A competência 5 avalia a proposta de intervenção. Vale 200 pontos, o mesmo que a gramática inteira, e é a mais mecânica das cinco: tem lista fechada de exigências e critério objetivo. É também onde mais gente perde ponto de graça.
O que ela avalia
Três coisas ao mesmo tempo. Se existe uma proposta de intervenção concreta. Se ela está articulada à discussão que o próprio texto desenvolveu. E se respeita os direitos humanos.
As três são independentes. Uma proposta impecável, com os cinco elementos, mas desconectada do que você argumentou, não alcança o topo. E uma proposta bem construída que fira os direitos humanos zera a competência inteira.
Os seis níveis
| Nota | Descrição aproximada |
|---|---|
| 200 | Proposta muito bem elaborada, detalhada, relacionada ao tema e articulada à discussão |
| 160 | Proposta bem elaborada, relacionada ao tema e articulada à discussão |
| 120 | Proposta mediana, relacionada ao tema, mas pouco articulada |
| 80 | Proposta insuficiente ou apenas vagamente relacionada ao tema |
| 40 | Proposta vaga, precária, ou apenas uma menção à necessidade de mudança |
| 0 | Ausência de proposta, ou proposta que desrespeita os direitos humanos |
A palavra que decide o topo é detalhada. Ela é o que separa 160 de 200, e corresponde, na leitura mais aceita da grade, ao quinto elemento: o detalhamento. Os outros quatro elementos — agente, ação, meio e efeito — costumam levar ao nível 160.
Cada elemento está destrinchado, com exemplos, no guia da proposta de intervenção.
O que zera esta competência
Duas situações. A primeira é a ausência total de proposta: o texto conclui sem sugerir nada, apenas resumindo o que já foi dito.
A segunda é o desrespeito aos direitos humanos. Desde 2018 isso não zera mais a redação inteira, mas anula os 200 pontos desta competência. Entram nessa categoria propostas que suprimem direitos fundamentais, defendem punições desumanas, promovem exclusão de grupos ou tratam pessoas como problema a ser removido.
Vale reler a própria conclusão com essa lente antes de entregar. É o erro mais caro que cabe em uma única linha.
Sua proposta entrega os cinco elementos ou para em quatro? É a diferença entre 160 e 200. O teste mede as cinco competências em 15 questões.
Testar minha competência 5Articulação: o critério que passa despercebido
Repare que a palavra "articulada" aparece em três dos seis níveis. Ela não é detalhe: é critério explícito.
Articular significa que a proposta resolve o problema que o seu texto discutiu. Se você argumentou que a causa é a omissão fiscalizatória do Estado, a intervenção precisa passar por fiscalização. Propor campanha educativa ali é entregar uma solução tecnicamente completa que não conversa com o próprio texto.
É por isso que o melhor momento de pensar na proposta não é a última linha, e sim o rascunho. Decidindo o agente e a ação antes de escrever, os dois desenvolvimentos podem preparar o terreno, e a articulação acontece sozinha.
Teste de articulação: leia apenas a sua tese e a sua proposta, ignorando o meio do texto. Se a solução responde diretamente à causa que a tese nomeou, está articulada. Se parecem tratar de problemas diferentes, não está.
Por que ela tem o melhor retorno das cinco
Três motivos concretos.
O primeiro é que o critério é objetivo. Diferente da competência 3, que avalia consistência argumentativa, aqui existe uma lista de elementos verificáveis. Você consegue conferir sozinho, item por item, se entregou tudo.
O segundo é que ela se aprende rápido. A lista dos cinco elementos se estuda em uma tarde. Já subir a competência 3 de 120 para 200 leva semanas.
O terceiro é que muita gente perde ponto aqui por descuido, não por desconhecimento: chega na linha 28 e escreve a conclusão espremida em duas linhas. Isso se resolve com gestão de espaço, não com estudo.
Se você está começando a organizar a preparação e não sabe por onde atacar, esta é a competência por onde começar.
O que trava cada nível
- Parou em 40: a conclusão só diz que algo precisa mudar, sem agente nem ação.
- Parou em 80: há uma ação, mas o agente é vago — "o governo", "as pessoas", "a sociedade".
- Parou em 120: agente e ação existem, mas a proposta não conversa com a causa que o texto apontou.
- Parou em 160: os quatro elementos estão lá e falta o detalhamento, ou o detalhamento é só um adjetivo.
Identificar em qual desses degraus você está é mais útil do que estudar a competência inteira de novo. Cada um tem uma correção específica e curta.
Perguntas frequentes
A proposta precisa vir na conclusão?
Não há regra que a prenda ao último parágrafo, mas é lá que ela funciona melhor: fecha o texto e aproveita a retomada como justificativa. Proposta espalhada pelo texto tende a ficar incompleta.
Ferir os direitos humanos zera a redação inteira?
Não. Desde 2018, anula apenas a competência 5, o que custa 200 pontos. As outras quatro seguem sendo avaliadas normalmente.
Posso propor mais de uma ação?
Pode, mas raramente compensa. Duas ações curtas costumam ficar sem detalhamento e consomem o espaço da retomada.
Um banco de agentes para ter na cabeça
Agente vago é o que mais trava esta competência no nível 80. Ter um mapa memorizado economiza um minuto na prova e resolve o problema:
- Educação: Ministério da Educação, secretarias estaduais, escolas, universidades públicas
- Saúde: Ministério da Saúde, SUS, secretarias municipais, conselhos de saúde
- Trabalho: Ministério do Trabalho e Emprego, sindicatos, Justiça do Trabalho
- Direitos: Defensoria Pública, Ministério Público, conselhos tutelares
- Informação: imprensa, plataformas digitais, bibliotecas públicas
- Norma: Congresso Nacional, câmaras municipais, agências reguladoras
Como conferir a sua proposta em trinta segundos
Passe o dedo pela conclusão procurando cinco respostas: quem, o quê, como, para quê e "como assim, exatamente". Se alguma das cinco não estiver no papel, você sabe onde está o ponto perdido.
Fazer isso na releitura vale mais do que parece: encontrar um elemento faltando e acrescentá-lo em uma linha pode valer 40 pontos por dois minutos de trabalho.
O detalhamento não é adjetivo
Vale insistir neste ponto, porque é a fronteira exata entre 160 e 200 e a mais mal compreendida da grade.
Qualificar não é detalhar. "Políticas públicas eficientes", "campanhas adequadas", "medidas de qualidade" — nenhuma dessas expressões acrescenta informação. São adjetivos que caberiam em qualquer proposta sobre qualquer tema.
Detalhar é responder a uma pergunta a mais sobre algo que você já disse: com que periodicidade, para qual público, com qual recurso, por onde começar, com que consequência em caso de descumprimento. Uma frase que traga qualquer uma dessas informações cumpre o papel.
A competência com melhor retorno das cinco
Critério objetivo, lista fechada de elementos e correção rápida. Descubra em qual degrau você está hoje, junto com as outras quatro competências.
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