Atualizado em 25 de setembro de 2026.

Redação oficial é a forma como o poder público escreve seus atos normativos e suas comunicações. A referência para o tema é o Manual de Redação da Presidência da República, cuja terceira edição foi publicada em 2018. O conteúdo é cobrado em Português e em matérias de administração, principalmente em concursos federais e de tribunais, e as questões se concentram em poucos pontos: os atributos da redação oficial, os pronomes de tratamento, os vocativos, os fechos e a estrutura do padrão ofício.

Este guia resume o que mais cai. Para as regras gramaticais dos pronomes, que aparecem nas mesmas questões, veja o guia de pronomes e colocação pronominal.

Os atributos da redação oficial

O manual lista as qualidades que as comunicações oficiais devem ter:

  • Clareza e precisão: o texto deve ser entendido sem esforço e sem ambiguidades.
  • Objetividade: ir direto ao assunto, sem rodeios.
  • Concisão: transmitir o máximo de informação com o mínimo de palavras, sem prejudicar a clareza.
  • Coesão e coerência: ideias bem ligadas e sem contradições.
  • Impessoalidade: a comunicação é feita em nome do serviço público, sem impressões pessoais, e se dirige ao cidadão ou ao órgão de forma impessoal.
  • Formalidade e padronização: linguagem formal e formatos padronizados.
  • Uso da norma-padrão da língua portuguesa.

A impessoalidade da redação oficial decorre do princípio constitucional de mesmo nome, explicado no guia de princípios da administração pública.

Pronomes de tratamento

PronomePara quemVocativo
Vossa ExcelênciaAltas autoridades dos três Poderes, como Presidente, ministros, parlamentares, magistrados, governadores e prefeitos"Excelentíssimo Senhor" + cargo, só para chefes de Poder; "Senhor" + cargo, para as demais
Vossa SenhoriaDemais autoridades e particulares"Senhor" + cargo ou nome
Vossa MagnificênciaReitores de universidades"Magnífico Reitor"
Vossa SantidadePapa"Santíssimo Padre"
  • Concordância: os pronomes de tratamento levam o verbo e os pronomes para a terceira pessoa. "Vossa Excelência solicitou que seu pedido fosse analisado."
  • Vossa e Sua: usa-se "Vossa" ao se dirigir diretamente à autoridade e "Sua" ao falar sobre ela.
  • Formas dispensadas: o manual dispensa "Digníssimo" e "Ilustríssimo". "Doutor" não é forma de tratamento, mas título acadêmico, e não deve ser usado indiscriminadamente.

Vocativo e endereçamento

O vocativo "Excelentíssimo Senhor" é reservado aos chefes de Poder: "Excelentíssimo Senhor Presidente da República", "Excelentíssimo Senhor Presidente do Congresso Nacional", "Excelentíssimo Senhor Presidente do Supremo Tribunal Federal". Para as demais autoridades tratadas por Vossa Excelência, usa-se "Senhor" seguido do cargo: "Senhor Senador", "Senhor Ministro", "Senhor Juiz". No endereçamento do documento, a fórmula é "A Sua Excelência o Senhor" seguida do nome e do cargo.

Fechos

  • Respeitosamente: para autoridades de hierarquia superior à do remetente, inclusive o Presidente da República.
  • Atenciosamente: para autoridades de mesma hierarquia, de hierarquia inferior e para particulares.

Comunicações dirigidas a autoridades estrangeiras seguem o rito e a tradição próprios, conforme o manual. A troca entre os dois fechos é a pegadinha mais comum do tema.

O padrão ofício

O manual adota uma diagramação comum para os expedientes oficiais, chamada de padrão ofício. Suas partes principais são:

  1. Cabeçalho, com o brasão e a identificação do órgão;
  2. Identificação do expediente, com tipo, número e sigla do órgão;
  3. Local e data, por extenso, alinhados à direita;
  4. Endereçamento, com vocativo de endereçamento, nome, cargo e endereço;
  5. Assunto, resumindo o teor do documento;
  6. Vocativo, seguido de vírgula;
  7. Texto, com introdução, desenvolvimento e conclusão, seguindo as regras de formatação de parágrafos do manual;
  8. Fecho;
  9. Identificação do signatário, com nome e cargo.

Detalhes de formatação, como fonte, tamanho e margens, também estão no manual e costumam aparecer em provas de nível técnico.

Outros documentos

  • Exposição de motivos: dirigida ao Presidente da República por ministros, para propor uma medida, submeter um projeto de ato normativo ou informar sobre um assunto.
  • Mensagem: comunicação oficial entre o chefe do Poder Executivo e o Poder Legislativo, como no envio de projetos de lei e na apresentação de vetos.
  • Correio eletrônico: o manual reconhece o e-mail como forma de comunicação oficial, que deve seguir os atributos da redação oficial.

Linguagem: o que evitar

  • Jargões técnicos sem explicação, quando o destinatário é o cidadão;
  • Gírias, regionalismos e expressões coloquiais;
  • Adjetivos e advérbios que expressem opinião pessoal;
  • Fórmulas desgastadas e frases feitas, como "venho por meio deste";
  • Períodos muito longos, que comprometem a clareza.

Um exemplo comentado

Veja um trecho de ofício com erros típicos e a correção:

  • "Excelentíssimo Senhor Ministro," Inadequado: "Excelentíssimo" é reservado aos chefes de Poder. Correto: "Senhor Ministro,".
  • "Venho por meio deste solicitar a Vossa Excelência..." Inadequado: fórmula desgastada. Melhor: "Solicito a Vossa Excelência...".
  • "...que Vossa Excelência analiseis o pedido." Errado: com pronome de tratamento, o verbo vai para a terceira pessoa. Correto: "que Vossa Excelência analise o pedido".
  • "Atenciosamente," dirigido a autoridade superior. Inadequado: o fecho correto é "Respeitosamente,".

A impessoalidade na prática

A impessoalidade da redação oficial tem três dimensões, segundo o manual: a ausência de impressões individuais de quem comunica, porque a comunicação é feita em nome do serviço público; a impessoalidade de quem recebe, porque o destinatário é o cidadão ou o órgão, e não uma pessoa em particular; e o caráter impessoal do próprio assunto tratado, sempre ligado ao interesse público. Por isso, a redação oficial evita expressões afetivas, elogios pessoais e juízos de valor.

Atos normativos

Além das comunicações, o manual trata da redação de atos normativos, como leis, decretos e portarias, com base na Lei Complementar nº 95/1998, que dispõe sobre a elaboração, a redação e a alteração das leis. Entre as regras estão a divisão em artigos, parágrafos, incisos, alíneas e itens, a numeração ordinal até o nono artigo e cardinal a partir do décimo, e a cláusula de vigência. Essa estrutura é a mesma que o candidato encontra ao estudar lei seca, como explica o guia de como estudar lei seca.

Revisão rápida dos pontos mais cobrados

Antes da prova, confira: sete atributos da redação oficial; Vossa Excelência para altas autoridades e Vossa Senhoria para as demais; "Excelentíssimo" só para chefes de Poder; verbo na terceira pessoa com pronome de tratamento; "Respeitosamente" para superiores e "Atenciosamente" para os demais; e dispensa de "Digníssimo" e "Ilustríssimo".

Os documentos oficiais são parte da comunicação formal da organização, tema do guia de comunicação organizacional.

Como estudar

Leia o manual nas partes sobre comunicações oficiais e pronomes de tratamento, que concentram a maior parte das questões. Depois, pegue exemplos reais de ofícios publicados por órgãos públicos e identifique cada parte do padrão ofício. Por fim, resolva questões da sua banca, anotando no caderno de erros as trocas de vocativo, fecho e pronome em que errar. Como o conteúdo é limitado e muito padronizado, poucas sessões de estudo costumam bastar para acertar a maioria das questões.

O e-mail como comunicação oficial

O manual reconhece o correio eletrônico como forma de comunicação oficial, desde que siga os atributos da redação oficial. O campo de assunto deve ser preenchido de forma a facilitar a organização documental, o texto deve ser formal e objetivo, e os arquivos anexados devem ser mencionados na mensagem. Para ter valor documental, o e-mail pode exigir certificação digital, conforme as regras aplicáveis. Questões recentes costumam cobrar essas orientações, porque o e-mail se tornou o meio mais usado nas comunicações entre órgãos.

Atenção às edições do manual

O Manual de Redação da Presidência teve três edições, e a terceira, de 2018, trouxe mudanças em relação às anteriores, como a atualização das orientações sobre comunicações eletrônicas e a padronização dos expedientes. Materiais antigos podem trazer regras da edição anterior. Na dúvida, confira sempre no texto atual do manual, e verifique qual edição o edital do seu concurso indica.

Como o tema cai em prova

As questões costumam apresentar trechos de ofícios e pedir a identificação de erros, como vocativo inadequado, fecho trocado, pronome de tratamento com verbo na segunda pessoa ou uso de "Digníssimo". Também pedem a correspondência entre atributos e exemplos. Como o manual é público e gratuito, a leitura dos capítulos sobre comunicações oficiais é o melhor estudo; o endereço está nas fontes desta página. Para treinar a escrita formal, o guia de redação para concurso ajuda com a estrutura e a coesão.

Perguntas frequentes

Qual fecho usar em comunicações oficiais?

'Respeitosamente' para autoridades de hierarquia superior, inclusive o Presidente da República, e 'Atenciosamente' para autoridades de mesma hierarquia, de hierarquia inferior e particulares.

Quando se usa 'Excelentíssimo Senhor'?

Apenas no vocativo dirigido aos chefes de Poder, como o Presidente da República. Para as demais autoridades, usa-se 'Senhor' seguido do cargo.

Ainda se usa 'Ilustríssimo' e 'Digníssimo'?

Não. O Manual de Redação da Presidência dispensa essas formas nas comunicações oficiais.

SOS Concursos
Equipe SOS Concursos

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