Atualizado em 25 de setembro de 2026.
Administração de recursos materiais e patrimoniais é matéria cobrada em concursos de técnico e analista administrativo, de órgãos públicos com grande estrutura de compras e almoxarifado e de algumas estatais. O conteúdo trata do ciclo dos materiais nas organizações: classificação, compras, controle de estoques, armazenagem, distribuição e gestão do patrimônio. Este guia resume os temas mais cobrados.
Classificação de materiais
Classificar os materiais facilita o controle e a gestão. As bancas cobram os atributos de uma boa classificação, que deve ser abrangente, flexível e prática, e os principais critérios:
- Por tipo de demanda: materiais de estoque, com consumo regular, e materiais não de estoque, adquiridos para uso imediato.
- Por aplicação: materiais de consumo e materiais permanentes, distinção importante na gestão pública.
- Por valor de consumo: a curva ABC.
- Por importância operacional: a classificação XYZ, que considera o impacto da falta do item nas atividades, com os itens Z como os mais críticos.
- Por perecibilidade e periculosidade: que orientam a armazenagem e o manuseio.
A curva ABC
A curva ABC classifica os itens pelo valor de consumo, aplicando o princípio de Pareto: poucos itens concentram a maior parte do valor. Em geral:
| Classe | Participação no número de itens | Participação no valor | Controle |
|---|---|---|---|
| A | Pequena | Grande | Rigoroso |
| B | Intermediária | Intermediária | Moderado |
| C | Grande | Pequena | Simplificado |
Os percentuais variam conforme a organização e o autor, mas a lógica é sempre a mesma: os itens A merecem mais atenção, com compras mais frequentes e estoques menores, e os itens C podem ter controles mais simples.
Controle de estoques
O objetivo do controle de estoques é equilibrar dois riscos: a falta de material, que interrompe as atividades, e o excesso, que imobiliza recursos e aumenta os custos de armazenagem. Os conceitos mais cobrados são:
- Estoque de segurança ou mínimo: a quantidade reservada para cobrir variações no consumo ou atrasos na entrega.
- Tempo de reposição: o intervalo entre a emissão do pedido e a chegada do material, disponível para uso.
- Ponto de pedido: o nível de estoque que indica o momento de fazer um novo pedido, calculado, na forma mais comum, pelo consumo médio multiplicado pelo tempo de reposição, mais o estoque de segurança.
- Estoque máximo: o estoque de segurança somado ao lote de compra.
- Giro de estoque: quantas vezes o estoque se renova em um período, calculado pela relação entre o consumo e o estoque médio.
- Lote econômico de compra: a quantidade que minimiza a soma dos custos de pedido e de armazenagem.
Métodos de avaliação de estoques
- PEPS, ou primeiro a entrar, primeiro a sair: as saídas são avaliadas pelos custos mais antigos, e o estoque final fica com os custos mais recentes.
- UEPS, ou último a entrar, primeiro a sair: as saídas são avaliadas pelos custos mais recentes. Não é aceito pela legislação fiscal brasileira.
- Custo médio ponderado: as saídas são avaliadas pelo custo médio, recalculado a cada entrada. É o método mais usado no setor público.
Em um cenário de preços em alta, o PEPS resulta em estoque final maior e custo das saídas menor, e o UEPS, o contrário. O tema também aparece em Contabilidade, no guia de contabilidade básica.
Armazenagem e inventário
A armazenagem deve garantir a conservação, a segurança e o acesso rápido aos materiais, com critérios como a rotatividade, que coloca os itens de maior giro nos locais de acesso mais fácil, a similaridade, o peso e o volume, e a separação dos materiais perigosos e perecíveis. O inventário confere as quantidades físicas com os registros e pode ser periódico, feito em datas determinadas, em geral no fim do exercício, ou rotativo, feito continuamente, por grupos de itens, ao longo do ano.
Compras no setor público
No setor público, as compras seguem as regras de licitação da Lei 14.133/2021, com planejamento das contratações, pesquisa de preços e, conforme o caso, contratação direta por dispensa ou inexigibilidade. Os guias de licitações e de dispensa e inexigibilidade trazem as regras e os valores de 2026.
Gestão patrimonial
A gestão patrimonial cuida dos bens permanentes da organização, desde a entrada até a baixa. As etapas mais cobradas são o tombamento, que registra o bem no patrimônio, com número de identificação; a carga patrimonial, que atribui a responsabilidade pela guarda do bem a um servidor ou setor; a movimentação e a transferência; o inventário; e o desfazimento, que dá destino aos bens ociosos, antieconômicos ou irrecuperáveis. Na esfera federal, o Decreto 9.373/2018 regula a alienação, a cessão, a transferência, a destinação e a disposição final dos bens móveis. Os bens públicos em geral estão no guia de bens públicos.
Material de consumo e material permanente
Na gestão pública, a Lei 4.320/1964 considera material permanente aquele de duração superior a dois anos. Os materiais de consumo, como papel e produtos de limpeza, perdem suas características com o uso ou têm durabilidade limitada, e são controlados pelo almoxarifado. Os materiais permanentes, como móveis, computadores e veículos, são tombados e controlados pelo setor de patrimônio. A distinção tem consequências orçamentárias e contábeis, tratadas nos guias de receita e despesa pública e de orçamento público.
Recebimento de materiais
O recebimento confere se o material entregue corresponde ao que foi contratado, em quantidade e qualidade. Nas contratações públicas, a Lei 14.133/2021 prevê o recebimento provisório, feito para posterior verificação da conformidade, e o recebimento definitivo, depois da verificação de que o material atende às exigências do contrato. O recebimento provisório não significa aceitação, e o definitivo não afasta a responsabilidade do fornecedor por vícios ocultos, nos limites da lei e do contrato.
Distribuição e logística
Depois da armazenagem, os materiais são distribuídos aos setores que os utilizam, conforme as requisições. Uma boa distribuição busca entregar o material certo, na quantidade certa, no local e no momento certos, com o menor custo possível. Conceitos de logística, como a gestão da cadeia de suprimentos e o sistema just in time, que busca reduzir os estoques ao mínimo, também aparecem nas provas.
Exemplos de como cai
Afirmação: "Na curva ABC, os itens da classe C são poucos e representam a maior parte do valor." Errado. Essa é a característica da classe A; a classe C tem muitos itens e pouco valor.
Afirmação: "O inventário rotativo é feito continuamente, por grupos de itens." Certo. O periódico é feito em datas determinadas.
Afirmação: "Com preços em alta, o PEPS resulta em custo das saídas maior que o UEPS." Errado. O PEPS usa os custos mais antigos, que são menores em um cenário de alta.
Como cai nas provas
As bancas cobram principalmente a curva ABC, o cálculo do ponto de pedido e do estoque máximo, os métodos de avaliação de estoques e seus efeitos, os tipos de inventário, os critérios de armazenagem e as etapas da gestão patrimonial. Os cálculos costumam ser simples, mas exigem atenção às fórmulas, por isso vale treinar com questões.
Resumo para revisar antes da prova
Classificação abrangente, flexível e prática; curva ABC com poucos itens A de grande valor; ponto de pedido igual ao consumo médio vezes o tempo de reposição, mais o estoque de segurança; estoque máximo igual ao estoque de segurança mais o lote de compra; PEPS, UEPS, não aceito no Brasil, e custo médio; inventário periódico e rotativo; e tombamento, carga patrimonial e desfazimento na gestão do patrimônio.
Perguntas frequentes
O que é a curva ABC?
É a classificação dos itens de estoque pelo valor que representam. Os itens A são poucos, mas concentram a maior parte do valor e exigem controle rigoroso; os itens C são muitos, com pouco valor; e os itens B ficam em posição intermediária.
Como se calcula o ponto de pedido?
Em sua forma mais comum, o ponto de pedido é igual ao consumo médio multiplicado pelo tempo de reposição, somado ao estoque de segurança. Quando o estoque atinge esse nível, deve ser feito um novo pedido.
Qual a diferença entre PEPS e UEPS?
No PEPS, o primeiro que entra é o primeiro que sai, e as saídas são avaliadas pelos custos mais antigos. No UEPS, o último que entra é o primeiro que sai, com as saídas avaliadas pelos custos mais recentes. O UEPS não é aceito pela legislação fiscal brasileira.


