Atualizado em 25 de setembro de 2026.

Pronomes são palavras que substituem ou acompanham os nomes e indicam as pessoas do discurso. Em concursos, o tema aparece de duas formas principais: o emprego dos pronomes, como escolher entre "este" e "esse" ou usar corretamente "cujo", e a colocação pronominal, que define a posição do pronome oblíquo átono em relação ao verbo, antes, no meio ou depois dele. As duas partes são cobradas com frequência, sozinhas ou em questões de reescrita.

Este guia reúne os tipos de pronome mais cobrados e as regras de próclise, mesóclise e ênclise. Para os temas de Português que costumam aparecer nas mesmas questões, veja os guias de regência verbal e de concordância verbal.

Pronomes pessoais

PessoaRetoOblíquo átonoOblíquo tônico
1ª do singulareumemim, comigo
2ª do singulartuteti, contigo
3ª do singularele, elase, o, a, lhesi, consigo, ele, ela
1ª do pluralnósnosnós, conosco
2ª do pluralvósvosvós, convosco
3ª do pluraleles, elasse, os, as, lhessi, consigo, eles, elas
  • "Para eu fazer" ou "para mim fazer"? Quando o pronome é sujeito de um verbo no infinitivo, usa-se o reto: "Trouxe o livro para eu ler". Sem verbo depois, usa-se o oblíquo: "Trouxe o livro para mim".
  • "Entre mim e você": depois de preposição, usa-se o oblíquo tônico. "Entre eu e você" está errado.
  • "O" e "lhe": "o" substitui objeto direto; "lhe" substitui objeto indireto de pessoa. "Vi o diretor" vira "vi-o"; "obedeci ao diretor" vira "obedeci-lhe". A escolha depende da regência do verbo.

Pronomes de tratamento

Os pronomes de tratamento, como Vossa Excelência, Vossa Senhoria e Vossa Majestade, referem-se à segunda pessoa, a quem se fala, mas levam o verbo e os pronomes para a terceira pessoa: "Vossa Excelência decidiu sobre seu pedido". Usa-se "Vossa" ao falar diretamente com a pessoa e "Sua" ao falar sobre ela: "Sua Excelência, o ministro, chegou". Esses pronomes são muito cobrados em questões de redação oficial.

Pronomes demonstrativos

UsoEste, esta, istoEsse, essa, issoAquele, aquela, aquilo
EspaçoPerto de quem falaPerto de quem ouveLonge dos dois
TempoPresentePassado ou futuro próximosPassado ou futuro distantes
TextoAnuncia o que vai ser ditoRetoma o que já foi ditoRetoma o termo mais distante numa enumeração

No texto, a regra mais cobrada é: "este" aponta para frente, e "esse", para trás. "O problema é este: faltou planejamento." "Faltou planejamento. Esse foi o problema." Numa enumeração de dois termos, "este" retoma o mais próximo, e "aquele", o mais distante: "Estudei Português e Matemática; esta foi mais difícil que aquele".

Pronomes relativos

  • Que: o mais usado, retoma pessoas ou coisas. "O edital que saiu ontem."
  • Quem: retoma pessoas e costuma vir com preposição. "A pessoa a quem me referi."
  • O qual e variações: equivalem a "que", muito usados depois de preposições. "A lei à qual obedecemos."
  • Cujo e variações: indicam posse e concordam com o termo seguinte. Nunca são seguidos de artigo: "O candidato cuja nota foi a maior", e não "cuja a nota".
  • Onde: indica lugar físico. "A cidade onde moro." Para tempo ou situação, prefere-se "em que" ou "no qual": "O momento em que decidi estudar".

Colocação pronominal

A colocação dos pronomes oblíquos átonos segue três posições:

  • Próclise: antes do verbo. "Não me disseram nada."
  • Mesóclise: no meio do verbo, só no futuro do presente e do pretérito. "Far-se-á a prova."
  • Ênclise: depois do verbo. "Disseram-me a verdade."

Quando a próclise é obrigatória

A próclise é obrigatória quando há, antes do verbo, uma palavra que "atrai" o pronome:

  • Palavras negativas: não, nunca, jamais, ninguém. "Nunca se esqueça do prazo."
  • Advérbios, sem vírgula depois: "Aqui se estuda."
  • Pronomes relativos, indefinidos e demonstrativos: "O candidato que se inscreveu"; "Alguém me avisou".
  • Conjunções subordinativas: "Quando me chamaram, fui."
  • Frases exclamativas e optativas: "Deus o abençoe!"

Quando usar ênclise e mesóclise

  • Início de frase: na norma-padrão, não se inicia frase com pronome oblíquo átono. "Me disseram" é comum na fala, mas a forma padrão é "Disseram-me".
  • Imperativo afirmativo: "Faça-o agora."
  • Gerúndio e infinitivo impessoal, sem palavra atrativa: "Saiu, deixando-nos sozinhos".
  • Futuro do presente e do pretérito, sem palavra atrativa: mesóclise. "Realizar-se-á a prova." Com palavra atrativa, próclise: "Não se realizará a prova".
Regra que não tem exceção: não se usa ênclise com verbo no particípio. "Tinha feito-me" está errado; o correto é "tinha-me feito" ou, com palavra atrativa, "não me tinha feito".

Colocação pronominal nas locuções verbais

Nas locuções verbais, formadas por verbo auxiliar e verbo principal, há mais de uma posição possível, conforme a forma do verbo principal:

  • Auxiliar com infinitivo ou gerúndio: o pronome pode vir depois do auxiliar ou depois do principal. "Quero-lhe falar" ou "Quero falar-lhe". Com palavra atrativa, também antes do auxiliar: "Não lhe quero falar".
  • Auxiliar com particípio: o pronome fica junto do auxiliar, nunca depois do particípio. "Tinha-lhe falado" ou, com palavra atrativa, "Não lhe tinha falado".

No português do Brasil, é comum a próclise ao verbo principal, como em "Quero lhe falar", sem hífen. Muitas gramáticas aceitam essa forma, mas as bancas mais tradicionais podem exigir as posições acima.

Exemplos comentados

  1. "Me empresta o livro?" Inadequado na norma-padrão: início de frase. Forma padrão: "Empresta-me o livro?".
  2. "Ninguém avisou-me." Errado: "ninguém" é palavra atrativa. Correto: "Ninguém me avisou".
  3. "Dir-lhe-ei a verdade." Correto: futuro do presente sem palavra atrativa, com mesóclise.
  4. "O servidor cujo o processo foi arquivado." Errado: "cujo" não admite artigo depois. Correto: "cujo processo".
  5. "A época onde tudo começou." Inadequado: "onde" indica lugar. Melhor: "a época em que tudo começou".

Revisão rápida dos pontos mais cobrados

Antes da prova, confira: "para eu fazer" com verbo, "para mim" sem verbo; "entre mim e você"; "o" para objeto direto, "lhe" para indireto; pronomes de tratamento com verbo na terceira pessoa; "este" anuncia, "esse" retoma; "cujo" sem artigo; "onde" só para lugar; palavras atrativas pedem próclise; nada de pronome átono no início da frase; mesóclise no futuro sem atrativo; e nunca ênclise ao particípio.

Pronomes na redação e na prova discursiva

Na redação, os pronomes são a principal ferramenta de coesão: evitam repetições e ligam as ideias entre os parágrafos. O cuidado é garantir que cada pronome tenha um referente claro. Um "isso" que pode se referir a duas ideias diferentes deixa o texto ambíguo e costuma ser apontado pelos corretores. Ao revisar, verifique se cada pronome retoma exatamente o termo pretendido e se a colocação segue a norma-padrão, especialmente no início das frases.

Uma boa prática é ler o texto final procurando apenas os pronomes, um de cada vez, e perguntando a que termo cada um se refere.

Esse exercício, feito em poucos minutos no fim da prova, corrige ambiguidades que passariam despercebidas numa leitura corrida e melhora a nota em coesão.

Na dúvida sobre a colocação, prefira a próclise quando houver palavra atrativa e a ênclise no início da frase: essas duas regras resolvem a maioria dos casos.

As outras classes gramaticais, com as funções do QUE e do SE, estão no guia de classes de palavras.

Como o tema cai em prova

As questões costumam pedir a correção da colocação pronominal numa frase, avaliar se a troca de "este" por "esse" mantém a correção, corrigir o uso de "cujo" e "onde" ou substituir um termo por pronome oblíquo mantendo a regência. Em provas com redação oficial, os pronomes de tratamento aparecem com frequência. A leitura atenta do texto, com as técnicas do guia de interpretação de texto, ajuda nas questões de referência pronominal.

Como estudar

Memorize as palavras atrativas da próclise, a regra do "este" e do "esse" no texto e o uso de "cujo" sem artigo. Depois, resolva questões da sua banca e anote no caderno de erros cada caso em que errar. Pronomes é um tema com retorno rápido: com poucas sessões de estudo focado, a taxa de acerto costuma subir bastante.

Perguntas frequentes

Pode começar frase com pronome oblíquo?

Na norma-padrão, não se inicia frase com pronome oblíquo átono. O correto é 'Disseram-me a verdade', e não 'Me disseram a verdade'.

Qual a diferença entre este e esse?

No texto, 'este' anuncia o que ainda será dito, e 'esse' retoma o que já foi dito. No espaço, 'este' indica o que está perto de quem fala, e 'esse', perto de quem ouve.

É 'para eu fazer' ou 'para mim fazer'?

Para eu fazer. Quando o pronome é sujeito de um verbo no infinitivo, usa-se o pronome reto 'eu'.

SOS Concursos
Equipe SOS Concursos

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