Atualizado em 25 de setembro de 2026.

As tecnologias digitais na educação são um tema cada vez mais presente nos conhecimentos pedagógicos dos concursos para professor, pedagogo e coordenador, como os das Seduc. As questões costumam cobrar a competência geral da BNCC sobre cultura digital, os modelos de ensino híbrido, a sala de aula invertida, os modelos SAMR e TPACK e a legislação sobre educação digital e uso de celulares. Este guia resume os pontos mais cobrados. As metodologias ativas em geral estão no guia de teorias da aprendizagem.

A cultura digital na BNCC

A BNCC inclui entre as dez competências gerais da educação básica a de compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais, incluindo as escolares, para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva. A base propõe que a tecnologia seja trabalhada de forma transversal, em todas as áreas, e não apenas como ferramenta, mas também como objeto de reflexão crítica. As competências gerais estão no guia da BNCC.

Usar e também criar, com senso crítico: a competência da BNCC não se limita ao uso das tecnologias. Ela fala em compreender, utilizar e criar, de forma crítica, significativa, reflexiva e ética. Alternativas que reduzem a competência ao domínio técnico de ferramentas costumam estar erradas.

Letramento digital e cidadania digital

O letramento digital é a capacidade de usar as tecnologias digitais para ler, escrever, buscar, avaliar e produzir informações em diferentes linguagens e contextos. Vai além da habilidade técnica e inclui a leitura crítica de conteúdos, a verificação de fontes e a identificação de desinformação. A cidadania digital envolve o uso ético, seguro e responsável da internet, com respeito aos outros, proteção dos dados pessoais, combate ao discurso de ódio e ao cyberbullying e consciência sobre a pegada digital, temas relacionados ao guia de bullying e cyberbullying.

O ensino híbrido

O ensino híbrido combina atividades presenciais e atividades on-line, de modo que o aluno tenha algum controle sobre o tempo, o lugar, o ritmo ou o percurso da aprendizagem. Os modelos mais cobrados, descritos por autores como Christensen, Horn e Staker, são:

ModeloComo funciona
Rotação por estaçõesOs alunos se revezam em estações dentro da sala, com atividades diferentes, sendo pelo menos uma on-line
Laboratório rotacionalOs alunos alternam entre a sala de aula e um laboratório de informática
Sala de aula invertidaO aluno estuda o conteúdo antes da aula, geralmente on-line, e o tempo em sala é usado para atividades práticas e discussões
Rotação individualCada aluno tem um roteiro personalizado de atividades
Flex, à la carte e virtual enriquecidoModelos mais disruptivos, com predominância do on-line e maior personalização

Na sala de aula invertida, a lógica tradicional se inverte: o contato inicial com o conteúdo acontece fora da sala, e o tempo com o professor é dedicado à aplicação, à resolução de problemas e ao esclarecimento de dúvidas, o que aproveita melhor a mediação docente.

O modelo SAMR

O modelo SAMR, proposto por Ruben Puentedura, descreve quatro níveis de integração da tecnologia ao ensino:

  1. Substituição: a tecnologia substitui uma ferramenta tradicional, sem mudança funcional, como digitar um texto em vez de escrevê-lo à mão.
  2. Ampliação: a tecnologia substitui a ferramenta com melhorias funcionais, como o uso do corretor ortográfico e do compartilhamento.
  3. Modificação: a tecnologia permite redesenhar significativamente a tarefa, como a produção colaborativa de um texto com comentários.
  4. Redefinição: a tecnologia permite criar tarefas antes inconcebíveis, como a produção de um documentário publicado para um público real.

Os dois primeiros níveis representam melhoria da tarefa, e os dois últimos, transformação.

O modelo TPACK

O modelo TPACK, de Mishra e Koehler, descreve os conhecimentos que o professor precisa integrar para usar bem a tecnologia no ensino: o conhecimento do conteúdo, o conhecimento pedagógico e o conhecimento tecnológico. O ponto central do modelo é a interseção entre os três, o conhecimento tecnológico e pedagógico do conteúdo: não basta dominar a ferramenta, é preciso saber como ela ajuda a ensinar determinado conteúdo. O planejamento com tecnologia segue os princípios do guia de didática e planejamento de ensino.

Educação a distância na LDB

A LDB prevê que o Poder Público incentive o desenvolvimento e a veiculação de programas de ensino a distância em todos os níveis e modalidades. No ensino fundamental, porém, o ensino é presencial, e o ensino a distância só pode ser usado como complementação da aprendizagem ou em situações emergenciais. As regras da educação a distância são detalhadas em normas próprias, tema relacionado ao guia da LDB.

A Política Nacional de Educação Digital

A Política Nacional de Educação Digital, instituída pela Lei 14.533/2023, busca potencializar os padrões e incrementar os resultados das políticas públicas relacionadas ao acesso da população a recursos, ferramentas e práticas digitais, com prioridade para as populações mais vulneráveis. Ela se estrutura em quatro eixos: inclusão digital, educação digital escolar, capacitação e especialização digital e pesquisa e desenvolvimento em tecnologias da informação e comunicação. A educação digital escolar abrange temas como o pensamento computacional, a cultura digital, a robótica e os direitos digitais.

O uso de celulares nas escolas

A Lei 15.100/2025 proíbe o uso, pelos estudantes, de aparelhos eletrônicos portáteis pessoais durante a aula, o recreio e os intervalos entre as aulas, em todas as etapas da educação básica, nas escolas públicas e privadas. A lei admite o uso para fins pedagógicos ou didáticos, conforme orientação dos profissionais de educação, e para garantir a acessibilidade e a inclusão, atender às condições de saúde dos estudantes e garantir os direitos fundamentais. Ela prevê também que as redes de ensino desenvolvam estratégias sobre o sofrimento psíquico e a saúde mental relacionados ao uso excessivo de telas.

Recursos educacionais abertos e curadoria

Os recursos educacionais abertos são materiais de ensino e aprendizagem em domínio público ou com licença aberta, que permitem o uso, a adaptação e a redistribuição sem custo, como textos, vídeos, simulações e cursos. Diante do excesso de conteúdos disponíveis, o professor assume o papel de curador, selecionando, organizando e contextualizando os recursos mais adequados aos objetivos da aula e às necessidades dos alunos.

Como estudar

Memorize a competência geral da BNCC sobre tecnologias digitais, os modelos de ensino híbrido, os quatro níveis do SAMR e os três conhecimentos do TPACK, que são os pontos mais cobrados. Depois, revise a regra da LDB sobre ensino a distância no ensino fundamental, os eixos da Política Nacional de Educação Digital e as exceções da lei sobre celulares nas escolas.

Exemplos de como cai

Afirmação: "Na sala de aula invertida, o aluno tem o primeiro contato com o conteúdo antes da aula, e o tempo em sala é dedicado a atividades práticas." Certo. É a lógica do modelo.

Afirmação: "No modelo SAMR, a substituição representa o nível mais elevado de transformação da tarefa." Errado. A substituição é o nível inicial; a redefinição é o mais elevado.

Afirmação: "A lei que restringe o uso de celulares nas escolas proíbe qualquer uso dos aparelhos, inclusive para fins pedagógicos." Errado. O uso pedagógico orientado pelos profissionais é permitido.

Resumo para revisar antes da prova

Competência geral da BNCC de compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de forma crítica, significativa, reflexiva e ética; letramento digital e cidadania digital; ensino híbrido com rotação por estações, laboratório rotacional, sala de aula invertida e rotação individual; SAMR com substituição, ampliação, modificação e redefinição; TPACK com conteúdo, pedagogia e tecnologia integrados; ensino fundamental presencial, com EaD apenas como complementação ou emergência; Política Nacional de Educação Digital com quatro eixos; Lei 15.100/2025 sobre celulares, com exceções pedagógicas, de acessibilidade, saúde e direitos; e recursos educacionais abertos e curadoria.

Perguntas frequentes

O que é sala de aula invertida?

É um modelo de ensino híbrido em que o aluno estuda o conteúdo antes da aula, geralmente por materiais digitais, e o tempo em sala é usado para atividades práticas, discussões e resolução de problemas com a mediação do professor.

O que é o modelo SAMR?

É um modelo proposto por Ruben Puentedura que descreve quatro níveis de integração da tecnologia ao ensino: substituição, ampliação, modificação e redefinição. Nos dois primeiros, a tecnologia melhora a tarefa; nos dois últimos, transforma a tarefa.

O uso de celulares é permitido nas escolas?

A Lei 15.100/2025 proíbe o uso de aparelhos eletrônicos portáteis pessoais pelos estudantes durante a aula, o recreio e os intervalos em toda a educação básica, com exceções para fins pedagógicos orientados pelos profissionais, para acessibilidade e inclusão, para condições de saúde e para a garantia de direitos fundamentais.

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Equipe SOS Concursos

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