Atualizado em 25 de setembro de 2026.
As teorias da aprendizagem explicam como as pessoas aprendem e se desenvolvem, e são a base dos conhecimentos pedagógicos cobrados nos concursos para professor e para cargos técnicos da educação, como pedagogos e coordenadores. As bancas costumam associar autores a conceitos, como Vygotsky à zona de desenvolvimento proximal e Piaget aos estágios do desenvolvimento, e cobrar as tendências pedagógicas. Este guia resume os pontos mais cobrados. A organização curricular está no guia da BNCC.
Comportamentalismo
O comportamentalismo, ou behaviorismo, entende a aprendizagem como mudança observável de comportamento, provocada por estímulos do ambiente. Burrhus Skinner desenvolveu o condicionamento operante, em que o comportamento é moldado por suas consequências: o reforço, positivo ou negativo, aumenta a probabilidade de o comportamento se repetir, e a punição a diminui. Na escola, essa visão se reflete em práticas como a instrução programada, a repetição e as recompensas, e é associada à tendência tecnicista.
Piaget e a epistemologia genética
Para Jean Piaget, o conhecimento é construído pelo sujeito na interação com o meio, na perspectiva chamada de construtivismo. O desenvolvimento ocorre por assimilação, quando a pessoa incorpora novas informações aos esquemas que já possui, e acomodação, quando modifica os esquemas para dar conta do novo, em busca de equilibração. Piaget descreveu quatro estágios do desenvolvimento cognitivo:
| Estágio | Idade aproximada | Características |
|---|---|---|
| Sensório-motor | Do nascimento a 2 anos | Inteligência prática, ligada aos sentidos e aos movimentos; noção de permanência do objeto |
| Pré-operatório | De 2 a 7 anos | Surgimento da linguagem e da função simbólica; egocentrismo |
| Operatório concreto | De 7 a 11 ou 12 anos | Raciocínio lógico sobre objetos concretos; noção de conservação e reversibilidade |
| Operatório formal | A partir de 11 ou 12 anos | Pensamento abstrato e hipotético-dedutivo |
O desenvolvimento moral em Piaget, com a heteronomia e a autonomia, e os estágios de Kohlberg estão no guia de desenvolvimento moral.
Vygotsky e a teoria histórico-cultural
Para Lev Vygotsky, o desenvolvimento humano é resultado das interações sociais, mediadas pela cultura e pela linguagem, na perspectiva chamada de sociointeracionismo ou teoria histórico-cultural. O conceito mais cobrado é a zona de desenvolvimento proximal: a distância entre o nível de desenvolvimento real, que é o que a criança faz sozinha, e o nível de desenvolvimento potencial, que é o que ela faz com a ajuda de um adulto ou de um colega mais experiente. O professor atua como mediador, e a aprendizagem impulsiona o desenvolvimento. Vygotsky também destacou o papel dos signos e dos instrumentos na mediação e a importância da brincadeira de faz de conta.
Wallon, afetividade e movimento
Henri Wallon propôs uma visão integrada do desenvolvimento, que articula a afetividade, a cognição e o movimento, ou ato motor. Para ele, a emoção tem papel central na constituição da pessoa, e o desenvolvimento ocorre em estágios marcados pela alternância entre a predominância afetiva e a cognitiva. Na escola, a teoria de Wallon destaca a importância das relações afetivas entre professor e aluno e da consideração da criança como pessoa completa.
Ausubel e a aprendizagem significativa
Para David Ausubel, a aprendizagem significativa ocorre quando a nova informação se relaciona, de maneira não arbitrária e substantiva, com conhecimentos relevantes que o aluno já possui, chamados de subsunçores. Opõe-se à aprendizagem mecânica, baseada na memorização sem relação com o que já se sabe. Para que ela ocorra, o material deve ser potencialmente significativo, e o aluno deve estar disposto a aprender. Os organizadores prévios são recursos usados para ativar os conhecimentos anteriores.
Paulo Freire
Paulo Freire criticou a educação bancária, em que o professor deposita conteúdos no aluno, visto como receptor passivo, e defendeu a educação problematizadora, baseada no diálogo, na reflexão crítica sobre a realidade e na construção coletiva do conhecimento. Para Freire, a educação é um ato político, e a leitura do mundo precede a leitura da palavra. Obras como Pedagogia do Oprimido e Pedagogia da Autonomia são referências frequentes nas provas, com conceitos como conscientização, autonomia e dialogicidade.
Tendências pedagógicas
José Carlos Libâneo classificou as tendências pedagógicas em dois grandes grupos. As liberais incluem a tradicional, centrada no professor e na transmissão de conteúdos; a renovada progressivista, inspirada na Escola Nova, centrada no aluno e na atividade; a renovada não diretiva; e a tecnicista, centrada nas técnicas e na eficiência. As progressistas incluem a libertadora, associada a Paulo Freire; a libertária, que valoriza a autogestão; e a crítico-social dos conteúdos, que valoriza os conteúdos em relação com a realidade social dos alunos.
Avaliação da aprendizagem
A avaliação pode ser diagnóstica, para identificar os conhecimentos prévios e as dificuldades; formativa, realizada ao longo do processo, para acompanhar a aprendizagem e ajustar o ensino; e somativa, ao final de um período, para verificar os resultados. A LDB determina que a avaliação seja contínua e cumulativa, com prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos, tema do guia da LDB.
Emilia Ferreiro e a psicogênese da língua escrita
Emilia Ferreiro e Ana Teberosky mostraram que a criança constrói hipóteses sobre a escrita antes de ser alfabetizada, passando por níveis: pré-silábico, em que não relaciona a escrita aos sons da fala; silábico, em que usa um sinal para cada sílaba; silábico-alfabético, em que ora representa a sílaba, ora os fonemas; e alfabético, em que compreende que cada letra representa um som menor que a sílaba, ainda que com erros de ortografia. Esse tema é muito cobrado nos concursos para professor dos anos iniciais.
Gardner e as inteligências múltiplas
Howard Gardner propôs que não existe uma única inteligência, mas várias, relativamente independentes: linguística, lógico-matemática, espacial, musical, corporal-cinestésica, interpessoal, intrapessoal e naturalista. A teoria incentiva práticas pedagógicas diversificadas, que valorizem diferentes formas de aprender e de demonstrar o conhecimento.
Metodologias ativas
As metodologias ativas colocam o estudante no centro do processo, como protagonista da própria aprendizagem. Entre as mais cobradas estão a sala de aula invertida, em que o aluno estuda o conteúdo antes e usa o tempo da aula para atividades práticas; a aprendizagem baseada em problemas e a aprendizagem baseada em projetos, que partem de situações reais; a rotação por estações; e a gamificação. Elas dialogam com as competências gerais da BNCC.
Freire e Saviani também aparecem entre os autores das teorias críticas do currículo, no guia de teorias do currículo.
Como estudar
Monte um quadro com cada autor, a teoria, os conceitos principais e as implicações para a sala de aula, porque as questões costumam pedir essa associação. Dê atenção especial a Piaget, Vygotsky, Wallon, Freire e Emilia Ferreiro, que aparecem em quase todas as provas de conhecimentos pedagógicos.
As metodologias ativas apoiadas em tecnologia, como o ensino híbrido, estão no guia de tecnologias digitais na educação.
Aprendizagem e inclusão
As teorias da aprendizagem também fundamentam a educação inclusiva, que reconhece que todos os estudantes aprendem, em ritmos e de formas diferentes. O planejamento de atividades diversificadas, a mediação do professor e o uso de recursos de acessibilidade permitem que alunos com deficiência participem das aulas na escola comum, com o apoio do atendimento educacional especializado, tema do guia do Estatuto da Pessoa com Deficiência.
A aplicação desses conceitos aos anos iniciais, com métodos e consciência fonológica, está no guia de alfabetização e letramento.
As concepções de avaliação de Luckesi, Hoffmann e Perrenoud estão no guia de avaliação da aprendizagem.
A diferença entre dificuldade e transtorno de aprendizagem está no guia de transtornos de aprendizagem.
Exemplos de como cai
Afirmação: "A zona de desenvolvimento proximal é um conceito de Piaget." Errado. É de Vygotsky.
Afirmação: "Para Ausubel, a aprendizagem significativa depende dos conhecimentos prévios do aluno." Certo. São os subsunçores.
Afirmação: "A educação bancária, criticada por Freire, valoriza o diálogo entre professor e aluno." Errado. A educação bancária trata o aluno como receptor passivo.
Resumo para revisar antes da prova
Skinner e o condicionamento operante; Piaget, construtivismo, assimilação, acomodação, equilibração e quatro estágios; Vygotsky, interação social, mediação e zona de desenvolvimento proximal; Wallon, afetividade, cognição e movimento; Ausubel, aprendizagem significativa e subsunçores; Freire, educação bancária e problematizadora; tendências liberais e progressistas de Libâneo; e avaliação diagnóstica, formativa e somativa.
Perguntas frequentes
O que é a zona de desenvolvimento proximal?
É o conceito de Vygotsky que indica a distância entre o nível de desenvolvimento real, o que a criança faz sozinha, e o nível de desenvolvimento potencial, o que ela consegue fazer com a ajuda de um adulto ou de um colega mais experiente.
Quais são os estágios do desenvolvimento segundo Piaget?
Sensório-motor, do nascimento até cerca de 2 anos; pré-operatório, de 2 a 7 anos; operatório concreto, de 7 a 11 ou 12 anos; e operatório formal, a partir dos 11 ou 12 anos.
O que é aprendizagem significativa?
É o conceito de David Ausubel segundo o qual a aprendizagem ocorre quando a nova informação se relaciona, de forma não arbitrária, com conhecimentos que o aluno já possui, os chamados subsunçores.

