Atualizado em 25 de setembro de 2026.

A imunização é uma das ações mais importantes da atenção à saúde e um tema frequente nas provas de técnico de enfermagem, enfermeiro e agente comunitário de saúde, como as da SES TO e da Sesa AP. As questões costumam cobrar os tipos de imunidade, os tipos de vacina, as contraindicações e, principalmente, a conservação das vacinas na rede de frio. Este guia resume os conceitos mais cobrados. O calendário de vacinação é atualizado periodicamente pelo Programa Nacional de Imunizações, por isso as doses e as idades devem ser conferidas nas normas vigentes na data da prova.

Os tipos de imunidade

TipoNaturalArtificialCaracterísticas
AtivaApós a doençaApós a vacinaçãoO organismo produz os próprios anticorpos e células de memória; proteção duradoura, mas que demora a se formar
PassivaAnticorpos maternos, pela placenta e pelo leiteSoros e imunoglobulinasO organismo recebe anticorpos prontos; proteção imediata, mas transitória

A vacina produz imunidade ativa artificial. O soro antitetânico ou antirrábico e as imunoglobulinas produzem imunidade passiva artificial, usada quando é necessária proteção imediata, como após certos acidentes com animais ou ferimentos com risco de tétano.

Vacina é ativa, soro é passivo: as bancas costumam trocar esses conceitos. A vacina estimula o organismo a produzir anticorpos, com memória imunológica. O soro fornece anticorpos prontos, com ação imediata, mas sem memória. Os anticorpos que o bebê recebe da mãe são exemplo de imunidade passiva natural.

Os tipos de vacina

  • Atenuadas: contêm microrganismos vivos, enfraquecidos, capazes de se multiplicar sem causar a doença em pessoas saudáveis. Exemplos: BCG, tríplice viral, varicela, febre amarela e rotavírus.
  • Inativadas: contêm microrganismos mortos ou partes deles, sem capacidade de multiplicação. Exemplos: vacina inativada contra a poliomielite, influenza, hepatite A e vacinas contra a raiva.
  • Toxoides ou anatoxinas: contêm toxinas inativadas, como as do tétano e da difteria.
  • De subunidades, recombinantes e conjugadas: contêm apenas partes do microrganismo, como proteínas ou polissacarídeos, às vezes ligados a proteínas para melhorar a resposta, como a vacina contra a hepatite B e as vacinas pneumocócicas e meningocócicas conjugadas.
  • De tecnologias mais recentes: como as de RNA mensageiro e as de vetor viral.

Contraindicações verdadeiras e falsas

São contraindicações gerais às vacinas a reação anafilática a dose anterior da vacina ou a algum dos seus componentes. Para as vacinas atenuadas, são contraindicações, em regra, a imunodepressão importante, por doença ou tratamento, e a gestação, salvo situações específicas definidas nas normas. Em caso de doença aguda febril moderada ou grave, recomenda-se adiar a vacinação até a melhora.

São consideradas falsas contraindicações, que não devem impedir a vacinação: doenças leves, como resfriados, sem febre alta; uso de antibióticos; desnutrição; alergias não relacionadas aos componentes da vacina; história familiar de eventos adversos; e prematuridade, respeitadas as orientações específicas. Deixar de vacinar por falsas contraindicações é uma das causas de oportunidades perdidas de vacinação.

Intervalos entre vacinas

As vacinas inativadas podem ser administradas simultaneamente ou com qualquer intervalo entre si e em relação às atenuadas. As vacinas atenuadas injetáveis que não forem administradas no mesmo dia devem respeitar, em regra, um intervalo mínimo de 30 dias entre si, com exceções e situações específicas previstas nas normas do Programa Nacional de Imunizações. Doses administradas com intervalo menor que o mínimo podem ser desconsideradas.

A rede de frio

A rede de frio é o sistema de conservação, armazenamento, distribuição e transporte dos imunobiológicos, que garante a manutenção das suas características desde a produção até a administração. Ela se organiza em instâncias nacional, estadual, regional, municipal e local, sendo a sala de vacinação a instância final. Na sala de vacinação, as vacinas devem ser conservadas entre +2 °C e +8 °C, sendo +5 °C a temperatura ideal na maioria das orientações.

Entre +2 °C e +8 °C: é o número mais cobrado do tema. A exposição a temperaturas fora dessa faixa, principalmente o congelamento das vacinas inativadas que contêm adjuvante de alumínio, pode comprometer a potência do imunobiológico. Diante de alteração de temperatura, a vacina não deve ser descartada nem usada por conta própria: deve ser mantida sob refrigeração, identificada e avaliada pela instância responsável.

Os cuidados mais cobrados na sala de vacinação são: usar equipamentos adequados, como câmaras refrigeradas, preferíveis aos refrigeradores domésticos; manter termômetro e registrar a temperatura, no mínimo, no início e no fim do expediente; não armazenar alimentos, bebidas ou outros materiais junto às vacinas; organizar as vacinas de modo a permitir a circulação do ar; usar caixas térmicas com bobinas de gelo ambientadas para o transporte e para as atividades de vacinação extramuros; e observar o prazo de validade após a abertura dos frascos multidose, conforme o fabricante.

Vias de administração

As vacinas usam diferentes vias: a BCG é aplicada por via intradérmica; a vacina contra o rotavírus, por via oral; a tríplice viral e a febre amarela, em geral, por via subcutânea; e a maioria das inativadas, como a hepatite B e as vacinas com toxoides, por via intramuscular. Os ângulos e locais de cada via estão no guia de vias de administração de medicamentos.

O acompanhamento da criança nas consultas de puericultura, em que a caderneta de vacinação é verificada, está no guia de saúde da criança.

Eventos adversos

Os ESAVI, eventos supostamente atribuíveis à vacinação ou imunização, são quaisquer ocorrências médicas indesejadas após a vacinação, que podem ou não ter relação causal com a vacina. Os mais comuns são locais, como dor, vermelhidão e inchaço no local da aplicação, e sistêmicos leves, como febre. Os eventos graves devem ser notificados e investigados, e a equipe deve estar preparada para atender reações imediatas, como a anafilaxia. A notificação faz parte da vigilância em saúde, tema do guia de vigilância em saúde.

Os anticorpos transmitidos pelo leite materno são exemplo de imunidade passiva natural, tema também do guia de aleitamento materno.

Imunidade coletiva e cobertura vacinal

A imunidade coletiva, ou de rebanho, ocorre quando uma proporção suficiente da população está imune, o que reduz a circulação do agente e protege também quem não pode ser vacinado. Por isso, manter altas coberturas vacinais é essencial para controlar e eliminar doenças, como as do guia de doenças transmissíveis. O Programa Nacional de Imunizações organiza a política de vacinação no país, e os Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais atendem pessoas com condições clínicas que exigem vacinas específicas.

A vacinação é exemplo clássico de prevenção primária, na modalidade de proteção específica, tema do guia de promoção da saúde e níveis de prevenção.

Como estudar

Memorize a diferença entre imunidade ativa e passiva, os exemplos de vacinas atenuadas e as contraindicações verdadeiras e falsas. Depois, revise a faixa de temperatura da rede de frio e os cuidados na sala de vacinação, que são os pontos mais cobrados. Confira o calendário vigente do Programa Nacional de Imunizações, se o edital o incluir.

Registro e orientação

Toda vacina administrada deve ser registrada no cartão ou caderneta de vacinação e no sistema de informação adotado pelo serviço, com a data, o lote e a identificação do profissional. O usuário deve ser orientado sobre a próxima dose, os eventos adversos esperados e a procura do serviço em caso de reação mais intensa.

Exemplos de como cai

Afirmação: "A vacinação confere imunidade passiva artificial." Errado. Confere imunidade ativa artificial; a passiva artificial vem dos soros e imunoglobulinas.

Afirmação: "Na sala de vacinação, as vacinas devem ser conservadas entre +2 °C e +8 °C." Certo. É a faixa de conservação recomendada.

Afirmação: "O uso de antibióticos é contraindicação para a vacinação." Errado. É uma falsa contraindicação.

Resumo para revisar antes da prova

Imunidade ativa, natural pela doença ou artificial pela vacina, duradoura e lenta; passiva, natural pelos anticorpos maternos ou artificial pelos soros e imunoglobulinas, imediata e transitória; vacinas atenuadas, inativadas, toxoides, de subunidades, conjugadas e de novas tecnologias; anafilaxia como contraindicação geral e imunodepressão e gestação para as atenuadas; falsas contraindicações; intervalo de 30 dias entre atenuadas injetáveis não simultâneas; rede de frio com instâncias até a sala de vacinação, conservação entre +2 °C e +8 °C, registro de temperatura e caixas térmicas; vias de administração; ESAVI; e imunidade coletiva e cobertura vacinal.

Perguntas frequentes

Qual a temperatura de conservação das vacinas na sala de vacinação?

Entre +2 °C e +8 °C, sendo +5 °C a temperatura ideal na maioria das orientações. A temperatura deve ser verificada e registrada ao longo do dia, no mínimo no início e no fim do expediente.

Qual a diferença entre imunidade ativa e passiva?

Na imunidade ativa, o próprio organismo produz os anticorpos, após a doença ou a vacinação, com proteção duradoura, mas que demora a se formar. Na passiva, o organismo recebe anticorpos prontos, pela placenta, pelo leite materno ou por soros e imunoglobulinas, com proteção imediata, mas transitória.

Quem não deve receber vacinas de vírus vivos atenuados?

Em regra, pessoas com imunodepressão importante e gestantes, salvo situações específicas avaliadas conforme as normas do Programa Nacional de Imunizações. A anafilaxia a dose anterior ou a componente da vacina é contraindicação para qualquer vacina.

SOS Concursos
Equipe SOS Concursos

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