Atualizado em 25 de setembro de 2026.
O exame físico e o posicionamento do paciente fazem parte da rotina da equipe de enfermagem e são temas frequentes nas provas de técnico de enfermagem e de enfermeiro, como as da SES TO e da Sesa AP. As questões costumam cobrar as técnicas propedêuticas, a ordem do exame do abdome, a escala de coma de Glasgow e as indicações de cada posição. Este guia resume os pontos mais cobrados. Os sinais vitais estão no guia de sinais vitais.
A anamnese
A anamnese, ou entrevista, precede o exame físico e reúne informações como a identificação do paciente, a queixa principal, a história da doença atual, os antecedentes pessoais e familiares, os hábitos de vida, as alergias e os medicamentos em uso. No processo de enfermagem, os dados da anamnese e do exame físico compõem a avaliação de enfermagem, base para o diagnóstico e o planejamento dos cuidados, tema do guia de ética e legislação de enfermagem.
As técnicas propedêuticas
- Inspeção: observação visual do corpo, da forma, da cor, da simetria e dos movimentos.
- Palpação: uso do tato para avaliar temperatura, textura, consistência, sensibilidade e presença de massas; pode ser superficial ou profunda.
- Percussão: golpes sobre a superfície do corpo para produzir sons que indicam a densidade das estruturas subjacentes.
- Ausculta: escuta dos sons produzidos pelo corpo, em geral com estetoscópio, como os ruídos respiratórios, as bulhas cardíacas e os ruídos intestinais.
A ordem usual é inspeção, palpação, percussão e ausculta. No exame do abdome, porém, a ordem é inspeção, ausculta, percussão e palpação, porque a palpação e a percussão podem alterar os ruídos hidroaéreos.
Os sons da percussão e os ruídos respiratórios
| Som | Onde é encontrado |
|---|---|
| Maciço | Órgãos sólidos, como o fígado, e áreas com líquido |
| Submaciço | Transição entre estruturas sólidas e com ar |
| Timpânico | Vísceras ocas com ar, como o estômago e o intestino |
| Claro pulmonar | Pulmão normal |
| Hipersonoro | Pulmão com excesso de ar, como no enfisema e no pneumotórax |
Na ausculta pulmonar, o som normal é o murmúrio vesicular. Entre os ruídos adventícios estão os sibilos, sons agudos e musicais comuns na asma; os roncos, sons graves relacionados a secreções nas vias aéreas maiores; os estertores ou crepitações, sons descontínuos relacionados a líquido nos alvéolos, como na pneumonia e no edema pulmonar; e o atrito pleural.
O exame físico geral
O exame físico geral avalia o estado geral, o nível de consciência, a fácies, a pele e as mucosas, quanto à hidratação e à coloração, como palidez, cianose e icterícia, a perfusão periférica e a presença de edema. O edema é avaliado pela pressão digital sobre a pele: se permanecer uma depressão, diz-se que há cacifo, ou sinal de Godet, e a intensidade costuma ser graduada em cruzes, de uma a quatro. A cianose, coloração azulada da pele e das mucosas, indica oxigenação inadequada, tema do guia de sondagens e oxigenoterapia.
A escala de coma de Glasgow
| Parâmetro | Pontuação |
|---|---|
| Abertura ocular | 4 espontânea; 3 ao estímulo verbal; 2 ao estímulo doloroso ou de pressão; 1 ausente |
| Resposta verbal | 5 orientada; 4 confusa; 3 palavras inapropriadas; 2 sons incompreensíveis; 1 ausente |
| Resposta motora | 6 obedece a comandos; 5 localiza a dor; 4 retirada ou flexão normal; 3 flexão anormal, ou decorticação; 2 extensão, ou descerebração; 1 ausente |
A pontuação total vai de 3 a 15. Em geral, o trauma cranioencefálico é classificado como leve de 13 a 15, moderado de 9 a 12 e grave de 3 a 8; pontuação igual ou inferior a 8 costuma indicar a necessidade de via aérea definitiva. A versão atualizada da escala inclui a avaliação da reatividade pupilar, que pode reduzir a pontuação final.
A avaliação das pupilas
As pupilas são avaliadas quanto ao tamanho, à simetria e à reação à luz. Pupilas de mesmo tamanho são isocóricas, e de tamanhos diferentes, anisocóricas. A midríase é a dilatação da pupila, e a miose, a sua contração. Pupilas fotorreagentes contraem-se diante da luz. A anisocoria de surgimento recente e as pupilas fixas e dilatadas podem indicar lesão neurológica grave.
As posições do paciente
| Posição | Descrição e usos |
|---|---|
| Decúbito dorsal ou supina | Deitado de costas; usada em exames e em repouso |
| Decúbito ventral ou prona | Deitado de bruços; usada em alguns exames e procedimentos e, em terapia intensiva, na insuficiência respiratória grave |
| Decúbito lateral | Deitado de lado, direito ou esquerdo; usada na mudança de decúbito |
| Fowler | Semissentado, com a cabeceira elevada em cerca de 45 a 60 graus; favorece a respiração e a alimentação |
| Semi-Fowler | Cabeceira elevada em cerca de 30 a 45 graus |
| Trendelenburg | Deitado de costas, com a cabeça mais baixa que os pés; usada em algumas cirurgias e procedimentos |
| Proclive ou Trendelenburg reverso | Cabeça mais alta que os pés, com o corpo reto |
| Sims | Decúbito lateral esquerdo, com a perna direita flexionada; usada em exames retais, lavagem intestinal e supositórios |
| Ginecológica ou litotomia | Decúbito dorsal com as pernas flexionadas e afastadas; usada em exame ginecológico, parto e sondagem vesical feminina |
| Genupeitoral | Apoiado sobre os joelhos e o peito; usada em exames retais e proctológicos |
| Ortopneica | Sentado, inclinado para a frente e apoiado; alivia a dispneia |
A mudança periódica de decúbito é fundamental na prevenção da lesão por pressão, tema do guia de lesão por pressão e curativos.
O posicionamento do paciente para a cirurgia e os cuidados do pós-operatório estão no guia de enfermagem perioperatória.
O registro do exame
Os achados do exame físico devem ser registrados de forma clara, objetiva e cronológica no prontuário, com terminologia técnica adequada, data, hora e identificação do profissional. As alterações devem ser comunicadas ao enfermeiro ou ao médico, conforme a situação, e os procedimentos devem respeitar a privacidade e o conforto do paciente, com a exposição apenas da área a ser examinada.
Como estudar
Memorize a ordem das técnicas e a exceção do abdome, os sons da percussão, a pontuação da escala de Glasgow e o quadro das posições, que são os pontos mais cobrados. Depois, treine o cálculo da escala de Glasgow em situações descritas e a associação entre cada posição e o seu uso.
Nas provas, é comum a banca descrever um procedimento e pedir a posição mais adequada para realizá-lo.
Exemplos de como cai
Afirmação: "No exame do abdome, a palpação deve ser realizada antes da ausculta." Errado. A ausculta vem antes da percussão e da palpação.
Afirmação: "Na escala de coma de Glasgow, a pontuação mínima é 3, e a máxima, 15." Certo. Cada parâmetro tem pontuação mínima de 1.
Afirmação: "A posição de Sims é o decúbito lateral direito com a perna esquerda flexionada." Errado. É o decúbito lateral esquerdo, com a perna direita flexionada.
Resumo para revisar antes da prova
Anamnese antes do exame físico; inspeção, palpação, percussão e ausculta, com inspeção, ausculta, percussão e palpação no abdome; sons maciço, submaciço, timpânico, claro pulmonar e hipersonoro; murmúrio vesicular e ruídos adventícios; estado geral, pele, mucosas e edema com cacifo; Glasgow com abertura ocular até 4, resposta verbal até 5 e motora até 6, total de 3 a 15 e grave de 3 a 8; pupilas isocóricas, anisocóricas, midriáticas, mióticas e fotorreagentes; posições dorsal, ventral, lateral, Fowler, semi-Fowler, Trendelenburg, proclive, Sims, ginecológica, genupeitoral e ortopneica; e registro claro no prontuário, com respeito à privacidade.
Perguntas frequentes
Qual a ordem do exame físico do abdome?
Inspeção, ausculta, percussão e palpação. A ausculta é feita antes da percussão e da palpação para não alterar os ruídos hidroaéreos. Nos demais segmentos, a ordem usual é inspeção, palpação, percussão e ausculta.
Como funciona a escala de coma de Glasgow?
Avalia a abertura ocular, de 1 a 4 pontos, a resposta verbal, de 1 a 5, e a resposta motora, de 1 a 6, com total de 3 a 15. Pontuação de 8 ou menos indica trauma cranioencefálico grave e costuma indicar a necessidade de via aérea definitiva.
O que é a posição de Sims?
É o decúbito lateral esquerdo com a perna direita flexionada sobre a esquerda, usada para exames retais, lavagem intestinal e administração de supositórios.

