Atualizado em 25 de setembro de 2026.

A tipologia textual estuda as grandes estruturas que organizam os textos: narrar, descrever, expor, argumentar e instruir. Os gêneros textuais, por sua vez, são as formas concretas que os textos assumem no dia a dia, como a notícia, o editorial, a crônica e o e-mail. Nas provas, o tema aparece em questões que pedem o tipo predominante de um trecho, o gênero do texto, a finalidade do autor ou as marcas linguísticas de cada tipo, e está diretamente ligado à interpretação e à redação.

Este guia organiza os tipos, os gêneros mais cobrados e as funções da linguagem. O método de leitura está no guia de interpretação de texto.

Tipo e gênero: a diferença

Tipo textualGênero textual
Estrutura, sequência linguística predominanteForma concreta de texto usada socialmente
Poucos: narrativo, descritivo, expositivo, argumentativo, injuntivo e dialogalInúmeros: notícia, crônica, editorial, receita, bula, ofício, e-mail, charge
Definido por marcas linguísticas, como tempos verbais e conectivosDefinido pela função social, pelo suporte e pelo público

Um mesmo gênero costuma combinar vários tipos, o que se chama heterogeneidade tipológica. Uma crônica pode narrar um episódio, descrever um lugar e terminar com uma reflexão argumentativa. Nas questões, pede-se o tipo predominante.

Os tipos textuais e suas marcas

TipoFinalidadeMarcas linguísticas
NarrativoContar fatos que se sucedem no tempo, com personagens e espaçoVerbos de ação, em geral no pretérito perfeito; marcadores temporais, como "depois", "naquele dia"
DescritivoCaracterizar seres, objetos, lugares ou situaçõesAdjetivos, verbos de ligação, presente ou pretérito imperfeito; enumerações
ExpositivoInformar e explicar um tema, sem defender opiniãoLinguagem objetiva, definições, dados, verbos no presente, terceira pessoa
ArgumentativoDefender um ponto de vista para convencer o leitorTese, argumentos, conectivos de causa, oposição e conclusão; verbos de opinião
Injuntivo ou instrucionalOrientar o leitor a realizar uma açãoVerbos no imperativo ou no infinitivo, sequência de passos
DialogalReproduzir uma conversaFalas alternadas, marcas de interlocução, travessões ou aspas
Expositivo ou argumentativo? Pergunte se o autor defende uma posição. "O desmatamento aumentou 10% no último ano, segundo o órgão X" apenas informa, é expositivo. "O desmatamento precisa ser combatido com mais fiscalização, porque..." defende uma tese, é argumentativo. Muitas questões exploram essa distinção.

Elementos da narração e tipos de discurso

A narrativa tem enredo, a sequência de fatos, geralmente com situação inicial, complicação, clímax e desfecho; personagens; tempo; espaço; e narrador. O narrador pode ser em primeira pessoa, quando participa da história como personagem, ou em terceira pessoa, quando a observa de fora, e, nesse caso, pode ser observador ou onisciente, conhecendo os pensamentos das personagens. O discurso das personagens pode vir em forma direta, com a fala reproduzida, indireta, contada pelo narrador, ou indireta livre, quando a fala se mistura à narração sem marcas.

A dissertação argumentativa

O texto dissertativo-argumentativo, o mais cobrado nas redações de concurso, organiza-se em introdução, com a apresentação do tema e da tese; desenvolvimento, com os argumentos; e conclusão, que retoma a tese e, em alguns modelos, propõe soluções. Os tipos de argumento mais usados são:

  • Argumento de autoridade: cita um especialista ou instituição reconhecida.
  • Argumento por exemplificação: apresenta casos concretos.
  • Argumento por dados: usa estatísticas e pesquisas.
  • Argumento por causa e consequência: mostra as relações entre fatos.
  • Argumento por comparação: compara situações, épocas ou lugares.

A estrutura e os critérios de correção estão no guia de redação para concurso.

Gêneros textuais mais cobrados

GêneroCaracterísticas
NotíciaRelata um fato recente de forma objetiva, respondendo a o quê, quem, quando, onde, como e por quê
ReportagemAprofunda um tema, com pesquisa, entrevistas e dados
EditorialExpressa a opinião do veículo de comunicação, em geral sem assinatura
Artigo de opiniãoDefende o ponto de vista de um autor, que assina o texto
CrônicaTexto curto que parte de um fato cotidiano, com tom leve, reflexivo ou humorístico
ResenhaResume e avalia criticamente uma obra, como um livro ou filme
Carta do leitorManifestação de um leitor sobre uma publicação
Charge e tirinhaTextos que combinam imagem e palavra, a charge geralmente com crítica a um fato atual
Textos oficiaisOfícios, memorandos e despachos, com linguagem formal e impessoal

Os textos oficiais seguem o Manual de Redação da Presidência da República, tema do guia de redação oficial.

As seis funções da linguagem

As funções da linguagem mostram em que elemento da comunicação o texto se concentra:

FunçãoFocoOnde aparece
Referencial ou denotativaA informação, o assuntoNotícias, textos científicos e didáticos
Emotiva ou expressivaO emissor e seus sentimentosDiários, cartas pessoais, poemas líricos
Conativa ou apelativaO receptor, que se quer convencer ou orientarPropagandas, discursos, textos com imperativo
FáticaO canal, a manutenção do contato"Alô?", "Está me ouvindo?", cumprimentos
MetalinguísticaO próprio códigoDicionários, gramáticas, um poema que fala sobre poesia
PoéticaA própria mensagem, sua forma e seu arranjoPoemas, slogans criativos, textos com jogos de palavras

Um texto pode ter mais de uma função, mas uma costuma predominar. Uma propaganda, por exemplo, é predominantemente conativa, mas pode usar recursos poéticos.

Como identificar o tipo predominante

Para identificar o tipo predominante de um trecho, observe primeiro a finalidade: contar, caracterizar, explicar, convencer ou orientar. Depois, confirme pelas marcas linguísticas: sequência de ações no passado indica narração; acúmulo de adjetivos e verbos de estado indica descrição; definições e dados sem opinião indicam exposição; tese, conectivos argumentativos e verbos como "defender" e "acreditar" indicam argumentação; e verbos no imperativo indicam injunção. Se o texto mistura tipos, pergunte qual deles organiza o conjunto e serve ao objetivo principal do autor.

Intertextualidade

A intertextualidade é o diálogo de um texto com outro. Pode ocorrer por citação, com reprodução literal e indicação da fonte; por paráfrase, que reescreve o texto original com outras palavras, mantendo o sentido; por paródia, que retoma um texto conhecido para criticá-lo ou produzir humor; e por alusão, uma referência indireta a outro texto ou fato. As charges e as propagandas usam muito esse recurso, e as questões costumam pedir a identificação do texto retomado e do efeito produzido.

Gêneros digitais nas provas mais recentes

As provas mais recentes também trazem gêneros do ambiente digital, como postagens em redes sociais, comentários, e-mails, mensagens instantâneas, memes e infográficos. Nesses textos, é comum a mistura de linguagem verbal e não verbal e a presença de marcas de informalidade. A análise segue os mesmos princípios: identificar a finalidade, o público e o tipo predominante.

Exercícios com respostas comentadas

  1. "Misture a farinha e os ovos e leve ao forno por 30 minutos." Qual o tipo predominante?
  2. Texto sem assinatura, na página de opinião de um jornal, defendendo a redução de impostos. Qual o gênero?
  3. "O quarto era pequeno, escuro e úmido." Qual o tipo?
  4. Um verbete de dicionário que define a palavra "palavra". Qual a função da linguagem?

Respostas: 1. Injuntivo. 2. Editorial. 3. Descritivo. 4. Metalinguística.

Revisão rápida dos pontos cobrados

Antes da prova, confira: tipo é estrutura, e gênero é forma social; os gêneros combinam tipos; narração usa pretérito e marcadores de tempo; descrição usa adjetivos; exposição informa sem opinar; argumentação defende tese; injunção usa imperativo; editorial não é assinado, e artigo de opinião é; e a função conativa foca o receptor, a metalinguística, o código, e a poética, a própria mensagem.

Como o tema cai em prova

As pegadinhas mais comuns confundem tipo e gênero, texto expositivo e argumentativo, editorial e artigo de opinião, função emotiva e conativa, ou afirmam que um gênero tem um único tipo. Treine identificando o tipo predominante e a finalidade dos textos das provas, e registre as confusões no caderno de erros. Os recursos que ligam as partes do texto estão no guia de coesão e coerência.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre tipo e gênero textual?

Tipo textual é a estrutura, a sequência predominante, como narração, descrição, dissertação e injunção, e são poucos. Gênero textual é a forma concreta que o texto assume na sociedade, como notícia, editorial, crônica e receita, e são inúmeros.

Qual a diferença entre texto expositivo e argumentativo?

O expositivo apresenta e explica informações sobre um tema, sem defender um ponto de vista. O argumentativo defende uma tese com argumentos, com o objetivo de convencer o leitor.

Qual a diferença entre editorial e artigo de opinião?

Os dois são argumentativos. O editorial expressa a opinião do próprio veículo de comunicação e, em geral, não é assinado. O artigo de opinião é assinado por um autor, que responde pelas ideias defendidas.

SOS Concursos
Equipe SOS Concursos

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