Atualizado em 25 de setembro de 2026.

Os transtornos de aprendizagem, como a dislexia, e o TDAH estão cada vez mais presentes nas provas de conhecimentos pedagógicos dos concursos para professor, pedagogo e psicopedagogo, como os das Seduc. As questões costumam cobrar a diferença entre dificuldade e transtorno, as características de cada transtorno, a Lei 14.254/2021 e a atuação da escola. Este guia resume os pontos mais cobrados. A inclusão escolar em geral está no guia de educação inclusiva.

Dificuldade e transtorno de aprendizagem

AspectoDificuldade de aprendizagemTranstorno de aprendizagem
OrigemFatores externos, como questões pedagógicas, emocionais, familiares ou sociaisOrigem neurobiológica, intrínseca à pessoa
DuraçãoTende a ser transitória, superada com mudanças no ensino ou no contextoPersistente ao longo da vida, embora possa ser bem manejada
AbrangênciaPode afetar várias áreasAfeta habilidades específicas, como a leitura, a escrita ou o cálculo

Os transtornos de aprendizagem não decorrem de deficiência intelectual, de deficiência sensorial não corrigida nem de falta de oportunidade de aprender, e costumam ocorrer em pessoas com inteligência dentro da média ou acima dela.

Nem toda dificuldade é transtorno: muitos alunos que não aprendem enfrentam problemas pedagógicos, emocionais ou sociais, e não um transtorno. Rotular precocemente pode desviar a atenção das mudanças necessárias no ensino. As bancas costumam cobrar essa distinção e a ideia de que o transtorno não se relaciona com baixa inteligência.

Os principais transtornos

  • Dislexia: transtorno específico da leitura, com dificuldade na decodificação, na fluência e, em consequência, na compreensão de textos, e frequentemente na ortografia.
  • Disgrafia: dificuldade no traçado da escrita, com letra de difícil leitura e problemas de coordenação motora fina.
  • Disortografia: dificuldade persistente na ortografia, com trocas, omissões e inversões de letras.
  • Discalculia: dificuldade específica na aprendizagem da matemática, no senso numérico, no cálculo e no raciocínio matemático.

O TDAH

O transtorno do déficit de atenção com hiperatividade, o TDAH, é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por um padrão persistente de desatenção e/ou hiperatividade e impulsividade, que interfere no funcionamento e no desenvolvimento, com prejuízo em mais de um ambiente, como a escola e a casa. Pode se apresentar com predomínio da desatenção, com predomínio da hiperatividade e impulsividade ou de forma combinada. Na escola, o estudante com TDAH pode ter dificuldade de manter a atenção, de organizar as tarefas, de esperar a sua vez e de permanecer sentado, o que não significa falta de interesse ou indisciplina deliberada.

A Lei 14.254/2021

A Lei 14.254/2021 dispõe sobre o acompanhamento integral para educandos com dislexia, TDAH ou outro transtorno de aprendizagem. Os seus pontos principais são:

  • o poder público deve desenvolver e manter programa de acompanhamento integral para esses educandos;
  • o acompanhamento integral compreende a identificação precoce do transtorno, o encaminhamento do educando para diagnóstico, o apoio educacional na rede de ensino e o apoio terapêutico especializado na rede de saúde;
  • os educandos têm direito a acompanhamento específico, direcionado à sua dificuldade, da forma mais precoce possível, pelos seus educadores, na escola em que estão matriculados, com apoio e orientação da saúde, da assistência social e de outras políticas públicas;
  • as necessidades específicas identificadas pelos educadores devem ser encaminhadas à família e aos serviços para avaliação;
  • os sistemas de ensino devem garantir aos professores formação continuada e amplo acesso à informação sobre o tema.
Educação e saúde juntas: a lei prevê um acompanhamento integral, que combina o apoio educacional na escola com o apoio terapêutico na rede de saúde. Não se trata de transferir o aluno para a saúde nem de responsabilizar só a escola. As bancas costumam cobrar os quatro componentes do acompanhamento integral.

A relação com a educação especial

A política nacional de educação especial na perspectiva da educação inclusiva define como público-alvo da educação especial os estudantes com deficiência, com transtorno do espectro autista e com altas habilidades ou superdotação. Os transtornos funcionais específicos, como a dislexia, a discalculia e o TDAH, não compõem esse público-alvo, mas a política prevê que, nesses casos, a educação especial atue de forma articulada com o ensino comum, orientando o atendimento às necessidades desses estudantes. O transtorno do espectro autista está no guia da Lei do autismo.

O diagnóstico e o papel do professor

O diagnóstico dos transtornos de aprendizagem e do TDAH é feito por profissionais habilitados, em geral por meio de avaliação multiprofissional, que pode envolver médico, psicólogo, fonoaudiólogo e psicopedagogo. O professor não diagnostica, mas tem papel fundamental na observação dos sinais de alerta, no registro das dificuldades, na comunicação com a equipe pedagógica e com a família e na adoção de estratégias pedagógicas. O diagnóstico não é condição para que a escola ofereça apoio: as adaptações devem começar assim que as necessidades são percebidas.

As estratégias pedagógicas

Entre as estratégias recomendadas estão dar instruções curtas, claras e uma de cada vez; dividir as tarefas longas em etapas; oferecer tempo adicional nas atividades e nas avaliações; permitir a avaliação oral ou a leitura dos enunciados em voz alta, quando adequado; usar recursos visuais e multissensoriais; organizar a rotina e antecipar as mudanças; posicionar o estudante com TDAH próximo ao professor e longe de distrações; valorizar os avanços; e trabalhar a consciência fonológica na alfabetização dos estudantes com dislexia, tema do guia de alfabetização e letramento. Em exames como o Enem, candidatos com esses transtornos podem solicitar atendimento especializado, nos termos do edital.

Família, autoestima e bullying

Estudantes com transtornos de aprendizagem estão mais expostos ao fracasso escolar, à baixa autoestima e ao bullying, especialmente quando são rotulados como preguiçosos ou desinteressados. A parceria com a família, o acolhimento e a valorização das habilidades do estudante são essenciais, e a escola deve combater qualquer forma de discriminação, tema do guia de bullying e cyberbullying.

Sinais de alerta na escola

Alguns sinais podem indicar a necessidade de avaliação: dificuldade persistente em associar letras e sons, leitura lenta e silabada além do esperado para a etapa, trocas frequentes de letras na escrita, dificuldade em compreender quantidades e operações básicas, desatenção que prejudica a realização das tarefas em diferentes contextos e agitação que compromete a aprendizagem. Esses sinais devem ser observados ao longo do tempo e registrados, porque um episódio isolado não caracteriza um transtorno.

Como estudar

Memorize a diferença entre dificuldade e transtorno, as características da dislexia, da disgrafia, da disortografia, da discalculia e do TDAH, os componentes do acompanhamento integral da Lei 14.254/2021 e a relação com a educação especial, que são os pontos mais cobrados. Depois, revise as estratégias pedagógicas, que aparecem em questões de situação-problema.

Exemplos de como cai

Afirmação: "A dislexia está associada, necessariamente, a um nível intelectual abaixo da média." Errado. A dislexia ocorre em pessoas com inteligência dentro da média ou acima dela.

Afirmação: "A Lei 14.254/2021 prevê a identificação precoce, o encaminhamento para diagnóstico e o apoio educacional e terapêutico aos educandos com dislexia ou TDAH." Certo. São os componentes do acompanhamento integral.

Afirmação: "Cabe ao professor diagnosticar o TDAH para que o estudante receba apoio na escola." Errado. O diagnóstico é feito por profissionais habilitados, e o apoio pedagógico não depende dele.

Resumo para revisar antes da prova

Dificuldade de aprendizagem por fatores externos e transitória, e transtorno de origem neurobiológica, persistente e específico, sem relação com baixa inteligência; dislexia na leitura, disgrafia no traçado, disortografia na ortografia e discalculia na matemática; TDAH com desatenção e/ou hiperatividade e impulsividade em mais de um ambiente; Lei 14.254/2021 com identificação precoce, encaminhamento para diagnóstico, apoio educacional e apoio terapêutico e formação continuada; transtornos funcionais específicos fora do público-alvo da educação especial, com atuação articulada ao ensino comum; diagnóstico multiprofissional, e não pelo professor; e estratégias como instruções curtas, tempo adicional, avaliação oral, recursos multissensoriais e parceria com a família.

Perguntas frequentes

O que determina a Lei 14.254/2021?

Determina que o poder público desenvolva e mantenha programa de acompanhamento integral para educandos com dislexia, TDAH ou outro transtorno de aprendizagem, com identificação precoce, encaminhamento para diagnóstico, apoio educacional na rede de ensino e apoio terapêutico especializado na rede de saúde.

Qual a diferença entre dificuldade e transtorno de aprendizagem?

A dificuldade de aprendizagem costuma estar ligada a fatores externos, como questões pedagógicas, emocionais ou sociais, e tende a ser transitória. O transtorno de aprendizagem tem origem neurobiológica, é persistente e afeta habilidades específicas, como a leitura, a escrita ou o cálculo, independentemente da inteligência.

O professor pode diagnosticar dislexia ou TDAH?

Não. O diagnóstico é feito por profissionais habilitados, em geral em avaliação multiprofissional. O papel do professor é observar, identificar sinais de alerta, comunicar à equipe pedagógica e à família e adotar estratégias pedagógicas adequadas.

SOS Concursos
Equipe SOS Concursos

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