Atualizado em 25 de setembro de 2026.

O Direito Internacional se divide em público, que regula as relações entre Estados, organizações internacionais e outros sujeitos de direito internacional, e privado, que resolve os conflitos de leis no espaço quando uma relação jurídica envolve mais de um país. É cobrado em concursos da magistratura, do Ministério Público, da Advocacia-Geral da União, da diplomacia, da Polícia Federal e da Receita Federal. Este guia resume os pontos mais cobrados. A proteção internacional dos direitos humanos está no guia de Direitos Humanos.

As fontes do Direito Internacional

O artigo 38 do Estatuto da Corte Internacional de Justiça é a referência sobre as fontes: os tratados internacionais, o costume internacional, como prova de uma prática geral aceita como direito, e os princípios gerais de direito, tendo a jurisprudência e a doutrina como meios auxiliares. Não há hierarquia rígida entre tratado e costume. A Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados, de 1969, regula a celebração, a interpretação e a extinção dos tratados, e consagra o princípio pacta sunt servanda, segundo o qual os tratados devem ser cumpridos de boa-fé.

A incorporação dos tratados no Brasil

  1. Negociação e assinatura: conduzidas pelo Poder Executivo, cabendo ao Presidente da República celebrar tratados, sujeitos a referendo do Congresso Nacional.
  2. Aprovação pelo Congresso: compete exclusivamente ao Congresso resolver definitivamente sobre tratados que acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional, o que é feito por decreto legislativo.
  3. Ratificação: ato internacional pelo qual o Presidente confirma o compromisso do Estado perante os demais.
  4. Promulgação e publicação: por decreto presidencial, que incorpora o tratado ao ordenamento interno.

A hierarquia dos tratados

Tipo de tratadoHierarquia
Direitos humanos aprovados em cada Casa do Congresso, em dois turnos, por três quintos dos votosEquivalentes às emendas constitucionais
Direitos humanos aprovados sem esse ritoSupralegais, acima das leis e abaixo da Constituição, segundo o STF
Demais tratadosLei ordinária
Supralegalidade e depositário infiel: foi pela tese da supralegalidade dos tratados de direitos humanos que o STF afastou a prisão civil do depositário infiel, porque o Pacto de São José da Costa Rica, com status supralegal, paralisou a eficácia da legislação que a regulamentava. O tema resultou na Súmula Vinculante 25, do guia de súmulas vinculantes.

Organizações internacionais e a ONU

A Organização das Nações Unidas tem como órgãos principais a Assembleia Geral, com todos os Estados-membros; o Conselho de Segurança, com cinco membros permanentes com poder de veto, Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e França, e dez membros rotativos, responsável pela manutenção da paz; a Corte Internacional de Justiça, com sede em Haia, que julga litígios entre Estados; o Secretariado; e o Conselho Econômico e Social. As organizações internacionais têm personalidade jurídica própria, distinta da dos Estados que as compõem.

Tribunal Penal Internacional

O Tribunal Penal Internacional, criado pelo Estatuto de Roma, julga indivíduos pelos crimes de genocídio, crimes contra a humanidade, crimes de guerra e crime de agressão. Sua jurisdição é complementar às jurisdições nacionais: atua quando o Estado não quer ou não pode julgar. A Constituição prevê que o Brasil se submete à jurisdição do Tribunal Penal Internacional a cuja criação tenha manifestado adesão.

Imunidade de jurisdição

Os Estados estrangeiros gozam de imunidade de jurisdição, mas ela é relativizada: há imunidade em relação aos atos de império, praticados no exercício da soberania, e não em relação aos atos de gestão, como contratos de trabalho com funcionários locais. A imunidade de execução, que protege os bens do Estado estrangeiro, é mais ampla. Os diplomatas têm imunidades próprias, previstas na Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas.

Extradição, asilo e refúgio

A extradição é a entrega de uma pessoa a outro Estado para ser processada ou cumprir pena, e é julgada originariamente pelo STF. O brasileiro nato nunca é extraditado; o naturalizado pode ser, em caso de crime comum praticado antes da naturalização ou de comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes; e não se concede extradição de estrangeiro por crime político ou de opinião. O asilo político é princípio das relações internacionais do Brasil, e o refúgio, regulado pela Lei 9.474/1997, protege quem sofre fundado temor de perseguição por motivos de raça, religião, nacionalidade, grupo social ou opiniões políticas, ou grave e generalizada violação de direitos humanos. O tema dialoga com o guia de nacionalidade.

A extradição e as demais medidas previstas na Lei 13.445/2017, como a deportação e a expulsão, estão no guia da Lei de Migração.

Direito Internacional Privado e a LINDB

A LINDB traz os elementos de conexão que indicam a lei aplicável: a lei do domicílio rege o começo e o fim da personalidade, o nome, a capacidade e os direitos de família; os bens são regidos pela lei do país em que estiverem situados; as obrigações, pela lei do país em que se constituírem; e a sucessão, pela lei do país em que era domiciliado o falecido, mas a sucessão de bens de estrangeiros situados no Brasil é regulada pela lei brasileira em benefício do cônjuge ou dos filhos brasileiros, sempre que não lhes seja mais favorável a lei pessoal do falecido. A sentença estrangeira precisa ser homologada pelo STJ para produzir efeitos no Brasil, e as cartas rogatórias dependem de exequatur do STJ. A LINDB está no guia de LINDB.

Solução pacífica de controvérsias

A Carta da ONU obriga os Estados a resolver as suas controvérsias por meios pacíficos. Os meios diplomáticos incluem a negociação direta, os bons ofícios, em que um terceiro aproxima as partes sem propor solução, a mediação, em que o terceiro participa ativamente e propõe soluções, e a conciliação. Os meios jurisdicionais incluem a arbitragem, em que as partes escolhem os árbitros e se comprometem com a decisão, e os tribunais internacionais, como a Corte Internacional de Justiça, cuja jurisdição depende do consentimento dos Estados.

Responsabilidade internacional do Estado

O Estado responde internacionalmente pelos atos ilícitos que lhe sejam atribuíveis, praticados por seus órgãos ou agentes, inclusive pelo Poder Legislativo e pelo Poder Judiciário, e tem o dever de reparar os danos causados. No sistema interamericano de direitos humanos, o Brasil já foi condenado pela Corte Interamericana em diversos casos, e as decisões da Corte têm efeito vinculante para o país.

Mercosul

O Mercado Comum do Sul, criado pelo Tratado de Assunção, de 1991, é um processo de integração regional entre países da América do Sul, com personalidade jurídica de direito internacional reconhecida pelo Protocolo de Ouro Preto. Seus objetivos incluem a livre circulação de bens, serviços e fatores produtivos e a adoção de uma tarifa externa comum. A Constituição prevê que o Brasil buscará a integração econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina.

Como estudar

Memorize as etapas da incorporação dos tratados, a hierarquia no ordenamento brasileiro, as regras da extradição e os elementos de conexão da LINDB, que são os pontos mais cobrados. Leia os artigos 4º, 5º, 49, 84, 102 e 105 da Constituição, que trazem as normas sobre relações internacionais.

Exemplos de como cai

Afirmação: "Os tratados de direitos humanos aprovados sem o rito especial têm status de lei ordinária." Errado. Segundo o STF, têm status supralegal.

Afirmação: "A homologação de sentença estrangeira compete ao STJ." Certo. É o que prevê a Constituição.

Afirmação: "O brasileiro nato pode ser extraditado por tráfico de drogas." Errado. O brasileiro nato nunca é extraditado.

Resumo para revisar antes da prova

Fontes do artigo 38 do Estatuto da CIJ; Convenção de Viena de 1969 e pacta sunt servanda; incorporação por assinatura, decreto legislativo, ratificação e decreto de promulgação; tratados de direitos humanos com rito especial equivalentes a emendas, demais de direitos humanos supralegais e comuns como lei ordinária; ONU com Conselho de Segurança de cinco membros permanentes; TPI complementar; imunidade relativa, sem proteção aos atos de gestão; extradição pelo STF, sem entrega do brasileiro nato; asilo e refúgio; e LINDB com domicílio, situação dos bens, lugar da obrigação e homologação de sentença estrangeira pelo STJ.

Perguntas frequentes

Qual a hierarquia dos tratados no Brasil?

Os tratados de direitos humanos aprovados pelo rito de emenda constitucional, em dois turnos e por três quintos em cada Casa, equivalem às emendas constitucionais; os demais tratados de direitos humanos têm status supralegal, segundo o STF; e os tratados comuns têm status de lei ordinária.

Quem julga a extradição no Brasil?

O STF, que processa e julga originariamente a extradição solicitada por Estado estrangeiro, conforme o artigo 102, I, g, da Constituição.

Qual lei rege a capacidade da pessoa em caso de conflito entre países?

Pela LINDB, a lei do país em que for domiciliada a pessoa determina as regras sobre o começo e o fim da personalidade, o nome, a capacidade e os direitos de família.

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