Atualizado em 25 de setembro de 2026.

As demonstrações contábeis são os relatórios que apresentam a situação patrimonial, o desempenho e os fluxos de caixa de uma entidade. São o resultado final do processo contábil e um dos temas mais cobrados em Contabilidade Geral nos concursos fiscais, de controle, de bancos e de estatais. A base legal está na Lei 6.404/1976, a Lei das Sociedades por Ações, e nos pronunciamentos do Comitê de Pronunciamentos Contábeis, como o CPC 26, que trata da apresentação das demonstrações. Este guia resume os pontos mais cobrados. Os fundamentos da matéria estão no guia de contabilidade básica.

As demonstrações obrigatórias

Ao fim de cada exercício social, a diretoria deve elaborar, com base na escrituração, as seguintes demonstrações, conforme o artigo 176 da Lei 6.404/1976:

DemonstraçãoO que mostra
Balanço patrimonialA posição patrimonial e financeira em uma data: ativo, passivo e patrimônio líquido
Demonstração dos lucros ou prejuízos acumuladosA movimentação da conta de lucros ou prejuízos acumulados no período
Demonstração do resultado do exercícioO desempenho no período: receitas, custos, despesas e o lucro ou prejuízo
Demonstração dos fluxos de caixaAs entradas e saídas de caixa no período, por tipo de atividade
Demonstração do valor adicionadoA riqueza gerada pela entidade e a sua distribuição; obrigatória para as companhias abertas

As demonstrações são complementadas por notas explicativas, que detalham os critérios contábeis e as informações relevantes. A companhia fechada com patrimônio líquido, na data do balanço, inferior a R$ 2 milhões não é obrigada a elaborar e publicar a demonstração dos fluxos de caixa. A demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados pode ser incluída na demonstração das mutações do patrimônio líquido, a DMPL, que mostra a movimentação de todas as contas do patrimônio líquido e é exigida das companhias abertas pelas normas da CVM.

Balanço patrimonial e a classificação das contas

O balanço é dividido em ativo, de um lado, e passivo e patrimônio líquido, de outro. As contas são classificadas em ordem decrescente de grau de liquidez, no ativo, e de exigibilidade, no passivo.

  • Ativo circulante: disponibilidades e direitos realizáveis até o fim do exercício social seguinte, em regra 12 meses, ou dentro do ciclo operacional, quando este for maior.
  • Ativo não circulante: realizável a longo prazo, investimentos, imobilizado e intangível.
  • Passivo circulante: obrigações que vencem até o fim do exercício social seguinte.
  • Passivo não circulante: obrigações de longo prazo.
  • Patrimônio líquido: capital social, reservas de capital, ajustes de avaliação patrimonial, reservas de lucros, ações em tesouraria e prejuízos acumulados.
Imobilizado ou intangível? O imobilizado reúne bens corpóreos usados na atividade, como máquinas, veículos e imóveis de uso. O intangível reúne bens incorpóreos, como marcas, patentes e softwares. Imóveis mantidos para renda ou valorização, e não para uso, vão para investimentos, na forma de propriedades para investimento. Essa classificação é uma das mais cobradas.

O reconhecimento e a mensuração do imobilizado, apresentado no ativo não circulante, estão no guia de ativo imobilizado.

Demonstração do resultado do exercício

A DRE apresenta o resultado do período, seguindo o regime de competência. A estrutura básica é:

  1. Receita bruta de vendas e serviços;
  2. Deduções, como devoluções, abatimentos e tributos sobre vendas, chegando à receita líquida;
  3. Custo das mercadorias vendidas, dos produtos vendidos ou dos serviços prestados, chegando ao lucro bruto;
  4. Despesas operacionais, como as de vendas, administrativas e financeiras líquidas, e outras receitas e despesas;
  5. Resultado antes dos tributos sobre o lucro;
  6. Provisão para Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro;
  7. Participações e lucro ou prejuízo líquido do exercício.

O reconhecimento das receitas que aparecem na demonstração do resultado segue o modelo de cinco etapas do guia de reconhecimento de receita pelo CPC 47.

Demonstração dos fluxos de caixa e seus métodos

A DFC classifica as entradas e saídas de caixa e equivalentes de caixa em três grupos:

  • Atividades operacionais: ligadas às principais atividades geradoras de receita, como recebimentos de clientes e pagamentos a fornecedores e empregados.
  • Atividades de investimento: aquisição e venda de ativos de longo prazo, como imobilizado e investimentos.
  • Atividades de financiamento: relacionadas ao capital próprio e aos empréstimos, como captação de recursos, pagamento de empréstimos e distribuição de dividendos.

A DFC pode ser elaborada pelo método direto, que apresenta os principais grupos de recebimentos e pagamentos, ou pelo método indireto, que parte do lucro líquido e o ajusta pelos itens que não afetam o caixa, como a depreciação, e pelas variações do capital de giro.

O grupo do intangível no ativo não circulante, com as regras de pesquisa e desenvolvimento, está no guia de ativo intangível pelo CPC 04.

Demonstração do valor adicionado

A DVA mostra a riqueza gerada pela entidade no período e como ela foi distribuída entre os que contribuíram para a sua geração: empregados, governo, financiadores e acionistas, além da parcela retida. É obrigatória para as companhias abertas e tem uma perspectiva mais social e econômica do que a DRE.

Regime de competência e características

As demonstrações, exceto a DFC, são elaboradas pelo regime de competência, em que receitas e despesas são reconhecidas quando ocorrem, independentemente do recebimento ou do pagamento. A DFC segue o regime de caixa. As informações devem ter características qualitativas, como relevância e representação fidedigna, e ser comparáveis entre períodos, por isso as demonstrações são apresentadas com os valores do exercício anterior. O guia de noções de auditoria mostra como elas são verificadas.

Análise das demonstrações

As bancas também cobram índices calculados a partir das demonstrações. Os mais comuns são os de liquidez: a corrente, que divide o ativo circulante pelo passivo circulante; a seca, que exclui os estoques do ativo circulante; a imediata, que considera apenas as disponibilidades; e a geral, que soma o ativo circulante e o realizável a longo prazo e divide pelo passivo circulante e não circulante. Há também os índices de endividamento, que comparam capitais de terceiros e próprios, e de rentabilidade, como o retorno sobre o patrimônio líquido, que divide o lucro líquido pelo patrimônio líquido.

Aprovação e publicação

Nas sociedades anônimas, as demonstrações são apreciadas pela assembleia geral ordinária, que deve se realizar anualmente nos quatro primeiros meses seguintes ao término do exercício social, conforme o artigo 132 da Lei 6.404/1976. A assembleia toma as contas dos administradores, examina, discute e vota as demonstrações e delibera sobre a destinação do lucro líquido e a distribuição de dividendos.

Os índices de liquidez, endividamento e rentabilidade e os ciclos operacional e financeiro estão no guia de análise das demonstrações contábeis, e as reservas e o dividendo obrigatório, no de patrimônio líquido.

Como estudar

Comece pela estrutura do balanço e da DRE, que são a base de tudo, e treine a classificação de contas com exercícios. Depois, estude a DFC, com atenção à classificação das atividades e ao método indireto, e a DVA. Resolva questões com cálculos, porque as bancas de concursos fiscais costumam pedir a montagem de partes das demonstrações. O guia de concurso fiscal mostra o peso da Contabilidade nesses concursos.

Pequenas e médias empresas

As empresas de pequeno e médio porte que não são companhias abertas podem adotar um pronunciamento contábil simplificado, o CPC PME, com exigências de divulgação menores. Ainda assim, elaboram o balanço patrimonial, a demonstração do resultado e as demais demonstrações previstas nesse padrão. Nos concursos, o foco costuma estar nas regras da Lei 6.404/1976 e do CPC 26, aplicáveis às sociedades anônimas.

Na dúvida sobre a classificação de uma conta, pense na sua natureza e no prazo de realização.

Dois temas que afetam diretamente o balanço e o resultado têm guias próprios: depreciação, amortização e exaustão e provisões e contingências.

Os investimentos em coligadas e controladas, classificados no ativo não circulante, estão no guia de equivalência patrimonial.

Exemplos de como cai

Afirmação: "A demonstração do valor adicionado é obrigatória para todas as sociedades anônimas." Errado. É obrigatória para as companhias abertas.

Afirmação: "No método indireto da DFC, a depreciação é somada ao lucro líquido." Certo. Porque é uma despesa que não afeta o caixa.

Afirmação: "Marcas e patentes são classificadas no ativo imobilizado." Errado. São ativos intangíveis.

Resumo para revisar antes da prova

Balanço patrimonial, DLPA ou DMPL, DRE, DFC e, para companhias abertas, DVA, com notas explicativas; DFC dispensada para companhia fechada com patrimônio líquido inferior a R$ 2 milhões; ativo circulante e não circulante pelo critério de 12 meses ou do ciclo operacional; imobilizado corpóreo e intangível incorpóreo; DRE da receita bruta ao lucro líquido; DFC com atividades operacionais, de investimento e de financiamento, pelo método direto ou indireto; DVA com a distribuição da riqueza; e regime de competência, exceto na DFC.

Perguntas frequentes

Quais demonstrações a Lei 6.404/1976 exige?

Balanço patrimonial, demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados, demonstração do resultado do exercício, demonstração dos fluxos de caixa e, para as companhias abertas, demonstração do valor adicionado, complementadas por notas explicativas.

Qual a diferença entre ativo circulante e não circulante?

O ativo circulante reúne os bens e direitos realizáveis até o término do exercício social seguinte, em regra 12 meses, ou dentro do ciclo operacional, quando este for maior. O não circulante reúne o realizável a longo prazo, os investimentos, o imobilizado e o intangível.

Quais são as atividades da DFC?

A demonstração dos fluxos de caixa separa os fluxos em três grupos: atividades operacionais, de investimento e de financiamento, e pode ser elaborada pelo método direto ou indireto.

SOS Concursos
Equipe SOS Concursos

Conteúdo produzido e revisado pela equipe editorial da SOS Concursos, que acompanha concursos públicos desde 2006. Cada dado deste artigo foi conferido nas fontes listadas acima. Conheça nossa política editorial ou envie uma correção para contato@sosconcursos.com.br.