A competência 3 avalia o projeto de texto: se as suas ideias formam um raciocínio que avança, ou se apenas se acumulam. É a mais difícil de treinar sozinho e a que mais separa os textos de 700 dos de 900.
O que é projeto de texto
É o planejamento das ideias e da ordem em que elas aparecem. Quais argumentos entram, qual vem primeiro, como um prepara o seguinte e como todos sustentam a mesma tese.
A competência 3 não mede quanto você sabe sobre o tema. Mede se você organizou o que sabe em defesa de um ponto de vista. Por isso um candidato com repertório vasto pode pontuar mal aqui, e um com repertório modesto pode pontuar alto.
Os três sinais que o corretor procura
Uma ideia central por parágrafo. Anunciada no tópico frasal e mantida até o ponto final. Empilhar dois argumentos no mesmo parágrafo faz com que nenhum receba desenvolvimento suficiente.
Análise, e não só informação. Depois do repertório precisa vir a frase que diz o que aquilo prova. Sem ela, o parágrafo vira colagem.
Progressão. Cada parágrafo acrescenta algo novo. Dois desenvolvimentos que dizem a mesma coisa com palavras diferentes valem como um só.
Teste do risco: apague mentalmente do seu parágrafo tudo que é citação, dado ou exemplo. O que sobrou é o seu raciocínio, e é isso que a competência 3 avalia. Se sobrou uma frase e meia, você encontrou o motivo da sua nota.
Os seis níveis
| Nota | Descrição aproximada |
|---|---|
| 200 | Informações e opiniões organizadas de forma consistente, configurando autoria |
| 160 | Bem organizadas, com indícios de autoria |
| 120 | Relacionadas ao tema, mas limitadas aos textos motivadores e pouco organizadas |
| 80 | Relacionadas ao tema, porém pouco organizadas |
| 40 | Desorganizadas ou contraditórias |
| 0 | Informações não relacionadas ao tema |
A palavra que decide o topo é autoria. Ela aparece duas vezes na escala e não significa escrever em primeira pessoa: significa que existe um raciocínio seu sobre o material apresentado.
A competência 3 é a mais difícil de avaliar sozinho, justamente porque você sabe o que quis dizer. O teste faz esse diagnóstico por você em 15 questões.
Medir minha competência 3Progressão e circularidade
Circularidade é o vício mais comum de quem escreve razoavelmente bem. O texto reformula a mesma ideia em cada parágrafo, com vocabulário diferente, e dá a impressão de estar desenvolvendo quando está apenas repetindo.
O diagnóstico é simples. Escreva em uma frase o argumento de cada desenvolvimento. Se as duas frases puderem ser trocadas de lugar sem prejuízo, não há progressão.
Pares que garantem avanço: causa e consequência, raiz histórica e manifestação atual, dimensão material e dimensão simbólica, omissão do poder público e reprodução cultural.
Autoria na prática
Autoria se manifesta em três lugares concretos do texto, e nenhum deles exige pronome de primeira pessoa.
- Na tese, quando você escolhe uma causa entre várias possíveis
- Na análise, quando você diz o que o repertório prova
- Na proposta, quando você escolhe um agente e uma ação em vez de outros
É a decisão que o corretor lê como autoria. Um texto que apenas reúne informações corretas, sem escolher nada, fica no meio da escala mesmo bem escrito.
Contradição, o erro que passa despercebido
Acontece quando o candidato muda de posição no meio do texto sem perceber. A tese acusa a omissão do Estado e o segundo desenvolvimento elogia a atuação estatal em outra frente. Cada parágrafo está bem escrito; juntos, se anulam.
A checagem leva vinte segundos: leia apenas a tese e os dois tópicos frasais, em sequência. Se os três não formam um raciocínio coerente, o texto está desmontado por baixo, por melhores que estejam as frases.
Como treinar
Escrever redações inteiras é o treino mais caro e menos eficiente para esta competência. Dois exercícios rendem muito mais.
O primeiro é o plano de cinco linhas: tese, os dois tópicos frasais, agente e ação da proposta. Leva dez minutos e treina exatamente a habilidade avaliada. Você faz seis planos no tempo de uma redação.
O segundo é o parágrafo isolado, cronometrado em doze minutos, cobrando de si os quatro movimentos. Depois aplique o teste do risco e veja quanto raciocínio próprio sobrou.
Faça dez de cada, com temas diferentes, antes de voltar a escrever textos completos. A estrutura passa a sair automática, e o tempo que você gastaria organizando sobra para a gramática e para a proposta.
Argumento raso e argumento consistente
A grade fala em argumentação consistente, e vale entender o que separa um argumento raso de um consistente, já que a diferença raramente é de tamanho.
Argumento raso afirma sem sustentar: "a violência cresce porque as pessoas perderam os valores". É explicação moral, não verificável, e não dá ao corretor nada para avaliar.
Argumento consistente aponta um mecanismo: quem faz o quê, e o que isso produz. "A ausência de fiscalização transfere ao trabalhador riscos que a lei atribuiria à empresa" descreve um processo concreto, e por isso pode ser sustentado com evidência.
Ao revisar um parágrafo, pergunte: existe aqui um mecanismo, ou só uma constatação com tom de explicação?
Por que ela é a mais difícil de treinar sozinho
Porque você sabe o que quis dizer. Ao reler o próprio texto, sua cabeça preenche as conexões que não estão no papel, e o parágrafo parece organizado quando não está.
Duas saídas ajudam. Corrigir com um dia de intervalo, o que restaura a distância de leitor. E trocar textos com alguém na mesma situação, corrigindo com a grade item por item, nunca com impressão geral.
Perguntas frequentes
Autoria significa escrever em primeira pessoa?
Não. Autoria é a presença do seu raciocínio sobre o material apresentado, e ela aparece na tese, na análise do repertório e na escolha da proposta. Nenhum desses exige pronome de primeira pessoa.
Posso usar três argumentos em vez de dois?
Pode, mas em 30 linhas raramente compensa. Três argumentos rasos perdem para dois aprofundados, porque a grade avalia consistência, não quantidade.
O que fazer quando o segundo argumento não vem
É a trava mais comum na hora da prova: o primeiro desenvolvimento sai fácil e o segundo não aparece. Três perguntas costumam destravar.
A primeira: se o meu primeiro argumento é estrutural, qual é a dimensão cultural do mesmo problema? A segunda: quem se beneficia da manutenção desse quadro? A terceira: o que aconteceu antes que explica o que acontece hoje?
Qualquer uma das três entrega um argumento genuinamente diferente do primeiro, e não uma reformulação dele. Vale ter as três memorizadas: elas funcionam para praticamente qualquer tema social.
A mais difícil de avaliar sozinho
Ao reler o próprio texto você preenche as conexões que não estão no papel. O teste faz esse diagnóstico por fora, em 15 questões.
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