Atualizado em 25 de setembro de 2026.
Em Raciocínio Lógico, um argumento é um conjunto de afirmações, as premissas, que sustentam uma conclusão. As questões de concurso costumam pedir se um argumento é válido, qual conclusão decorre das premissas ou qual afirmação é necessariamente verdadeira. O segredo está em separar duas ideias que parecem iguais, mas não são: validade e verdade. Um argumento é válido quando, se as premissas forem verdadeiras, a conclusão for necessariamente verdadeira, independentemente de as premissas serem de fato verdadeiras no mundo real.
Este guia apresenta as proposições categóricas, os silogismos, as formas válidas e as falácias mais cobradas. A base de conectivos está no guia de tabela-verdade.
Validade não é verdade
Nas provas, a pergunta é quase sempre sobre a forma. Por isso, o conhecimento do mundo real pode atrapalhar: analise o argumento como se as premissas fossem verdadeiras, mesmo que pareçam absurdas.
Proposições categóricas
| Forma | Exemplo | Diagrama |
|---|---|---|
| Todo A é B | Todo servidor é concursado | O conjunto A está dentro de B |
| Nenhum A é B | Nenhum servidor é estrangeiro | A e B não se tocam |
| Algum A é B | Algum servidor é advogado | A e B têm pelo menos um elemento em comum |
| Algum A não é B | Algum servidor não é advogado | Há pelo menos um elemento de A fora de B |
Os diagramas de conjuntos, em que cada categoria é um círculo, são a ferramenta mais segura para resolver silogismos: desenhe as premissas e veja o que a figura obriga.
Silogismos
O silogismo clássico tem duas premissas e uma conclusão, com três termos. Exemplos válidos:
- "Todo A é B. Todo B é C. Logo, todo A é C."
- "Nenhum A é B. Todo C é A. Logo, nenhum C é B."
- "Todo A é B. Algum C é A. Logo, algum C é B."
Formas válidas com conectivos
| Nome | Forma | Exemplo |
|---|---|---|
| Modus ponens | Se P, então Q. P. Logo, Q. | Se estudo, passo. Estudei. Logo, passo. |
| Modus tollens | Se P, então Q. Não Q. Logo, não P. | Se chove, a rua molha. A rua não molhou. Logo, não choveu. |
| Silogismo hipotético | Se P, então Q. Se Q, então R. Logo, se P, então R. | Se estudo, aprendo. Se aprendo, passo. Logo, se estudo, passo. |
| Silogismo disjuntivo | P ou Q. Não P. Logo, Q. | Ou vou à biblioteca ou estudo em casa. Não fui à biblioteca. Logo, estudo em casa. |
As falácias mais cobradas
- Afirmação do consequente: "Se P, então Q. Q. Logo, P." Inválido. "Se chove, a rua molha. A rua molhou. Logo, choveu." A rua pode ter molhado por outro motivo.
- Negação do antecedente: "Se P, então Q. Não P. Logo, não Q." Inválido. "Se chove, a rua molha. Não choveu. Logo, a rua não molhou." Ela pode ter molhado por outro motivo.
Essas duas falácias correspondem exatamente à recíproca e à inversa da condicional, que não são equivalentes a ela, como explica o guia de tabela-verdade.
Um método para testar a validade
- Suponha que a conclusão seja falsa.
- Tente tornar todas as premissas verdadeiras ao mesmo tempo.
- Se conseguir, o argumento é inválido, porque existe um caso com premissas verdadeiras e conclusão falsa.
- Se for impossível, o argumento é válido.
Questões de "qual conclusão decorre"
Quando a questão apresenta premissas e pede a conclusão, parta da premissa que é uma afirmação simples, sem condicional, e use-a para "destravar" as outras. Por exemplo: "Se Ana estuda, Bruno viaja. Se Bruno viaja, Carla trabalha. Carla não trabalha." Pela terceira, Carla não trabalha; pela segunda, por modus tollens, Bruno não viaja; pela primeira, também por modus tollens, Ana não estuda. Conclusão: Ana não estuda, Bruno não viaja e Carla não trabalha.
Exercícios com respostas
- "Se Pedro é aprovado, ele comemora. Pedro não comemorou." O que se conclui?
- "Todo auditor é servidor. Algum servidor é advogado." Pode-se concluir que algum auditor é advogado?
- "Ou Ana viaja, ou Bia viaja. Ana não viajou." O que se conclui?
- "Se chove, o jogo é adiado. O jogo foi adiado." Pode-se concluir que choveu?
- "Nenhum cachorro é felino. Todo gato é felino." O que se conclui?
Respostas: 1. Pedro não foi aprovado (modus tollens). 2. Não: o advogado pode estar numa parte dos servidores que não inclui auditores. 3. Bia viajou (silogismo disjuntivo). 4. Não: seria afirmação do consequente, e o jogo pode ter sido adiado por outro motivo. 5. Nenhum gato é cachorro.
Questões de "quem diz a verdade" e "quem mente"
Outro tipo comum apresenta pessoas que fazem afirmações, algumas verdadeiras e outras falsas, e pede para descobrir quem mente ou quem fez algo. O método é testar hipóteses: suponha que uma pessoa diz a verdade, veja as consequências para as demais afirmações e verifique se o resultado respeita as condições do enunciado, como "apenas um mente". Se surgir contradição, a hipótese está errada, e você testa a próxima. É o mesmo raciocínio de validade: procurar uma situação em que todas as condições se cumpram ao mesmo tempo.
Revisão rápida dos pontos mais cobrados
Antes da prova, confira: validade é forma, verdade é conteúdo; modus ponens, modus tollens, silogismo hipotético e silogismo disjuntivo são válidos; afirmação do consequente e negação do antecedente são falácias; nos silogismos com "algum" e "nenhum", desenhe os conjuntos; e, para testar a validade, procure um caso com premissas verdadeiras e conclusão falsa.
Argumentos e equivalências lógicas
Muitas questões misturam argumentos com equivalências lógicas. Uma premissa como "se estudo, passo" pode aparecer reescrita como "se não passo, não estudo", sua contrapositiva, ou como "não estudo ou passo". Reconhecer essas formas equivalentes ajuda a enxergar o modus tollens e o silogismo disjuntivo escondidos nos enunciados. O guia de tabela-verdade traz as equivalências mais cobradas.
Estratégia para resolver na hora da prova
Diante de um argumento, identifique primeiro a estrutura: há condicionais, disjunções ou proposições categóricas? Para condicionais, compare com as quatro formas válidas e as duas falácias. Para categóricas, desenhe os conjuntos. Em múltipla escolha, teste cada alternativa como conclusão, verificando se ela decorre necessariamente das premissas. A palavra "necessariamente" é a chave: uma conclusão que apenas "pode" ser verdadeira não serve.
Com a prática, identificar a estrutura passa a levar poucos segundos, e o restante da questão se resolve pela aplicação direta das regras deste guia.
Anote no caderno de erros as estruturas em que você hesitou, para revisá-las antes do próximo simulado.
Erros comuns
- Julgar a validade pela verdade da conclusão no mundo real;
- Aceitar a afirmação do consequente ou a negação do antecedente como válidas;
- Concluir "todo" a partir de premissas com "algum";
- Não desenhar os conjuntos nos silogismos com "algum" e "nenhum".
Os diagramas usados nos silogismos também resolvem os problemas de pesquisa, explicados no guia de teoria dos conjuntos. Os problemas de associação, ordenação e verdades e mentiras estão no guia de problemas de lógica.
Como estudar
Memorize as quatro formas válidas e as duas falácias com um exemplo cada. Pratique os diagramas de conjuntos com silogismos de "todo", "nenhum" e "algum". Depois, resolva questões da sua banca e anote no caderno de erros o tipo de argumento em que errou. A habilidade de analisar argumentos também ajuda na interpretação de texto, em que é preciso separar o que o autor afirma do que apenas parece decorrer do texto.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre argumento válido e conclusão verdadeira?
Validade é questão de forma: se as premissas forem verdadeiras, a conclusão será necessariamente verdadeira. Um argumento válido pode ter conclusão falsa se alguma premissa for falsa.
O que é modus tollens?
É a forma válida: se P, então Q; não Q; logo, não P. Por exemplo: se chove, a rua molha; a rua não molhou; logo, não choveu.
O que é a falácia da afirmação do consequente?
É concluir P a partir de 'se P, então Q' e de Q. Por exemplo: se chove, a rua molha; a rua molhou; logo, choveu. A rua pode ter molhado por outro motivo.

