Atualizado em 25 de setembro de 2026.

A Fundação Getulio Vargas, a FGV, é uma das bancas mais respeitadas e temidas do país. Fundada em 1944 e conhecida como centro de ensino e pesquisa em Economia, Administração e Direito, ela organiza concursos de tribunais, da área fiscal, de legislativos e o Exame de Ordem da OAB, além de ter conduzido a segunda edição do Concurso Nacional Unificado, em 2025. Suas provas são famosas pelos enunciados longos, pelas alternativas muito parecidas e por um Português especialmente exigente.

Este guia explica como a FGV costuma cobrar cada matéria, os erros mais comuns de quem faz a banca pela primeira vez e como treinar. Os perfis de outras organizadoras estão nos guias do Cebraspe, da FCC e da Cesgranrio.

Concursos organizados pela FGV

A FGV organizou o último concurso da Receita Federal, em 2022, a segunda edição do CNU, em 2025, e diversos concursos de tribunais de justiça, assembleias legislativas, secretarias de fazenda e órgãos federais. Também é responsável pelo Exame de Ordem, o que faz da banca uma velha conhecida de quem estuda Direito. A FGV costuma ser associada a concursos de remuneração mais alta e de maior exigência técnica.

Como são as provas

  • Múltipla escolha com cinco alternativas e apenas uma correta, em geral sem desconto por questão errada.
  • Enunciados longos, muitas vezes com situações hipotéticas, que testam a concentração e a capacidade de interpretação.
  • Alternativas parecidas, que diferem por uma expressão ou um detalhe técnico.
  • Cobrança ampla do edital: a banca tende a espalhar as questões por muitos tópicos, com poucas questões por assunto.
  • Adaptação ao órgão: o nível e o foco variam bastante conforme o concurso, o que exige estudar as provas da FGV para órgãos semelhantes ao seu.
Sem desconto, sem branco: como a FGV em geral não desconta questão errada, nunca deixe uma questão sem resposta. Quando tiver dúvida, elimine as alternativas que você sabe que estão erradas e escolha entre as restantes. Cada alternativa eliminada aumenta a chance de acerto do chute.

O Português da FGV

Língua Portuguesa é considerada o maior desafio da banca. A FGV cobra pouca gramática isolada e muita gramática aplicada ao texto: o efeito de sentido de uma construção, a função de um conectivo, a correção de uma reescrita, a relação entre as partes do texto e a intenção do autor. Também são comuns questões sobre tipologia e gêneros textuais, figuras de linguagem e vícios de linguagem. Os guias de interpretação de texto, coesão e coerência, tipologia textual, figuras de linguagem e paralelismo cobrem boa parte desses temas.

As matérias jurídicas

Nas matérias de Direito, a FGV costuma apresentar casos concretos e pedir a solução com base na lei, na jurisprudência e, às vezes, na doutrina. A letra da lei continua importante, mas raramente basta: é preciso entender o instituto e saber aplicá-lo. Jurisprudência recente dos tribunais superiores, súmulas e teses de repercussão geral aparecem com frequência. Em Direito Administrativo e Constitucional, por exemplo, os guias de atos administrativos, responsabilidade civil do Estado e controle de constitucionalidade trazem as súmulas e decisões mais cobradas.

Raciocínio lógico e matemática

A FGV gosta de questões de raciocínio que exigem montar o problema a partir de um enunciado longo, como problemas de lógica, sequências, porcentagem e análise combinatória. Em concursos da área fiscal, estatística e matemática financeira têm peso relevante. Os guias de problemas de lógica, análise combinatória e estatística básica ajudam na base.

Provas discursivas

Muitos concursos da FGV têm prova discursiva, em forma de questões ou de redação sobre temas atuais, com critérios de correção que avaliam o domínio do conteúdo, a estrutura e a língua. Nas carreiras jurídicas e fiscais, as questões discursivas costumam trazer casos práticos que pedem fundamentação legal. O guia de prova discursiva explica como estruturar as respostas.

Erros comuns de quem faz FGV pela primeira vez

  • Ler o enunciado com pressa: na FGV, a informação que decide a questão costuma estar no meio de um enunciado longo.
  • Escolher a primeira alternativa que parece certa: leia todas, porque muitas vezes há uma mais completa ou mais precisa.
  • Estudar só a letra da lei: a banca cobra aplicação, jurisprudência e interpretação.
  • Treinar com questões de outras bancas: o estilo da FGV é muito particular, e o treino deve priorizar provas da própria banca.
  • Não controlar o tempo: com enunciados longos, a prova é cansativa, e o relógio é um adversário.

Como estudar para a FGV

  1. Estude a teoria com profundidade: a FGV cobra entendimento, e não apenas memorização.
  2. Resolva provas da FGV para órgãos parecidos com o seu: o nível varia conforme o concurso, e treinar com provas do mesmo perfil evita surpresas.
  3. Treine interpretação todos os dias: leia textos jornalísticos e de opinião e resolva questões de Português da banca com regularidade.
  4. Acompanhe a jurisprudência: reserve um tempo semanal para os informativos dos tribunais superiores.
  5. Faça simulados cronometrados: a resistência para ler enunciados longos por horas se constrói com treino.

Registre os erros em um caderno de erros e revise-o antes dos simulados. O guia de como resolver questões traz técnicas de leitura de enunciados.

No dia da prova

Leia primeiro o comando da questão, a pergunta propriamente dita, e depois o enunciado, para saber o que procurar. Sublinhe as palavras-chave, como "exceto", "incorreta" e "segundo o texto". Não se prenda a uma questão difícil: marque, siga em frente e volte no final. Reserve os últimos minutos para marcar o cartão-resposta com calma e para chutar as questões que ficaram sem resposta.

Onde encontrar provas anteriores

O site da própria banca costuma manter as provas, os gabaritos e os editais dos concursos realizados, na página de cada seleção. As plataformas de questões permitem filtrar por banca, órgão, cargo, ano e assunto, o que facilita montar listas específicas. Priorize provas dos últimos anos e de órgãos parecidos com o seu, porque o estilo das bancas evolui com o tempo. Ao resolver, confira o gabarito definitivo, depois dos recursos, e não apenas o preliminar.

A FGV é a banca mais difícil?

Muitos candidatos consideram a FGV uma das bancas mais difíceis, ao lado do Cebraspe, mas por motivos diferentes: a FGV pela complexidade dos enunciados e pela cobrança ampla do edital, e o Cebraspe pelo desconto por erro. Na prática, a dificuldade depende muito do órgão, do cargo e da concorrência. O importante é saber que a FGV exige leitura atenta e compreensão real dos temas, e que decorar não basta. Quem se prepara com provas da própria banca e treina a interpretação reduz muito o impacto do estilo.

A FGV e o Exame de Ordem

Como organizadora do Exame de Ordem, a FGV tem um acervo enorme de questões jurídicas, com casos práticos em todas as áreas do Direito. Para quem vai fazer concursos jurídicos da banca, as provas da OAB são um bom material complementar de treino, especialmente para se acostumar ao estilo de enunciado e às alternativas parecidas.

Uma última dica: como a FGV varia o estilo conforme o órgão, leia com atenção a distribuição de questões do seu edital e compare com provas anteriores do mesmo tipo de concurso antes de definir as prioridades.

Entre os concursos da FGV com inscrições abertas, estão o da Seduc PA, com 2.000 vagas na educação, e o da Seplag RJ, com 60 vagas nas carreiras de gestão e orçamento, ambos com prova em 29 de novembro de 2026. A banca também organiza os concursos da PC PR, com prova objetiva em 11 de outubro, e da SES TO, com 5.124 vagas e prova em 1º de novembro.

FGV comparada a outras bancas

AspectoFGVFCCCebraspe
FormatoMúltipla escolhaMúltipla escolhaCerto ou errado
EnunciadosLongos e interpretativosMais diretosItens curtos ou médios
Cobrança do editalAmplaMais concentrada em temas preferidosAmpla, com profundidade
Desconto por erroEm geral, nãoEm geral, nãoSim, em geral

Resumo para lembrar

A FGV foi fundada em 1944 e organiza o Exame de Ordem, concursos de tribunais, fiscais e o CNU de 2025; as provas têm cinco alternativas, em geral sem desconto; os enunciados são longos e as alternativas, parecidas; o Português cobra gramática aplicada ao texto; o Direito vem em casos práticos com jurisprudência; e o melhor treino é com provas da própria banca para órgãos parecidos com o seu.

Perguntas frequentes

A FGV desconta questão errada?

Em geral, não. As provas objetivas da FGV costumam ter questões de múltipla escolha com cinco alternativas e sem desconto por erro, o que torna o chute vantajoso. Confira sempre o edital.

Por que a FGV é considerada difícil?

Porque costuma usar enunciados longos, alternativas muito parecidas, questões interpretativas e cobrança ampla do edital, especialmente em Língua Portuguesa e nas matérias jurídicas, com casos práticos e jurisprudência.

Quais concursos a FGV organizou recentemente?

Entre outros, a segunda edição do Concurso Nacional Unificado, em 2025, e o concurso da Receita Federal de 2022. A fundação também organiza o Exame de Ordem da OAB.

SOS Concursos
Equipe SOS Concursos

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