Atualizado em 25 de setembro de 2026.

A depreciação, a amortização e a exaustão registram, ao longo do tempo, a perda de valor dos ativos de longo prazo de uma entidade. São temas clássicos de Contabilidade Geral nos concursos fiscais, de controle e de estatais, com questões conceituais e de cálculo. A base está na Lei 6.404/1976 e no CPC 27, que trata do ativo imobilizado, além do CPC 04, sobre ativos intangíveis, e do CPC 01, sobre a redução ao valor recuperável. Este guia resume os pontos mais cobrados. As demonstrações em que esses valores aparecem estão no guia de demonstrações contábeis.

Depreciação, amortização e exaustão

FiguraAplica-se aExemplos
DepreciaçãoBens tangíveis do ativo imobilizado, pela perda de valor decorrente de uso, ação da natureza ou obsolescênciaMáquinas, veículos, móveis, computadores e edifícios
AmortizaçãoAtivos intangíveis com vida útil definidaSoftwares, licenças e direitos de uso por prazo determinado
ExaustãoRecursos minerais ou florestais, à medida que são exploradosMinas, jazidas e florestas destinadas ao corte

Os terrenos, em regra, não são depreciados, porque têm vida útil ilimitada, e devem ser contabilizados separadamente dos edifícios construídos sobre eles, que se depreciam. Os ativos intangíveis com vida útil indefinida, como o ágio por expectativa de rentabilidade futura, não são amortizados, mas submetidos ao teste de recuperabilidade ao menos anualmente.

Os elementos do cálculo da depreciação

  • Custo: o valor pelo qual o ativo foi reconhecido, incluindo gastos necessários para colocá-lo em condições de uso.
  • Valor residual: o valor estimado que a entidade obteria com a venda do ativo ao fim da vida útil, descontadas as despesas de venda.
  • Valor depreciável: o custo menos o valor residual.
  • Vida útil: o período durante o qual a entidade espera utilizar o ativo, ou o número de unidades de produção que espera obter dele.

O valor residual e a vida útil são estimativas e devem ser revisados pelo menos ao final de cada exercício. A depreciação começa quando o ativo está disponível para uso, ou seja, no local e nas condições de funcionamento pretendidas pela administração, e não na data da compra.

Métodos de depreciação mais cobrados

O método deve refletir o padrão de consumo dos benefícios econômicos do ativo. Os mais cobrados são:

  • Linear ou das quotas constantes: o valor depreciável é dividido igualmente pela vida útil. Exemplo: máquina de R$ 110.000, com valor residual de R$ 10.000 e vida útil de dez anos, tem depreciação anual de R$ 10.000.
  • Soma dos dígitos dos anos: somam-se os números dos anos de vida útil e aplica-se, a cada ano, uma fração. Para cinco anos, a soma é 15, e, no método decrescente, a depreciação do primeiro ano é de 5/15 do valor depreciável, a do segundo, de 4/15, e assim por diante.
  • Unidades produzidas ou horas trabalhadas: a depreciação é proporcional ao uso efetivo do ativo no período, dividindo-se o valor depreciável pela produção total estimada.
Não esqueça o valor residual: um erro comum nas questões de cálculo é depreciar o custo total, e não o valor depreciável. Primeiro, subtraia o valor residual do custo; depois, aplique o método. Também preste atenção à data de início do uso, porque, se o ativo entrou em funcionamento no meio do ano, a depreciação do primeiro exercício é proporcional aos meses de uso.

O lançamento contábil

A depreciação é registrada com um débito em despesa de depreciação, no resultado, ou em custo de produção, quando o ativo é usado na fábrica, e um crédito em depreciação acumulada, conta retificadora do ativo imobilizado. O valor contábil do bem é o custo menos a depreciação acumulada e as perdas por redução ao valor recuperável. Como a depreciação não envolve saída de caixa, ela é somada de volta ao lucro líquido no método indireto da demonstração dos fluxos de caixa.

O que integra o custo do imobilizado, os gastos subsequentes e a baixa estão no guia de ativo imobilizado.

Redução ao valor recuperável

Pelo CPC 01, a entidade deve verificar se há indícios de que um ativo está registrado por valor superior ao seu valor recuperável, que é o maior entre o valor justo líquido de despesas de venda e o valor em uso, este calculado pelo valor presente dos fluxos de caixa futuros esperados. Se o valor contábil for maior que o recuperável, reconhece-se uma perda, o chamado impairment, no resultado. Os ativos intangíveis de vida útil indefinida devem ser testados anualmente, mesmo sem indícios.

A amortização dos intangíveis de vida útil definida e a ausência de amortização dos de vida útil indefinida estão no guia de ativo intangível pelo CPC 04.

Venda e baixa do ativo imobilizado

Na venda de um bem do imobilizado, o ganho ou a perda é a diferença entre o valor obtido na venda e o valor contábil do bem, ou seja, o custo menos a depreciação acumulada. Se a máquina do exemplo, com custo de R$ 110.000 e depreciação acumulada de R$ 40.000, for vendida por R$ 80.000, há ganho de R$ 10.000, porque o valor contábil é de R$ 70.000. O resultado é registrado em outras receitas ou despesas.

Depreciação contábil e fiscal

A depreciação contábil segue a vida útil estimada pela entidade, enquanto a legislação do Imposto de Renda traz taxas anuais de referência para fins fiscais, como as usualmente citadas de 4% para edificações, 10% para máquinas e 20% para veículos e computadores. As duas podem ser diferentes, e os ajustes são feitos na apuração do lucro tributável. Nas provas de Contabilidade Geral, o foco costuma estar nas regras do CPC 27.

Exemplo completo da soma dos dígitos

Um equipamento custa R$ 60.000, sem valor residual, e tem vida útil de cinco anos. A soma dos dígitos é 1 + 2 + 3 + 4 + 5 = 15. No método decrescente, a depreciação é de 5/15 no primeiro ano, R$ 20.000; de 4/15 no segundo, R$ 16.000; de 3/15 no terceiro, R$ 12.000; de 2/15 no quarto, R$ 8.000; e de 1/15 no quinto, R$ 4.000, somando os R$ 60.000. No método crescente, a ordem se inverte, começando com 1/15. Pelo método linear, a depreciação seria de R$ 12.000 por ano.

Componentes significativos

Pelo CPC 27, cada componente de um item do imobilizado com custo significativo em relação ao custo total deve ser depreciado separadamente, quando tiver vida útil diferente. Em uma aeronave, por exemplo, a fuselagem e os motores podem ter vidas úteis distintas e ser depreciados de forma independente. A regra busca refletir com mais precisão o consumo dos benefícios econômicos de cada parte.

A depreciação do ativo de direito de uso nos arrendamentos está no guia de arrendamento pelo CPC 06.

Como estudar

Treine os cálculos com exercícios de cada método, sempre começando pelo valor depreciável, e revise os conceitos de vida útil, valor residual e valor recuperável. Depois, estude a venda de ativos e o impairment, que costumam aparecer combinados com a depreciação nas provas.

Com prática, os cálculos se tornam rápidos e garantem pontos preciosos na prova.

Revise os conceitos com frequência.

Exemplos de como cai

Afirmação: "Os terrenos devem ser depreciados pelo método linear." Errado. Terrenos, em regra, não são depreciados.

Afirmação: "A depreciação começa quando o ativo está disponível para uso." Certo. Não na data da compra.

Afirmação: "O intangível de vida útil indefinida é amortizado em dez anos." Errado. Ele não é amortizado, mas testado anualmente para impairment.

Resumo para revisar antes da prova

Depreciação para o imobilizado tangível, amortização para intangíveis de vida definida e exaustão para recursos naturais; terrenos não depreciam; intangível de vida indefinida não amortiza; valor depreciável igual ao custo menos o valor residual; início quando disponível para uso; métodos linear, soma dos dígitos e unidades produzidas; lançamento a débito de despesa e a crédito de depreciação acumulada; valor recuperável como o maior entre valor justo líquido e valor em uso; e ganho ou perda na venda pela diferença para o valor contábil.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre depreciação, amortização e exaustão?

A depreciação reduz o valor dos bens tangíveis do imobilizado pelo uso, pela ação da natureza ou pela obsolescência. A amortização reduz o valor dos ativos intangíveis com vida útil definida. A exaustão reduz o valor dos recursos minerais ou florestais explorados.

Terrenos são depreciados?

Não. Os terrenos, em regra, têm vida útil ilimitada e por isso não são depreciados. Os edifícios construídos sobre eles, sim, e devem ser contabilizados separadamente.

Como se calcula a depreciação linear?

Divide-se o valor depreciável, que é o custo do bem menos o valor residual, pela vida útil. Uma máquina de R$ 110 mil, com valor residual de R$ 10 mil e vida útil de dez anos, tem depreciação anual de R$ 10 mil.

SOS Concursos
Equipe SOS Concursos

Conteúdo produzido e revisado pela equipe editorial da SOS Concursos, que acompanha concursos públicos desde 2006. Cada dado deste artigo foi conferido nas fontes listadas acima. Conheça nossa política editorial ou envie uma correção para contato@sosconcursos.com.br.