Atualizado em 25 de setembro de 2026.

O aleitamento materno é uma das estratégias mais eficazes de promoção da saúde infantil e aparece com frequência nas provas de técnico de enfermagem, enfermeiro, agente comunitário de saúde e outros cargos da saúde. As questões costumam cobrar as recomendações de duração, os sinais de pega correta, a conservação do leite ordenhado e as contraindicações. Este guia resume os pontos mais cobrados, com base nas orientações da Organização Mundial da Saúde e do Ministério da Saúde. As condutas específicas devem seguir os manuais e protocolos vigentes.

As recomendações

A recomendação da OMS e do Ministério da Saúde é o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de idade, sem água, chás, sucos ou outros alimentos, e a sua continuidade, complementado com alimentos adequados, até os dois anos ou mais. A amamentação deve começar, de preferência, na primeira hora de vida, com o contato pele a pele entre a mãe e o bebê. O bebê deve mamar em livre demanda, ou seja, sempre que quiser, sem horários rígidos.

Exclusivo até seis meses, complementado até dois anos ou mais: as bancas costumam trocar esses prazos, afirmando, por exemplo, que o bebê deve receber água ou chá nos dias quentes antes dos seis meses, ou que a amamentação deve ser interrompida quando começam os outros alimentos. Nenhuma das duas afirmações está correta.

Os tipos de aleitamento

TipoDefinição
ExclusivoA criança recebe somente leite materno, direto da mama ou ordenhado, ou leite humano de outra fonte, sem outros líquidos ou sólidos, exceto medicamentos, vitaminas e sais de reidratação
PredominanteAlém do leite materno, a criança recebe água ou bebidas à base de água, como chás e sucos
ComplementadoAlém do leite materno, a criança recebe alimentos sólidos ou semissólidos para complementá-lo
Misto ou parcialA criança recebe leite materno e outros tipos de leite

Os benefícios

Para o bebê, o leite materno oferece todos os nutrientes necessários nos primeiros seis meses, anticorpos que protegem contra infecções, como diarreias e pneumonias, menor risco de alergias, obesidade e diabetes e melhor desenvolvimento da face e da fala. O colostro, produzido nos primeiros dias, é rico em anticorpos e funciona como a primeira vacina do bebê. Para a mãe, a amamentação favorece a involução uterina e reduz o sangramento pós-parto, diminui o risco de câncer de mama e de ovário e fortalece o vínculo com o filho. Há também benefícios econômicos e ambientais para a família e a sociedade.

A pega e o posicionamento

Uma boa pega evita dores e fissuras e garante a retirada eficiente do leite. Os sinais de pega correta são: boca bem aberta; lábio inferior virado para fora; queixo tocando a mama; e mais aréola visível acima da boca do bebê do que abaixo. Quanto ao posicionamento, o bebê deve estar com a cabeça e o corpo alinhados, com o corpo próximo ao da mãe, de frente para a mama, com o nariz na altura do mamilo, e bem apoiado. As bochechas devem ficar arredondadas, e não encovadas, durante a sucção, e a mãe não deve sentir dor.

A ordenha e a conservação do leite

A ordenha manual é útil quando a mãe precisa se afastar do bebê, como no retorno ao trabalho, ou para aliviar as mamas cheias. O leite deve ser retirado com as mãos lavadas, em recipiente de vidro com tampa plástica, previamente limpo e fervido, identificado com a data e o horário da coleta. Pelas orientações do Ministério da Saúde, o leite ordenhado pode ser conservado por cerca de 12 horas na geladeira e por até 15 dias no congelador ou freezer. Para oferecer, o leite deve ser descongelado e aquecido em banho-maria, com o fogo desligado, e nunca no micro-ondas, e oferecido preferencialmente em copinho, e não em mamadeira. As sobras de leite aquecido devem ser descartadas.

As contraindicações

As contraindicações ao aleitamento materno são poucas. No Brasil, entre as situações em que a amamentação não é recomendada estão as mães que vivem com HIV ou com HTLV, o uso de determinados medicamentos incompatíveis com a amamentação, como alguns antineoplásicos, e, no bebê, a galactosemia. Em outras situações, como algumas infecções maternas, a suspensão pode ser temporária ou restrita à mama afetada, conforme orientação profissional. A maioria das doenças maternas comuns, como gripes e resfriados, e o uso da maior parte dos medicamentos não impedem a amamentação. Os demais aspectos das doenças infecciosas estão no guia de doenças transmissíveis.

Os problemas mais comuns

  • Ingurgitamento mamário: mamas cheias, tensas e doloridas, comuns nos primeiros dias; o manejo inclui mamadas frequentes, ordenha para amaciar a aréola antes da mamada e massagens.
  • Fissuras mamilares: geralmente causadas por pega incorreta; a correção da pega é a principal medida, e o próprio leite pode ser passado nos mamilos após as mamadas.
  • Mastite: inflamação da mama, que pode evoluir com infecção, com dor, vermelhidão e febre; em regra, a amamentação deve continuar, com esvaziamento adequado da mama e acompanhamento profissional.
  • Percepção de pouco leite: muitas vezes relacionada à insegurança da mãe; a produção aumenta com a sucção frequente e a pega correta.

Os componentes da mortalidade infantil e a sua relação com o aleitamento estão no guia de indicadores de saúde.

Iniciativa Hospital Amigo da Criança e bancos de leite

A Iniciativa Hospital Amigo da Criança, da OMS e do Unicef, credencia os hospitais que cumprem os dez passos para o sucesso do aleitamento materno, como ajudar as mães a iniciar a amamentação na primeira hora após o parto, praticar o alojamento conjunto, incentivar a livre demanda e não oferecer bicos artificiais e chupetas. Os bancos de leite humano coletam, processam e distribuem o leite doado para bebês que não podem ser amamentados pela própria mãe, como os prematuros internados.

Os testes de triagem neonatal, o crescimento e os marcos do desenvolvimento estão no guia de saúde da criança.

A proteção legal

A legislação brasileira protege o aleitamento materno de várias formas: a Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes, prevista em lei, restringe a propaganda de fórmulas infantis, mamadeiras, bicos e chupetas; a CLT garante à mulher dois descansos especiais de meia hora cada, durante a jornada, para amamentar o filho até os seis meses de idade, e a licença-maternidade, temas do guia de trabalho da mulher e do menor; e a lei instituiu o Agosto Dourado como mês de intensificação das ações de promoção do aleitamento materno.

O papel da atenção básica

Os profissionais da atenção básica, como os agentes comunitários de saúde e a equipe de enfermagem, têm papel essencial no apoio à amamentação: orientação durante o pré-natal, visita domiciliar na primeira semana após o parto, observação da mamada, correção da pega e apoio diante das dificuldades. O trabalho do agente está no guia de agente comunitário de saúde.

Como estudar

Memorize as recomendações de duração, os tipos de aleitamento, os sinais de pega correta e os prazos de conservação do leite ordenhado, que são os pontos mais cobrados. Depois, revise as contraindicações e o manejo dos problemas mais comuns, lembrando que, na maioria deles, a amamentação deve continuar.

Exemplos de como cai

Afirmação: "Nos dias quentes, o bebê em aleitamento materno exclusivo deve receber água para evitar a desidratação." Errado. O leite materno supre as necessidades de água até os seis meses.

Afirmação: "Na pega correta, o lábio inferior do bebê fica virado para fora e o queixo toca a mama." Certo. São sinais de pega adequada.

Afirmação: "O leite materno ordenhado pode ser aquecido no micro-ondas." Errado. Deve ser aquecido em banho-maria, com o fogo desligado.

Resumo para revisar antes da prova

Aleitamento exclusivo até seis meses e complementado até dois anos ou mais; início na primeira hora e livre demanda; tipos exclusivo, predominante, complementado e misto; colostro como primeira proteção; benefícios para o bebê, a mãe e a sociedade; pega com boca aberta, lábio inferior para fora, queixo na mama e mais aréola acima; ordenha em frasco de vidro fervido, 12 horas na geladeira e 15 dias no congelador, descongelamento em banho-maria e oferta em copinho; contraindicações como HIV, HTLV, certos medicamentos e galactosemia; ingurgitamento, fissuras e mastite, em geral sem interromper a amamentação; dez passos do Hospital Amigo da Criança e bancos de leite; e proteção legal com a norma de comercialização, os descansos para amamentar e o Agosto Dourado.

Perguntas frequentes

Até quando a amamentação deve ser exclusiva?

A recomendação da Organização Mundial da Saúde e do Ministério da Saúde é o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de idade, sem água, chás ou outros alimentos, e a sua continuidade, complementado com outros alimentos, até os dois anos ou mais.

Quais são os sinais de pega correta?

Boca bem aberta, lábio inferior virado para fora, queixo tocando a mama e mais aréola visível acima da boca do que abaixo dela, com o bebê de frente para a mãe e o corpo alinhado e próximo ao dela.

Quando o aleitamento materno é contraindicado?

No Brasil, entre as situações de contraindicação estão as mães que vivem com HIV ou com HTLV, o uso de determinados medicamentos incompatíveis com a amamentação e, no bebê, a galactosemia. A maioria das doenças maternas comuns não impede a amamentação.

SOS Concursos
Equipe SOS Concursos

Conteúdo produzido e revisado pela equipe editorial da SOS Concursos, que acompanha concursos públicos desde 2006. Cada dado deste artigo foi conferido nas fontes listadas acima. Conheça nossa política editorial ou envie uma correção para contato@sosconcursos.com.br.