Atualizado em 25 de setembro de 2026.
O desenvolvimento moral estuda como as crianças e os jovens constroem a compreensão das regras, da justiça e do respeito ao outro. O tema aparece nas provas de psicologia da educação e de conhecimentos pedagógicos dos concursos para professor e pedagogo, como os das Seduc, com questões sobre Piaget, Kohlberg e a educação moral na escola. Este guia resume os pontos mais cobrados. As teorias do desenvolvimento cognitivo estão no guia de teorias da aprendizagem.
A moral em Piaget
Em O juízo moral na criança, Jean Piaget investigou como as crianças compreendem as regras, observando jogos de bolinha de gude e propondo histórias para que elas julgassem. Ele concluiu que a moralidade se desenvolve de forma semelhante à inteligência, por construção, em interação com o meio social, e identificou três momentos:
| Fase | Características |
|---|---|
| Anomia | A criança pequena ainda não compreende as regras como obrigações; age por motivos individuais |
| Heteronomia | As regras são vistas como impostas por adultos, sagradas e imutáveis; o respeito é unilateral, baseado na autoridade; a gravidade de um ato é julgada pelas consequências materiais, e não pela intenção, o chamado realismo moral |
| Autonomia | As regras são entendidas como acordos que podem ser discutidos e modificados pelo consenso; o respeito é mútuo, baseado na cooperação; a intenção passa a ser considerada no julgamento |
Para Piaget, a passagem da heteronomia para a autonomia depende da cooperação entre iguais e da redução da coação adulta. Por isso, a escola que só impõe regras sem discuti-las favorece a obediência, e não a autonomia moral.
Os estágios de Kohlberg
Lawrence Kohlberg ampliou os estudos de Piaget, apresentando dilemas morais a crianças, adolescentes e adultos, como o famoso dilema de Heinz, em que um homem precisa decidir se rouba um remédio para salvar a esposa. Kohlberg se interessava menos pela resposta e mais pelo raciocínio usado para justificá-la, e propôs três níveis, cada um com dois estágios:
| Nível | Estágio | Orientação |
|---|---|---|
| Pré-convencional | 1 | Obediência e punição: é certo o que evita castigo |
| 2 | Interesse instrumental e troca: é certo o que atende aos próprios interesses, em trocas justas | |
| Convencional | 3 | Expectativas interpessoais, do bom menino e da boa menina: é certo o que agrada e é aprovado pelos outros |
| 4 | Lei e ordem: é certo cumprir o dever e manter a ordem social | |
| Pós-convencional | 5 | Contrato social e direitos individuais: as leis são acordos que podem ser mudados para promover o bem-estar |
| 6 | Princípios éticos universais: justiça, dignidade e igualdade guiam a ação, mesmo contra a lei |
Para Kohlberg, os estágios seguem uma sequência invariável, não se pode pular estágios, e nem todas as pessoas chegam ao nível pós-convencional. O avanço é estimulado pela discussão de dilemas e pelo contato com raciocínios de um estágio acima do próprio.
A crítica de Gilligan e a ética do cuidado
Carol Gilligan, colaboradora de Kohlberg, criticou o modelo por privilegiar uma ética da justiça, baseada em regras, direitos e imparcialidade, e por ter sido construído inicialmente com base em pesquisas com meninos. Ela propôs a ética do cuidado, centrada nas relações, na responsabilidade com o outro e na atenção às necessidades concretas, que aparecia com frequência nas respostas de mulheres e que era subvalorizada na escala de Kohlberg. A crítica ampliou o debate sobre a moralidade, mostrando que justiça e cuidado são dimensões complementares.
Moral e ética
Na literatura educacional brasileira, costuma-se distinguir a moral, entendida como o conjunto de regras e deveres, ligado à pergunta sobre como devo agir, da ética, ligada à reflexão sobre que vida vale a pena ser vivida e aos valores que dão sentido às ações. A educação moral, nessa perspectiva, envolve tanto o conhecimento das regras quanto o desenvolvimento do sentimento de obrigatoriedade e da reflexão sobre os valores.
A educação moral na escola
As teorias construtivistas do desenvolvimento moral orientam práticas como a construção coletiva das regras da turma, as assembleias de classe, a discussão de dilemas morais, a resolução de conflitos pelo diálogo, a cooperação em atividades em grupo e o exemplo coerente dos educadores. A autonomia moral não se ensina por sermões ou por punições, mas pela vivência de relações de respeito mútuo. Esses princípios se relacionam com a prevenção da violência escolar, tema do guia de bullying e cyberbullying, e com as competências gerais da BNCC ligadas à empatia, à cooperação, à responsabilidade e à cidadania, tema do guia da BNCC.
Disciplina, sanções e autonomia
Piaget distinguiu as sanções expiatórias, típicas da heteronomia, em que a punição não tem relação com a falta e serve apenas para fazer sofrer, das sanções por reciprocidade, típicas da autonomia, que têm relação com a falta e levam a pessoa a compreender as consequências do que fez, como reparar um dano causado. Na escola, as sanções por reciprocidade são mais coerentes com a formação da autonomia do que os castigos arbitrários. A organização das práticas pedagógicas está no guia de didática e planejamento de ensino.
Outras críticas e contribuições
Além da crítica de Gilligan, o modelo de Kohlberg foi questionado por dar pouco peso às emoções, aos sentimentos morais, como a vergonha e a culpa, e às diferenças culturais, e pela distância entre o raciocínio moral e a ação efetiva: saber o que é certo não garante agir de acordo. Pesquisadores posteriores passaram a estudar também a afetividade, a identidade moral e a importância dos valores na personalidade, ampliando a compreensão da moralidade para além do juízo racional.
Como estudar
Memorize as fases de Piaget, com o respeito unilateral e o mútuo e o realismo moral, os três níveis e seis estágios de Kohlberg, a ideia de que o estágio é definido pelo raciocínio, a crítica de Gilligan e a distinção entre sanções expiatórias e por reciprocidade, que são os pontos mais cobrados. Depois, treine a classificação de justificativas nos estágios de Kohlberg.
Exemplos de como cai
Afirmação: "Na heteronomia, a criança considera as regras como acordos que podem ser modificados pelo grupo." Errado. Na heteronomia, as regras são vistas como imutáveis e impostas pelos adultos; a visão das regras como acordos é própria da autonomia.
Afirmação: "No estágio de lei e ordem de Kohlberg, o certo é cumprir o dever e manter a ordem social." Certo. É o quarto estágio, do nível convencional.
Afirmação: "Para Kohlberg, todas as pessoas chegam necessariamente ao nível pós-convencional na vida adulta." Errado. Nem todas as pessoas alcançam esse nível.
Resumo para revisar antes da prova
Piaget com anomia, heteronomia e autonomia; heteronomia com regras sagradas, respeito unilateral e julgamento pelas consequências; autonomia com regras como acordos, respeito mútuo, cooperação e consideração da intenção; Kohlberg com dilemas morais e três níveis, pré-convencional, com obediência e troca, convencional, com aprovação social e lei e ordem, e pós-convencional, com contrato social e princípios universais; estágio definido pelo raciocínio, sequência invariável e nem todos chegam ao topo; Gilligan com a ética do cuidado; moral e ética; educação moral com regras construídas coletivamente, assembleias e diálogo; e sanções expiatórias e por reciprocidade.
Perguntas frequentes
Quais são as fases do desenvolvimento moral em Piaget?
A anomia, em que a criança ainda não compreende as regras; a heteronomia, em que as regras são vistas como impostas por adultos, sagradas e imutáveis, com respeito unilateral; e a autonomia, em que as regras são entendidas como acordos que podem ser discutidos e modificados, com base no respeito mútuo e na cooperação.
Quais são os níveis de Kohlberg?
O pré-convencional, orientado pela punição e pelos interesses pessoais; o convencional, orientado pela aprovação social e pela manutenção da lei e da ordem; e o pós-convencional, orientado pelo contrato social e por princípios éticos universais. Cada nível tem dois estágios, em um total de seis.
Qual a crítica de Carol Gilligan a Kohlberg?
Gilligan argumentou que o modelo de Kohlberg privilegiava uma ética da justiça, baseada em regras e direitos, e desvalorizava a ética do cuidado, centrada nas relações e na responsabilidade com o outro, mais presente nas pesquisas com mulheres.


