Atualizado em 25 de setembro de 2026.
O Estatuto da Criança e do Adolescente, o ECA, é a Lei nº 8.069/1990. Ele regulamenta o artigo 227 da Constituição, que garante à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, direitos como vida, saúde, educação, convivência familiar e proteção contra toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão. O ECA adota a doutrina da proteção integral: crianças e adolescentes são sujeitos de direitos, em condição peculiar de desenvolvimento. É cobrado em concursos de educação, assistência social, saúde, conselho tutelar, tribunais, Ministério Público e carreiras policiais.
Este resumo reúne os pontos mais cobrados. Leia os artigos no texto oficial do ECA, com o método de como estudar lei seca.
Criança e adolescente
- Criança: pessoa até 12 anos incompletos.
- Adolescente: pessoa entre 12 e 18 anos de idade.
- Aplicação excepcional: nos casos expressos em lei, o ECA se aplica a pessoas entre 18 e 21 anos, como na execução de medida socioeducativa de internação.
Direitos fundamentais
O ECA detalha direitos como vida e saúde, liberdade, respeito e dignidade, convivência familiar e comunitária, educação, cultura, esporte e lazer, profissionalização e proteção no trabalho. Alguns pontos cobrados:
- É proibido qualquer trabalho a menores de 14 anos, salvo na condição de aprendiz, conforme a regra do ECA, e a Constituição proíbe o trabalho a menores de 16, salvo como aprendiz, a partir de 14.
- A criança e o adolescente têm direito de ser educados sem o uso de castigo físico ou de tratamento cruel ou degradante, regra incluída pela chamada Lei Menino Bernardo.
- A convivência familiar é prioritária: a colocação em família substituta é medida excepcional.
A proteção ao trabalho do adolescente, com a idade mínima e o contrato de aprendizagem, está no guia de trabalho da mulher e do menor.
Conselho Tutelar
O Conselho Tutelar é órgão permanente e autônomo, não jurisdicional, encarregado pela sociedade de zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente. Deve haver pelo menos um em cada município e em cada região administrativa do Distrito Federal, composto por cinco membros, escolhidos pela população local para mandato de quatro anos, permitida a recondução por novos processos de escolha. Entre os requisitos para a candidatura estão reconhecida idoneidade moral, idade superior a 21 anos e residência no município.
Os cuidados de saúde da criança, como os testes de triagem neonatal e a puericultura, estão no guia de saúde da criança.
A escuta especializada e o depoimento especial de crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violência estão no guia de escuta especializada e depoimento especial.
Medidas de proteção
São aplicadas sempre que os direitos da criança ou do adolescente forem ameaçados ou violados, por ação ou omissão da sociedade ou do Estado, por falta, omissão ou abuso dos pais ou responsável, ou em razão da própria conduta. Exemplos: encaminhamento aos pais, orientação e acompanhamento temporários, matrícula e frequência obrigatórias em escola, inclusão em programas de auxílio à família, requisição de tratamento médico, acolhimento institucional e inclusão em programa de acolhimento familiar.
Ato infracional
Ato infracional é a conduta descrita como crime ou contravenção penal. Os menores de 18 anos são penalmente inimputáveis, conforme o artigo 228 da Constituição, e ficam sujeitos às medidas do ECA:
| Quem pratica | O que se aplica |
|---|---|
| Criança | Apenas medidas de proteção |
| Adolescente | Medidas socioeducativas, que podem ser cumuladas com medidas de proteção |
O adolescente só pode ser privado de liberdade em flagrante de ato infracional ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária competente.
Medidas socioeducativas
- Advertência: admoestação verbal, reduzida a termo e assinada.
- Obrigação de reparar o dano: nos atos com reflexos patrimoniais.
- Prestação de serviços à comunidade: por período não excedente a seis meses, com jornada máxima de oito horas semanais.
- Liberdade assistida: acompanhamento do adolescente, pelo prazo mínimo de seis meses.
- Semiliberdade: desde o início ou como transição para o meio aberto, com atividades externas.
- Internação: a mais grave, privativa de liberdade.
A execução das medidas socioeducativas, com o plano individual de atendimento, a reavaliação e a unificação, está no guia do Sinase.
Internação
A internação está sujeita aos princípios da brevidade, da excepcionalidade e do respeito à condição peculiar de pessoa em desenvolvimento. As regras mais cobradas:
- Não comporta prazo determinado, devendo ser reavaliada no máximo a cada seis meses;
- O período máximo é de três anos;
- A liberação é compulsória aos 21 anos;
- Só pode ser aplicada quando o ato for cometido mediante grave ameaça ou violência à pessoa, por reiteração no cometimento de outras infrações graves ou por descumprimento reiterado e injustificável de medida anteriormente imposta, neste último caso por prazo não superior a três meses.
Adoção em poucas linhas
Podem adotar os maiores de 18 anos, independentemente do estado civil, desde que o adotante seja pelo menos 16 anos mais velho que o adotado. Não podem adotar os ascendentes e os irmãos do adotando. A adoção é medida excepcional e irrevogável, e o adotado tem os mesmos direitos dos filhos biológicos.
Garantias processuais do adolescente acusado
O adolescente acusado de ato infracional tem garantias como o pleno e formal conhecimento da atribuição do ato, a igualdade na relação processual, a defesa técnica por advogado, a assistência judiciária gratuita, o direito de ser ouvido pessoalmente pela autoridade e o direito de solicitar a presença dos pais ou responsável. Nenhum adolescente será privado de sua liberdade sem o devido processo legal. A internação provisória, antes da sentença, tem prazo máximo de 45 dias, outro número frequente nas provas.
Remissão: exclusão, suspensão ou extinção do processo
A remissão é uma forma de exclusão, suspensão ou extinção do processo, concedida conforme as circunstâncias do fato, a personalidade do adolescente e sua participação no ato. Antes do processo, pode ser concedida pelo Ministério Público, como forma de exclusão; depois de iniciado o processo, pela autoridade judiciária, como suspensão ou extinção. A remissão não implica reconhecimento de responsabilidade nem prevalece para efeito de antecedentes, e pode incluir a aplicação de medidas que não sejam de semiliberdade nem de internação.
A intimidação sistemática entre estudantes, o cyberbullying e o crime do artigo 146-A do Código Penal estão no guia de bullying e cyberbullying.
Exemplos para fixar
- Criança de 11 anos que pratica furto: apenas medidas de proteção, nunca socioeducativas.
- Adolescente de 16 anos que pratica roubo com arma: pode receber internação, porque houve grave ameaça.
- Adolescente internado que completa 21 anos: liberação compulsória.
- Pais que deixam de matricular o filho na escola: situação que pode motivar a atuação do Conselho Tutelar e medidas de proteção.
Acolhimento institucional e acolhimento familiar
O acolhimento institucional e o acolhimento familiar são medidas provisórias e excepcionais, usadas como forma de transição para a reintegração familiar ou, não sendo possível, para a colocação em família substituta. A situação de cada criança ou adolescente acolhido deve ser reavaliada periodicamente, e a permanência em programa de acolhimento institucional não deve se prolongar além do prazo previsto na lei, salvo necessidade comprovada. O acolhimento familiar tem preferência sobre o institucional.
Revisão rápida dos pontos mais cobrados
Antes da prova, confira: criança até 12 anos incompletos, adolescente de 12 a 18; Conselho Tutelar permanente, autônomo e não jurisdicional, com cinco membros e mandato de quatro anos; criança só recebe medidas de proteção; seis medidas socioeducativas; internação por até três anos, com reavaliação semestral e liberação aos 21; internação provisória de até 45 dias; e adoção com diferença mínima de 16 anos.
Crimes e infrações administrativas do ECA
O ECA também define crimes praticados contra crianças e adolescentes, como submetê-los a vexame ou constrangimento, e infrações administrativas, como deixar de comunicar à autoridade competente casos de suspeita ou confirmação de maus-tratos, por parte de médicos, professores e responsáveis por estabelecimentos de saúde e de ensino. Esses dispositivos aparecem em provas de carreiras policiais, jurídicas e de educação.
Relacione cada prazo a uma situação concreta para memorizar: 45 dias de internação provisória, seis meses de reavaliação, três anos de internação e 21 anos de liberação compulsória.
O ECA é cobrado em concursos para professor, como o da Seduc CE, com 2.000 vagas imediatas e inscrições até 15 de outubro de 2026.
Os requisitos, as etapas e as demais matérias dos concursos para a rede pública de ensino estão no guia de concurso para professor.
Como o tema cai em prova
- Trocar as idades de criança e adolescente;
- Afirmar que criança pode receber medida socioeducativa;
- Dizer que o Conselho Tutelar é órgão jurisdicional ou que aplica internação;
- Trocar os prazos da internação, da prestação de serviços e da liberdade assistida;
- Omitir hipóteses de cabimento da internação.
O ECA também aparece em concursos municipais, como o de agente comunitário de saúde e os de educação, detalhados no guia de o que estudar para concurso de prefeitura. Registre as pegadinhas no caderno de erros.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre criança e adolescente no ECA?
Criança é a pessoa até 12 anos incompletos. Adolescente é a pessoa entre 12 e 18 anos de idade.
Quais são as medidas socioeducativas?
Advertência, obrigação de reparar o dano, prestação de serviços à comunidade, liberdade assistida, inserção em regime de semiliberdade e internação.
Qual o prazo máximo da internação?
Três anos, com reavaliação no máximo a cada seis meses. A liberação é compulsória aos 21 anos de idade.
