Atualizado em 25 de setembro de 2026.
Os indicadores de saúde são medidas que resumem informações sobre o estado de saúde de uma população e sobre o desempenho do sistema de saúde. Eles são cobrados nas provas de enfermagem, vigilância em saúde, agente comunitário de saúde e demais cargos da saúde pública, com questões sobre a diferença entre incidência e prevalência, os coeficientes de mortalidade e os sistemas de informação do SUS. Este guia resume os pontos mais cobrados. Os conceitos de vigilância estão no guia de vigilância em saúde.
Incidência e prevalência
| Medida | O que mede | Para que serve |
|---|---|---|
| Incidência | Casos novos de uma doença em uma população sob risco, em determinado período | Estima o risco de adoecer e é útil para doenças agudas e para avaliar medidas de prevenção |
| Prevalência | Todos os casos existentes, novos e antigos, em um momento ou período | Mede a magnitude da doença na população e é útil para planejar serviços, especialmente nas doenças crônicas |
A prevalência depende da incidência e da duração da doença: de forma simplificada, a prevalência é aproximadamente o produto da incidência pela duração média. Por isso, a prevalência aumenta com o surgimento de novos casos, com a chegada de doentes à região e com tratamentos que prolongam a vida sem curar, e diminui com a cura, os óbitos e a saída de doentes da região.
Mortalidade e letalidade
- Coeficiente de mortalidade geral: número de óbitos em determinado local e período, dividido pela população, geralmente por mil habitantes.
- Coeficiente de mortalidade específica: óbitos por uma causa, idade ou sexo, divididos pela população correspondente.
- Letalidade: número de óbitos por uma doença, dividido pelo número de casos dessa doença, geralmente em percentual. Mede a gravidade da doença.
- Mortalidade proporcional: percentual dos óbitos por determinada causa ou faixa etária em relação ao total de óbitos.
A diferença entre mortalidade e letalidade é muito cobrada: a mortalidade relaciona os óbitos a toda a população, e a letalidade, apenas às pessoas que tiveram a doença.
A mortalidade infantil
O coeficiente de mortalidade infantil é o número de óbitos de menores de um ano, dividido pelo número de nascidos vivos no mesmo local e período, multiplicado por mil. É um dos indicadores mais sensíveis das condições de vida e de saúde de uma população. Os seus componentes são:
| Componente | Idade | Relação principal |
|---|---|---|
| Neonatal precoce | De 0 a 6 dias de vida | Assistência ao pré-natal, ao parto e ao recém-nascido |
| Neonatal tardia | De 7 a 27 dias de vida | Assistência ao recém-nascido e condições de saúde |
| Pós-neonatal | De 28 dias a menos de um ano | Condições socioeconômicas e ambientais, como saneamento, nutrição e vacinação |
Com a melhoria do saneamento e da vacinação, a mortalidade pós-neonatal caiu no Brasil, e o componente neonatal passou a concentrar a maior parte dos óbitos infantis, o que exige maior atenção à qualidade do pré-natal e do parto. O aleitamento materno é uma das estratégias de redução da mortalidade infantil, tema do guia de aleitamento materno.
As ações de atenção ao recém-nascido e à criança que ajudam a reduzir a mortalidade infantil estão no guia de saúde da criança.
A mortalidade materna
Morte materna é a morte de uma mulher durante a gestação ou até 42 dias após o término da gestação, independentemente da duração ou da localização da gravidez, devida a qualquer causa relacionada ou agravada pela gravidez ou por medidas tomadas em relação a ela, mas não por causas acidentais ou incidentais. A razão de mortalidade materna é o número de óbitos maternos dividido pelo número de nascidos vivos, multiplicado por 100 mil. As mortes maternas são, em grande parte, evitáveis com assistência adequada ao pré-natal, ao parto e ao puerpério.
Outros indicadores
Outros indicadores cobrados são o coeficiente de natalidade, número de nascidos vivos por mil habitantes; a taxa de fecundidade total, número médio de filhos que uma mulher teria ao final do período reprodutivo; a esperança de vida ao nascer; o indicador de Swaroop-Uemura, proporção de óbitos de pessoas com 50 anos ou mais no total de óbitos, que é mais alto em populações com melhores condições de vida; e a curva de Nelson de Moraes, que representa a mortalidade proporcional por faixa etária e assume formas diferentes conforme o nível de saúde da população.
Endemia, epidemia, surto e pandemia
- Endemia: ocorrência habitual de uma doença em uma região, dentro de limites esperados.
- Epidemia: aumento do número de casos acima do esperado para a região e o período.
- Surto: epidemia localizada, restrita a uma área ou a um grupo específico, como uma escola ou um bairro.
- Pandemia: epidemia com ampla distribuição geográfica, atingindo vários países ou continentes.
O diagrama de controle é usado para identificar se a ocorrência de uma doença está dentro do esperado ou se configura epidemia. As doenças transmissíveis mais cobradas estão no guia de doenças transmissíveis.
Os sistemas de informação em saúde
| Sistema | Documento ou fonte | Finalidade |
|---|---|---|
| SIM | Declaração de óbito | Informações sobre a mortalidade |
| SINASC | Declaração de nascido vivo | Informações sobre os nascimentos |
| SINAN | Ficha de notificação e de investigação | Agravos de notificação compulsória |
| SIH/SUS | Autorização de internação hospitalar | Internações no SUS |
| SIA/SUS | Registros da produção ambulatorial | Atendimentos ambulatoriais |
| SI-PNI | Registros de vacinação | Imunizações |
| CNES | Cadastro dos estabelecimentos | Estabelecimentos e profissionais de saúde |
A declaração de óbito é preenchida pelo médico, e a declaração de nascido vivo, pelo profissional de saúde que assistiu o parto. A atenção primária conta com sistemas próprios de registro das ações das equipes.
A qualidade dos indicadores
Um bom indicador deve ter validade, medindo de fato o que se propõe a medir; confiabilidade, produzindo resultados semelhantes em medições repetidas; disponibilidade dos dados; simplicidade de cálculo e de interpretação; e comparabilidade entre locais e períodos. A qualidade dos indicadores depende da qualidade do preenchimento dos documentos de origem, como as declarações de óbito e de nascido vivo, e da cobertura dos sistemas. O sub-registro de óbitos e de nascimentos e o grande número de óbitos por causas mal definidas comprometem a análise.
Como estudar
Memorize a diferença entre incidência e prevalência e entre mortalidade e letalidade, os componentes da mortalidade infantil, a definição de morte materna e o quadro dos sistemas de informação, que são os pontos mais cobrados. Depois, treine as questões que pedem o efeito de uma situação, como um novo tratamento ou uma vacina, sobre a incidência e a prevalência.
Nas provas, é comum a banca fornecer dados de um município e pedir o cálculo de um coeficiente, por isso vale treinar as fórmulas.
Exemplos de como cai
Afirmação: "A letalidade relaciona o número de óbitos por uma doença à população total." Errado. Relaciona os óbitos ao número de casos da doença; a mortalidade é que usa a população total.
Afirmação: "O componente pós-neonatal da mortalidade infantil corresponde aos óbitos de 28 dias a menos de um ano." Certo. É a faixa do componente pós-neonatal.
Afirmação: "O SINASC é alimentado pelas declarações de óbito." Errado. O SINASC usa a declaração de nascido vivo; o SIM usa a declaração de óbito.
Resumo para revisar antes da prova
Incidência como casos novos e risco, e prevalência como casos existentes e magnitude, aproximadamente incidência vezes duração; mortalidade geral e específica, letalidade como gravidade e mortalidade proporcional; mortalidade infantil por mil nascidos vivos, com componentes neonatal precoce, neonatal tardio e pós-neonatal; morte materna até 42 dias, com razão por 100 mil nascidos vivos; natalidade, fecundidade, esperança de vida, Swaroop-Uemura e curva de Nelson de Moraes; endemia, epidemia, surto e pandemia; e SIM, SINASC, SINAN, SIH, SIA, SI-PNI e CNES.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre incidência e prevalência?
A incidência mede os casos novos de uma doença em uma população, em determinado período, e expressa o risco de adoecer. A prevalência mede todos os casos existentes, novos e antigos, em um momento ou período, e expressa a magnitude da doença na população.
Como se calcula a mortalidade infantil?
Dividindo o número de óbitos de menores de um ano pelo número de nascidos vivos no mesmo local e período, multiplicado por mil. Ela tem os componentes neonatal, até 27 dias de vida, e pós-neonatal, de 28 dias a menos de um ano.
O que mede a letalidade?
A gravidade de uma doença, pela proporção de óbitos entre as pessoas que tiveram a doença, geralmente expressa em percentual.

