Atualizado em 25 de setembro de 2026.

A contabilidade de custos trata da apuração dos custos de produtos e serviços e do uso dessas informações para decisões gerenciais, como a formação de preços e a análise de lucratividade. É cobrada em concursos fiscais, de controle e de estatais, com questões conceituais e de cálculo, principalmente sobre métodos de custeio, margem de contribuição e ponto de equilíbrio. Este guia resume os pontos mais cobrados. As operações das empresas comerciais estão no guia de operações com mercadorias.

A terminologia básica

TermoSignificadoExemplo
GastoSacrifício financeiro para obter um bem ou serviço, representado por entrega ou promessa de ativosCompra de matéria-prima
InvestimentoGasto ativado em função de sua vida útil ou de benefícios futurosCompra de uma máquina
CustoGasto relativo a bem ou serviço utilizado na produçãoMatéria-prima consumida na fábrica
DespesaGasto consumido direta ou indiretamente para a obtenção de receitas, fora da produçãoSalário do vendedor e comissões
PerdaConsumo anormal e involuntário de bensEstoque destruído por incêndio
DesembolsoPagamento resultante da aquisição de bem ou serviçoPagamento ao fornecedor

A regra prática: o que ocorre dentro da fábrica, ligado à produção, é custo; o que ocorre na administração e nas vendas é despesa.

Classificações dos custos

  • Diretos: podem ser apropriados diretamente aos produtos, com medida objetiva de consumo, como a matéria-prima e a mão de obra direta.
  • Indiretos: não podem ser identificados diretamente com cada produto e dependem de critérios de rateio, como o aluguel da fábrica, a energia e a supervisão. São os chamados custos indiretos de fabricação.
  • Fixos: não variam com o volume produzido, dentro de certo intervalo, como o aluguel da fábrica. O custo fixo total é constante, mas o custo fixo por unidade diminui quando a produção aumenta.
  • Variáveis: variam na proporção do volume produzido, como a matéria-prima. O custo variável total aumenta com a produção, mas o custo variável por unidade é constante.
Por unidade e no total: esta é a pegadinha mais comum. O custo fixo é fixo no total e variável por unidade; o custo variável é variável no total e fixo por unidade. Quando a produção dobra, o custo fixo total não muda, mas o custo fixo por unidade cai pela metade.

O custo da produção

O custo de produção do período é a soma dos materiais diretos, da mão de obra direta e dos custos indiretos de fabricação. A partir dele, calcula-se o custo da produção acabada, considerando os estoques de produtos em elaboração, e o custo dos produtos vendidos, considerando os estoques de produtos acabados:

  • Custo da produção acabada = estoque inicial de produtos em elaboração + custo de produção do período − estoque final de produtos em elaboração;
  • Custo dos produtos vendidos = estoque inicial de produtos acabados + custo da produção acabada − estoque final de produtos acabados.

Métodos de custeio: absorção, variável e ABC

  • Custeio por absorção: todos os custos de produção, diretos e indiretos, fixos e variáveis, são apropriados aos produtos, e as despesas vão para o resultado. É o método aceito pela legislação societária e fiscal e pelo CPC 16.
  • Custeio variável ou direto: apenas os custos variáveis são apropriados aos produtos, e os custos fixos são tratados como despesas do período. É um método gerencial, útil para decisões, mas não aceito para as demonstrações oficiais.
  • Custeio baseado em atividades, o ABC: os custos indiretos são atribuídos às atividades e, delas, aos produtos, com base em direcionadores de custos, reduzindo as distorções dos rateios arbitrários.

No custeio por absorção, parte dos custos fixos fica no estoque dos produtos não vendidos. Por isso, quando a produção é maior que as vendas, o lucro pelo absorção tende a ser maior que pelo variável.

Margem de contribuição unitária e total

A margem de contribuição unitária é a diferença entre o preço de venda e os custos e as despesas variáveis de cada unidade. Ela mostra quanto cada unidade vendida contribui para cobrir os custos e as despesas fixos e, depois, gerar lucro. Em decisões de curto prazo, como qual produto incentivar, a margem de contribuição costuma ser mais útil que o lucro por unidade calculado pelo custeio por absorção, porque não depende de rateios.

Pontos de equilíbrio

  • Contábil: quantidade em que o lucro é zero. Ponto de equilíbrio contábil = custos e despesas fixos ÷ margem de contribuição unitária.
  • Econômico: considera, além dos custos fixos, o lucro desejado ou o custo de oportunidade do capital, que é somado aos custos fixos no numerador.
  • Financeiro: considera apenas os custos fixos que representam desembolso, excluindo do numerador itens que não afetam o caixa, como a depreciação.

Exemplo: uma empresa tem custos e despesas fixos de R$ 100.000, vende cada unidade por R$ 50 e tem custos e despesas variáveis de R$ 30 por unidade. A margem de contribuição unitária é de R$ 20, e o ponto de equilíbrio contábil é de 100.000 ÷ 20 = 5.000 unidades. Se a empresa deseja lucro de R$ 40.000, precisa vender 140.000 ÷ 20 = 7.000 unidades.

Margem de segurança em unidades e em percentual

A margem de segurança indica quanto as vendas podem cair antes de a empresa entrar em prejuízo. Pode ser expressa em unidades, pela diferença entre as vendas atuais e o ponto de equilíbrio, ou em percentual, dividindo essa diferença pelas vendas atuais. No exemplo, se a empresa vende 8.000 unidades, a margem de segurança é de 3.000 unidades, ou 37,5%.

Departamentalização e rateio

Para distribuir os custos indiretos de forma mais adequada, muitas empresas dividem a fábrica em departamentos ou centros de custos, como os produtivos, que trabalham diretamente nos produtos, e os de serviços, que apoiam a produção, como manutenção e almoxarifado. Os custos dos departamentos de serviços são rateados aos produtivos e, destes, aos produtos, usando bases como horas-máquina, horas de mão de obra ou área ocupada. A escolha da base influencia o custo final de cada produto.

Custo-padrão

O custo-padrão é um custo estimado, calculado com base em condições normais ou ideais de produção, usado como referência para controle. Ao comparar o custo real com o padrão, a empresa identifica variações de preço e de quantidade nos materiais, na mão de obra e nos custos indiretos, e investiga as causas. O custo-padrão não substitui o custo real nas demonstrações, mas é uma ferramenta gerencial importante.

Como estudar

Memorize a terminologia e as classificações, que respondem às questões conceituais, e treine os cálculos de custo de produção, margem de contribuição e ponto de equilíbrio com muitos exercícios. As bancas costumam combinar vários conceitos em uma só questão, por isso organize os dados antes de calcular.

Exemplos de como cai

Afirmação: "O custo fixo por unidade permanece constante quando a produção aumenta." Errado. O custo fixo total é que permanece constante; por unidade, ele diminui.

Afirmação: "O custeio variável é aceito para fins de apuração do lucro tributável." Errado. O método aceito é o custeio por absorção.

Afirmação: "O ponto de equilíbrio financeiro exclui a depreciação dos custos fixos." Certo. Porque a depreciação não representa desembolso.

Resumo para revisar antes da prova

Gasto, investimento, custo, despesa, perda e desembolso; custos diretos e indiretos, com rateio dos indiretos; fixos constantes no total e variáveis por unidade, e variáveis ao contrário; custo da produção acabada e dos produtos vendidos pelas fórmulas; absorção aceito pela legislação, variável gerencial e ABC por atividades; margem de contribuição igual ao preço menos os variáveis; ponto de equilíbrio contábil, econômico e financeiro; e margem de segurança em unidades ou percentual.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre custeio por absorção e custeio variável?

No custeio por absorção, todos os custos de produção, fixos e variáveis, são apropriados aos produtos; é o método aceito pela legislação societária e fiscal. No custeio variável, só os custos variáveis vão para os produtos, e os fixos são tratados como despesas do período; é usado para decisões gerenciais.

Como se calcula o ponto de equilíbrio contábil?

Dividindo os custos e as despesas fixos pela margem de contribuição unitária. Com custos fixos de R$ 100 mil, preço de R$ 50 e custo variável de R$ 30 por unidade, a margem é de R$ 20, e o ponto de equilíbrio é de 5 mil unidades.

O que é margem de contribuição?

É a diferença entre o preço de venda e os custos e as despesas variáveis de cada unidade. Ela indica quanto cada produto contribui para cobrir os custos fixos e gerar lucro.

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Equipe SOS Concursos

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