem a administração, sempre que possível, pela boca, a administração em horários fixos, e não apenas quando a dor aparece, a escolha pela escada, a adaptação ao indivíduo e a atenção aos detalhes. A constipação é efeito adverso frequente dos opioides e deve ser prevenida com laxantes desde o início do tratamento. A farmacologia dos opioides está no guia de farmacologia básica.
Controle de sintomas e hipodermóclise
Além da dor, os cuidados paliativos buscam controlar sintomas como a dispneia, as náuseas e os vômitos, a constipação, a fadiga, a perda de apetite, a ansiedade e o delirium. A hipodermóclise, que é a administração de líquidos e de medicamentos pela via subcutânea, é muito usada em cuidados paliativos, inclusive no domicílio, por ser uma via segura, confortável e de fácil manejo, quando a via oral não é possível. A funcionalidade do paciente costuma ser avaliada por escalas de desempenho, que ajudam a planejar os cuidados e a estimar o prognóstico.
Eutanásia, distanásia e ortotanásia
| Termo | Significado | Situação no Brasil |
|---|---|---|
| Eutanásia | Ação ou omissão que abrevia intencionalmente a vida, para acabar com o sofrimento | Proibida, podendo configurar crime |
| Distanásia | Prolongamento artificial do processo de morte, com sofrimento, também chamado de obstinação terapêutica | Desaconselhada pela ética profissional |
| Ortotanásia | Morte no seu tempo, sem abreviar nem prolongar artificialmente a vida, com os cuidados paliativos necessários | Admitida pelas normas éticas da medicina |
| Mistanásia | Morte miserável, antes do tempo, por falta de assistência adequada | Expressão usada para criticar a desassistência |
O Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem proíbe promover a eutanásia ou participar de prática destinada a antecipar a morte da pessoa, e prevê que, nos casos de doenças graves incuráveis e terminais com risco iminente de morte, o profissional deve oferecer todos os cuidados paliativos disponíveis para assegurar o conforto físico, psíquico, social e espiritual, respeitada a vontade da pessoa ou do seu representante legal.
As diretivas antecipadas de vontade
As diretivas antecipadas de vontade são o conjunto de desejos, prévia e expressamente manifestados pelo paciente, sobre os cuidados e os tratamentos que quer, ou não, receber no momento em que estiver incapacitado de expressar, livre e autonomamente, a sua vontade. Pela norma do Conselho Federal de Medicina, essas diretivas devem ser levadas em consideração pelo médico e prevalecem sobre qualquer outro parecer não médico, inclusive sobre os desejos dos familiares. O registro pode ser feito no prontuário, e o paciente pode indicar um representante para essa finalidade.
Comunicação, família e luto
A comunicação clara, honesta e empática é essencial em cuidados paliativos, especialmente na transmissão de más notícias, para a qual existem protocolos estruturados. A família faz parte da unidade de cuidado e deve ser apoiada durante a doença e no luto. O cuidado deve respeitar os valores, as crenças e as preferências do paciente, inclusive quanto ao local em que deseja ser cuidado e morrer. No SUS, uma política nacional de cuidados paliativos foi instituída para organizar a oferta desses cuidados em toda a rede de atenção.
Como estudar
Memorize o conceito da OMS e os princípios, com atenção à indicação precoce e à regra de não acelerar nem adiar a morte, a escada analgésica, a diferença entre eutanásia, distanásia e ortotanásia e o conceito de diretivas antecipadas, que são os pontos mais cobrados. Depois, revise a dor total e a hipodermóclise.
Exemplos de como cai
Afirmação: "Os cuidados paliativos devem ser iniciados somente quando esgotadas as possibilidades de tratamento curativo." Errado. Devem começar o mais precocemente possível, junto com outras terapias.
Afirmação: "A ortotanásia consiste em não abreviar nem prolongar artificialmente o processo de morte, com os cuidados paliativos necessários." Certo. É o conceito de ortotanásia.
Afirmação: "No terceiro degrau da escada analgésica da OMS, são indicados os opioides fracos, como o tramadol." Errado. O terceiro degrau é o dos opioides fortes, como a morfina.
Resumo para revisar antes da prova
Cuidados paliativos para qualidade de vida de pacientes e familiares diante de doenças que ameaçam a vida, não só no câncer nem só na fase final; princípios de alívio de sintomas, afirmação da vida, não acelerar nem adiar a morte, suporte à família e ao luto e abordagem multiprofissional; dor total de Cicely Saunders; escalas numérica, visual e de faces; escada analgésica com não opioides, opioides fracos e opioides fortes, em horário fixo e com prevenção da constipação; hipodermóclise; eutanásia proibida, distanásia desaconselhada e ortotanásia admitida; e diretivas antecipadas de vontade prevalecendo sobre os desejos dos familiares.
Perguntas frequentes
Os cuidados paliativos são só para pacientes em fase terminal?
Não. Segundo a OMS, os cuidados paliativos devem ser iniciados o mais precocemente possível, junto com outras terapias que buscam prolongar a vida, para pessoas que enfrentam doenças que ameaçam a continuidade da vida, e não apenas na fase final nem apenas no câncer.
Qual a diferença entre eutanásia, distanásia e ortotanásia?
A eutanásia é a ação para abreviar a vida, proibida no Brasil. A distanásia é o prolongamento artificial do processo de morte, com sofrimento, também chamado de obstinação terapêutica. A ortotanásia é a morte no seu tempo, sem abreviar nem prolongar artificialmente a vida, com os cuidados paliativos necessários.
O que são diretivas antecipadas de vontade?
São os desejos manifestados prévia e expressamente pelo paciente sobre os cuidados e tratamentos que quer ou não receber no momento em que estiver incapacitado de expressar a sua vontade, conforme norma do Conselho Federal de Medicina.

