Atualizado em 25 de setembro de 2026.

A redação é a etapa que mais surpreende candidatos bem preparados na prova objetiva. Em muitos concursos, ela é eliminatória e só é corrigida para quem vai bem na objetiva, o que significa que um texto fraco pode anular meses de estudo. A maioria das bancas pede um texto dissertativo-argumentativo: o candidato defende uma posição sobre um tema, com argumentos organizados e linguagem formal. A boa notícia é que redação se aprende com estrutura e treino, e não com talento.

Este guia apresenta a estrutura do texto, o que a banca costuma avaliar, as situações que zeram a nota e um plano de treino. Para provas com questões técnicas, veja também o guia de prova discursiva.

Comece pelo edital

Os critérios mudam de uma banca para outra, e o edital é a fonte definitiva. Antes de treinar, procure no edital: o tipo de texto exigido, os números mínimo e máximo de linhas, se o título é obrigatório, os critérios de correção com os pontos de cada um, a nota mínima para aprovação e quantos candidatos terão a redação corrigida. No concurso do Banco do Brasil, por exemplo, a redação só foi corrigida para parte dos classificados na objetiva.

A estrutura do texto

Introdução

Apresente o tema e a sua tese, ou seja, a posição que o texto vai defender. Uma boa introdução tem de três a cinco linhas: contextualiza o assunto em uma frase e anuncia a tese na seguinte. Evite começar com perguntas retóricas, frases feitas ou definições de dicionário.

Desenvolvimento

Use dois ou três parágrafos, cada um com um argumento. A estrutura de cada parágrafo é simples: uma frase que apresenta o argumento, duas ou três frases que o fundamentam com exemplo, dado, lei ou consequência, e uma frase que liga o argumento à tese. Parágrafos com vários argumentos misturados costumam perder pontos em organização.

Conclusão

Retome a tese e feche o raciocínio, sem trazer argumentos novos. Diferente do ENEM, a maioria dos concursos não exige proposta de intervenção, mas indicar um caminho ou uma consequência costuma deixar o fechamento mais forte. Se o edital pedir proposta, ela passa a ser obrigatória.

O que a banca avalia

Os nomes variam, mas os critérios costumam se agrupar em três blocos:

  • Conteúdo e adequação ao tema: o texto responde ao que foi pedido, com argumentos pertinentes e bem fundamentados.
  • Estrutura e organização: introdução, desenvolvimento e conclusão claros, parágrafos bem construídos, coesão entre as ideias e coerência do raciocínio.
  • Domínio da norma-padrão: ortografia, acentuação, concordância, regência, pontuação e colocação pronominal.

O último bloco depende dos temas de gramática estudados para a objetiva, como vírgula, concordância e crase. Estudar gramática também é estudar redação.

Situações que costumam zerar a redação

  • Fuga total ao tema: escrever sobre outro assunto.
  • Tipo de texto diferente do pedido, como narração no lugar de dissertação.
  • Texto abaixo do mínimo de linhas ou em branco.
  • Identificação do candidato fora do local permitido, como assinatura ou nome no corpo do texto.
  • Letra ilegível ou texto escrito a lápis, quando vedado.
  • Cópia dos textos motivadores ou texto sem autoria própria.
Tangenciar não é fugir: tratar o tema de forma superficial ou parcial costuma reduzir a nota, mas não zera. A fuga total, sim. Por isso, releia o tema antes de escrever cada parágrafo.

Planejamento na hora da prova

  1. Leia a proposta duas vezes e sublinhe o recorte do tema. "A tecnologia no serviço público" é diferente de "os desafios da inclusão digital no atendimento ao cidadão".
  2. Defina a tese em uma frase.
  3. Escolha dois ou três argumentos e anote um exemplo para cada.
  4. Escreva o rascunho, se houver tempo, ou pelo menos um esquema.
  5. Revise procurando erros de concordância, vírgulas entre sujeito e verbo e repetições.
  6. Passe a limpo com letra legível, respeitando as margens e o número de linhas.

Reserve de 40 a 60 minutos para a redação, conforme a extensão exigida, e decida antes da prova em que momento vai escrevê-la. Muitos candidatos preferem fazer a redação depois de resolver as questões mais rápidas da objetiva.

Repertório: de onde tirar argumentos

Argumentos fortes vêm de dados, leis, exemplos concretos e consequências. Para concursos, a Constituição, as leis estudadas e o funcionamento do serviço público são um repertório valioso, porque se ligam naturalmente aos temas mais comuns, como tecnologia, cidadania, meio ambiente, educação, saúde, segurança e ética. A leitura diária de notícias, sugerida no guia de atualidades, amplia esse repertório. Evite citações decoradas que não se ligam ao tema: elas não substituem o argumento.

Coesão: os conectivos certos

Os conectivos ligam as ideias e mostram a relação entre elas. Para adicionar: além disso, ademais. Para opor: no entanto, contudo, embora. Para concluir: portanto, assim, desse modo. Para explicar a causa: porque, visto que, uma vez que. Usar o conectivo errado muda o sentido do texto; repetir sempre o mesmo empobrece a escrita. Os pronomes também fazem a coesão, retomando ideias sem repetir palavras.

Um exemplo de planejamento

Suponha o tema "O uso de tecnologia para melhorar o atendimento ao cidadão no serviço público". Um planejamento possível:

  • Tese: a tecnologia pode ampliar o acesso e a eficiência do atendimento, desde que acompanhada de inclusão digital e proteção de dados.
  • Argumento 1: serviços digitais reduzem filas e custos, em linha com o princípio da eficiência. Exemplo: agendamentos e solicitações feitos pela internet.
  • Argumento 2: parte da população não tem acesso ou habilidade digital, o que exige canais alternativos e apoio presencial.
  • Argumento 3: o tratamento de dados do cidadão exige segurança e respeito à lei de proteção de dados.
  • Conclusão: retomar a tese, destacando que a tecnologia é meio, e não fim, para um atendimento melhor.

Repare que os argumentos usam conteúdo das próprias matérias do concurso, como princípios da administração e LGPD. Esse é o tipo de repertório que dá consistência ao texto sem exigir citações decoradas.

Linguagem: o que evitar no texto

  • Primeira pessoa, como "eu acho" e "na minha opinião", salvo se o edital permitir.
  • Gírias, abreviações e marcas de oralidade, como "tipo" e "né".
  • Generalizações absolutas, como "todos" e "nunca", que enfraquecem o argumento.
  • Frases muito longas, que multiplicam os erros de pontuação e de concordância.
  • Clichês, como "nos dias de hoje" e "desde os primórdios", que ocupam linhas sem acrescentar conteúdo.

Checklist de revisão antes de passar a limpo

Antes de passar a limpo, confira: a tese está clara na introdução; cada parágrafo de desenvolvimento tem um argumento só; a conclusão retoma a tese sem argumento novo; não há vírgula entre sujeito e verbo; os verbos concordam com os sujeitos; os conectivos expressam a relação certa entre as ideias; e o texto respeita o número mínimo e máximo de linhas. Essa revisão leva poucos minutos e evita a maior parte dos descontos.

Temas mais frequentes nas provas

Os temas variam, mas alguns eixos aparecem com frequência: tecnologia e serviço público, ética e transparência, meio ambiente e sustentabilidade, educação, saúde, segurança pública, desigualdade e cidadania. Em concursos de áreas específicas, os temas costumam se ligar à atuação do órgão, como trânsito nos DETRANs, sistema financeiro nos bancos e justiça nos tribunais. Montar um esquema de argumentos para cada um desses eixos, com um exemplo concreto para cada, é um treino eficiente e barato nas semanas antes da prova.

Os recursos que ligam frases e parágrafos, como pronomes e conectivos, e os critérios de coerência estão no guia de coesão e coerência.

Um plano de treino

  1. Uma redação por semana, com tempo cronometrado e folha de linhas igual à da prova.
  2. Correção pelos critérios do edital, feita por você depois de um dia, por um colega ou por um corretor.
  3. Reescrita dos parágrafos mais fracos, que é onde está o maior aprendizado.
  4. Registro dos erros recorrentes no caderno de erros, para revisar antes da próxima redação.

Nos simulados, faça a redação no mesmo tempo da prova real, depois da parte objetiva. Escrever cansado é diferente de escrever descansado, e só o treino nas condições reais prepara para isso.

Perguntas frequentes

Redação de concurso precisa de proposta de intervenção?

Em geral, não. A proposta de intervenção é exigência típica do ENEM. Nos concursos, a conclusão costuma retomar a tese, mas é o edital que define os critérios.

O que zera a redação em concurso?

Situações comuns são fuga total ao tema, texto em branco ou abaixo do mínimo de linhas, identificação do candidato fora do local permitido e letra ilegível, conforme o edital.

Quantos parágrafos deve ter a redação?

Uma estrutura comum tem de quatro a cinco parágrafos: introdução, dois ou três de desenvolvimento e conclusão, adaptada ao número de linhas exigido.

SOS Concursos
Equipe SOS Concursos

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