Atualizado em 25 de setembro de 2026.

As operações com mercadorias são um dos temas mais cobrados em Contabilidade Geral, principalmente nos concursos fiscais, em que as questões costumam pedir o cálculo do custo das mercadorias vendidas, o tratamento dos tributos na compra e na venda e os efeitos de fretes, devoluções e descontos. O tema combina conceitos de estoques, do CPC 16, com regras tributárias. Este guia resume os pontos mais cobrados. Os fundamentos estão no guia de contabilidade básica.

O custo das mercadorias vendidas e o lucro bruto

O CMV é o custo das mercadorias que saíram do estoque por venda no período. No inventário periódico, é calculado pela fórmula:

CMV = estoque inicial + compras líquidas − estoque final

O resultado com mercadorias, ou lucro bruto, é a diferença entre a receita líquida de vendas e o CMV. Exemplo: uma empresa tinha estoque inicial de R$ 20.000, comprou R$ 80.000 em mercadorias e terminou o período com estoque final de R$ 30.000. O CMV é 20.000 + 80.000 − 30.000 = R$ 70.000. Se a receita líquida foi de R$ 110.000, o lucro bruto é de R$ 40.000.

Inventário periódico e permanente

  • Inventário periódico: o estoque é apurado por contagem física ao fim do período, e o CMV é calculado pela fórmula. As compras são registradas em conta própria durante o período.
  • Inventário permanente: o estoque é atualizado a cada entrada e saída, e o CMV é apurado a cada venda, com base em um critério de avaliação, como o custo médio ponderado ou o PEPS, primeiro que entra, primeiro que sai.

O UEPS, último que entra, primeiro que sai, não é permitido pelo CPC 16 nem aceito pela legislação fiscal brasileira. Os critérios de avaliação também aparecem no guia de administração de materiais, sob a ótica da gestão de estoques.

O custo de aquisição

Pelo CPC 16, o custo de aquisição dos estoques compreende o preço de compra, os tributos não recuperáveis, os custos de transporte, seguro e manuseio e outros diretamente atribuíveis à aquisição, deduzidos os descontos comerciais, abatimentos e outros itens semelhantes. Na prática:

  • Frete e seguro pagos pelo comprador: integram o custo da mercadoria.
  • Tributos recuperáveis: não integram o custo; são registrados como impostos a recuperar, no ativo.
  • Tributos não recuperáveis: integram o custo.
  • Descontos incondicionais, concedidos na nota fiscal: reduzem o custo.
  • Descontos condicionais ou financeiros, por pagamento antecipado: não reduzem o custo; são receita financeira.

Tributos recuperáveis na compra

Na empresa contribuinte do ICMS, o imposto pago na compra de mercadorias para revenda é recuperável: ele é compensado com o ICMS devido nas vendas, pela não cumulatividade. Por isso, é registrado a débito de ICMS a recuperar, no ativo, e não como custo. Exemplo: compra de mercadorias por R$ 10.000, com ICMS de 18% incluso, ou seja, R$ 1.800. O estoque é registrado por R$ 8.200, e o ICMS a recuperar por R$ 1.800. O IPI, quando a empresa comercial não é contribuinte desse imposto, integra o custo, por ser não recuperável. A não cumulatividade do ICMS está no guia de impostos estaduais.

Recuperável ou não? A pergunta decisiva nas questões é se a empresa pode compensar o tributo. Se pode, ele sai do custo e vai para o ativo. Se não pode, ele entra no custo. Com a reforma tributária, a lógica da não cumulatividade ampla do IBS e da CBS tende a tornar recuperável a maior parte dos tributos sobre bens e serviços pagos na aquisição.

Tributos e deduções na venda

Na venda, o ICMS incidente sobre a operação é uma dedução da receita bruta, e o valor devido é compensado com o ICMS a recuperar das compras. Também deduzem a receita bruta as devoluções de vendas e os abatimentos concedidos. A estrutura é: receita bruta, menos devoluções, abatimentos, descontos incondicionais e tributos sobre vendas, igual a receita líquida. O guia de demonstrações contábeis mostra onde esses valores aparecem na DRE.

Devoluções e abatimentos nas compras e nas vendas

  • Devolução de compras: reduz o valor das compras e, proporcionalmente, o tributo a recuperar correspondente.
  • Abatimento sobre compras: redução no preço concedida pelo fornecedor, geralmente por defeito ou atraso, sem devolução da mercadoria; reduz o custo.
  • Devolução de vendas: é dedução da receita bruta e implica o retorno da mercadoria ao estoque, com o estorno do CMV correspondente e do tributo sobre a venda.

Compras líquidas

As compras líquidas, usadas na fórmula do CMV, correspondem às compras brutas mais os fretes e seguros pagos pelo comprador, menos os tributos recuperáveis, as devoluções de compras, os abatimentos e os descontos incondicionais obtidos. Muitas questões fornecem todos esses valores separadamente e pedem o CMV, por isso vale treinar a montagem passo a passo.

Os lançamentos contábeis

No inventário permanente, usando o exemplo da compra de R$ 10.000 com ICMS de R$ 1.800:

  • Compra a prazo: débito em mercadorias, R$ 8.200; débito em ICMS a recuperar, R$ 1.800; crédito em fornecedores, R$ 10.000.
  • Venda a prazo por R$ 15.000, com ICMS de 18%: débito em clientes e crédito em receita de vendas, R$ 15.000; débito em ICMS sobre vendas, conta redutora da receita, e crédito em ICMS a recolher, R$ 2.700.
  • Baixa do estoque vendido: débito em CMV e crédito em mercadorias, R$ 8.200.
  • Apuração do ICMS: o ICMS a recolher de R$ 2.700 é compensado com o ICMS a recuperar de R$ 1.800, e a empresa recolhe R$ 900.

No exemplo, a receita líquida é de R$ 12.300, R$ 15.000 menos R$ 2.700, e o lucro bruto é de R$ 4.100, R$ 12.300 menos R$ 8.200.

Valor realizável líquido

Pelo CPC 16, os estoques devem ser mensurados pelo menor valor entre o custo e o valor realizável líquido, que é o preço de venda estimado menos os custos estimados para concluir e vender o bem. Se a mercadoria se deteriorou ou o preço de mercado caiu, a entidade reconhece uma perda estimada, reduzindo o valor do estoque. A regra reflete a prudência na avaliação dos ativos.

Os critérios para reconhecer a receita de vendas, inclusive nas vendas com direito de devolução e em consignação, estão no guia de reconhecimento de receita pelo CPC 47.

Como estudar

Treine a fórmula do CMV com muitos exercícios, montando as compras líquidas passo a passo, e pratique os lançamentos da compra, da venda e da apuração do ICMS. Depois, revise os critérios de avaliação de estoques e o valor realizável líquido. Nas provas de concursos fiscais, as questões costumam trazer vários ajustes juntos, por isso a organização do cálculo faz diferença.

Empresas de serviços e indústrias

A mesma lógica se aplica, com adaptações, às empresas prestadoras de serviços, que apuram o custo dos serviços prestados, e às indústrias, que apuram o custo dos produtos vendidos a partir dos custos de produção, com materiais, mão de obra e custos indiretos de fabricação. Nas provas de Contabilidade Geral, o foco costuma estar nas empresas comerciais, tema deste guia.

A apuração dos custos nas indústrias, com os métodos de custeio e o ponto de equilíbrio, está no guia de contabilidade de custos.

Exemplos de como cai

Afirmação: "O frete pago pelo comprador na aquisição de mercadorias para revenda é despesa de vendas." Errado. Integra o custo de aquisição.

Afirmação: "O ICMS recuperável pago na compra de mercadorias não integra o custo do estoque." Certo. É registrado como imposto a recuperar.

Afirmação: "O desconto obtido por pagamento antecipado reduz o custo da mercadoria." Errado. É receita financeira.

Resumo para revisar antes da prova

CMV igual a estoque inicial mais compras líquidas menos estoque final; lucro bruto igual à receita líquida menos o CMV; inventário periódico por contagem e permanente a cada movimento; UEPS vedado; custo com preço, fretes, seguros e tributos não recuperáveis, menos descontos comerciais e abatimentos; ICMS recuperável no ativo; desconto financeiro como receita financeira; tributos sobre vendas, devoluções e abatimentos como deduções da receita bruta; e compras líquidas montadas passo a passo.

Perguntas frequentes

Qual a fórmula do custo das mercadorias vendidas?

No inventário periódico, CMV = estoque inicial + compras líquidas − estoque final. As compras líquidas consideram os fretes e seguros pagos pelo comprador e descontam os tributos recuperáveis, as devoluções, os abatimentos e os descontos incondicionais.

O ICMS da compra entra no custo da mercadoria?

Quando é recuperável, não. A empresa contribuinte que pode compensar o ICMS pago na compra com o ICMS devido na venda registra esse valor como imposto a recuperar, no ativo, e não como parte do custo do estoque.

O desconto financeiro reduz o custo da mercadoria?

Não. O desconto financeiro, ou condicional, obtido por pagamento antecipado, é receita financeira. Já o desconto comercial, ou incondicional, concedido na própria nota fiscal, reduz o custo da compra.

SOS Concursos
Equipe SOS Concursos

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