Atualizado em 25 de setembro de 2026.

O método da equivalência patrimonial, o MEP, é a forma de avaliar os investimentos de uma empresa em outras sociedades nas quais tem influência significativa ou controle. É um dos temas mais cobrados de Contabilidade Avançada nos concursos fiscais, como os de auditor da Receita e das secretarias de fazenda, e em provas de controle e de estatais. As questões costumam pedir a classificação do investimento e os lançamentos do resultado e dos dividendos. Este guia resume os pontos mais cobrados. As demonstrações em que esses valores aparecem estão no guia de demonstrações contábeis.

Coligadas, controladas e outros investimentos

Tipo de investimentoCaracterísticaAvaliação
ControladaA investidora tem o controle, ou seja, preponderância nas deliberações e poder de eleger a maioria dos administradoresEquivalência patrimonial nas demonstrações individuais e consolidação
ColigadaA investidora tem influência significativa, sem controlarEquivalência patrimonial
Empreendimento controlado em conjuntoO controle é compartilhado por acordo entre as partesEquivalência patrimonial
Outras participaçõesSem influência significativa nem controleValor justo ou custo, conforme as normas de instrumentos financeiros

Pela Lei 6.404/1976, há influência significativa quando a investidora detém ou exerce o poder de participar nas decisões das políticas financeira ou operacional da investida, sem controlá-la, e ela é presumida quando a investidora for titular de 20% ou mais do capital votante da investida, sem controlá-la. A presunção admite prova em contrário, e a influência pode existir com participação menor, por exemplo, quando a investidora tem representante no conselho de administração.

Como funciona o método da equivalência

No método da equivalência patrimonial, o investimento é inicialmente reconhecido pelo custo e, depois, ajustado para refletir a participação da investidora nas variações do patrimônio líquido da investida. Assim:

  • Quando a investida apura lucro, a investidora aumenta o investimento e reconhece uma receita de equivalência patrimonial, na proporção da sua participação.
  • Quando a investida apura prejuízo, a investidora reduz o investimento e reconhece uma despesa de equivalência.
  • Quando a investida distribui dividendos, a investidora reduz o investimento e registra o valor a receber ou o dinheiro recebido, sem reconhecer receita.
  • Outras variações do patrimônio líquido da investida, como os ajustes de avaliação patrimonial, são reconhecidas de forma reflexa no patrimônio líquido da investidora.

Exemplo resolvido

A empresa A adquiriu 30% do capital votante da empresa B por R$ 300.000, valor igual à sua participação no patrimônio líquido de B. No ano, B apurou lucro de R$ 100.000 e distribuiu dividendos de R$ 40.000. Na contabilidade de A:

  1. Pelo lucro de B: débito em investimentos e crédito em receita de equivalência patrimonial, de R$ 30.000, que é 30% de R$ 100.000.
  2. Pelos dividendos: débito em dividendos a receber ou caixa e crédito em investimentos, de R$ 12.000, que é 30% de R$ 40.000.

Ao final, o investimento passa a valer 300.000 + 30.000 − 12.000 = R$ 318.000, e o resultado de A registra receita de equivalência de R$ 30.000.

Dividendo não é receita no MEP: é a pegadinha mais cobrada. Pelo método da equivalência, o lucro da investida já foi reconhecido como receita quando apurado; se o dividendo também fosse receita, o mesmo lucro seria contado duas vezes. Por isso, o dividendo apenas reduz o investimento. Já no método de custo, usado para outros investimentos, o dividendo é reconhecido como receita.

Mais-valia e ágio por rentabilidade futura

Quando a investidora paga pela participação um valor maior que a sua parte no patrimônio líquido contábil da investida, a diferença é desdobrada em mais-valia, que corresponde à diferença entre o valor justo e o valor contábil dos ativos líquidos da investida, e ágio por expectativa de rentabilidade futura, o goodwill, que é o valor remanescente. A mais-valia é realizada conforme os ativos que a originaram são depreciados, amortizados ou baixados, e o goodwill não é amortizado, mas testado para redução ao valor recuperável. Se o preço pago for menor que o valor justo dos ativos líquidos, há ganho por compra vantajosa, reconhecido no resultado.

Lucros não realizados

Na aplicação do método, eliminam-se os lucros não realizados decorrentes de transações entre a investidora e a investida, como a venda de mercadorias que ainda estão no estoque da compradora no fim do período. A lógica é que o lucro só deve ser reconhecido quando a mercadoria for vendida a terceiros, fora do grupo. As bancas cobram esse ajuste com frequência nas provas mais aprofundadas.

Noções de consolidação

A controladora deve apresentar, além das demonstrações individuais, as demonstrações consolidadas, que apresentam o grupo econômico como se fosse uma única entidade. Na consolidação, somam-se os saldos da controladora e das controladas, eliminam-se as participações de uma empresa no capital da outra, os saldos de contas a receber e a pagar entre elas e os resultados de transações internas, e destaca-se a participação dos não controladores, que é a parte do patrimônio líquido e do resultado das controladas que pertence a outros sócios.

Método de custo e valor justo

Os investimentos sem influência significativa nem controle, como pequenas participações em ações, seguem as normas de instrumentos financeiros, sendo avaliados, em regra, pelo valor justo, com as variações reconhecidas no resultado ou em outros resultados abrangentes, conforme a classificação. No método de custo, o investimento permanece pelo valor pago, sujeito ao teste de perda, e os dividendos recebidos são reconhecidos como receita. A comparação entre o método de custo e o de equivalência é muito cobrada.

Aumento e perda de influência

Quando a participação muda, o tratamento contábil também muda. Se a investidora adquire mais ações e passa a ter influência significativa, o investimento passa a ser avaliado pela equivalência patrimonial. Se perde a influência significativa, deixa de aplicar o método e passa a avaliar a participação remanescente pelo valor justo, reconhecendo no resultado a diferença. Essas mudanças são tratadas em detalhe nos pronunciamentos contábeis.

Resultado de equivalência e tributação

O resultado positivo de equivalência patrimonial aumenta o lucro contábil da investidora, mas, para fins de apuração do Imposto de Renda pelo lucro real, é excluído, e o resultado negativo é adicionado, porque o lucro da investida já foi tributado na própria investida. Essa relação entre contabilidade e tributação aparece em provas de auditor fiscal da Receita e das secretarias de fazenda, tema do guia de concurso fiscal.

O ágio gerado internamente não é reconhecido, e os intangíveis adquiridos seguem as regras do guia de ativo intangível pelo CPC 04.

Como estudar

Treine os lançamentos do lucro, do prejuízo e dos dividendos com exercícios numéricos, porque as questões costumam pedir o saldo do investimento ao final do período. Memorize os critérios de classificação dos investimentos e o tratamento da mais-valia e do goodwill.

Nas provas de auditor fiscal, é comum a banca combinar vários eventos em uma mesma questão, como aquisição com mais-valia, lucro, dividendos e venda de mercadorias entre as empresas, por isso organize os cálculos em etapas.

Exemplos de como cai

Afirmação: "Pelo método da equivalência patrimonial, os dividendos recebidos da coligada são reconhecidos como receita." Errado. Eles reduzem o investimento.

Afirmação: "Presume-se a influência significativa quando a investidora detém 20% ou mais do capital votante, sem controlar a investida." Certo. É a regra da Lei 6.404/1976.

Afirmação: "O ágio por expectativa de rentabilidade futura é amortizado em dez anos." Errado. Não é amortizado, mas testado para redução ao valor recuperável.

Resumo para revisar antes da prova

Controladas, coligadas e empreendimentos controlados em conjunto avaliados pela equivalência patrimonial; outras participações pelo valor justo ou pelo custo; influência significativa presumida com 20% ou mais do capital votante, sem controle; investimento ajustado pela participação no lucro ou no prejuízo da investida; dividendos reduzem o investimento, sem receita; variações reflexas no patrimônio líquido; mais-valia e goodwill, este sem amortização; compra vantajosa como ganho; eliminação de lucros não realizados; e consolidação com participação dos não controladores.

Perguntas frequentes

Quando se aplica o método da equivalência patrimonial?

Nos investimentos em coligadas, em controladas e em empreendimentos controlados em conjunto, conforme a Lei 6.404/1976 e o CPC 18.

O que caracteriza uma coligada?

A coligada é a sociedade na qual a investidora tem influência significativa, sem controlá-la. Presume-se a influência significativa quando a investidora é titular de 20% ou mais do capital votante da investida, sem controlá-la.

Os dividendos recebidos de coligada são receita pelo método da equivalência?

Não. No método da equivalência patrimonial, os dividendos recebidos reduzem o valor do investimento, porque o lucro da investida já foi reconhecido como resultado da investidora quando apurado.

SOS Concursos
Equipe SOS Concursos

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