Atualizado em 25 de setembro de 2026.
Os primeiros socorros são os cuidados imediatos prestados a uma pessoa em situação de risco, até a chegada do atendimento especializado. O tema é cobrado em concursos de bombeiros, polícia militar, polícia rodoviária, guarda municipal, agentes de trânsito e em provas de nível médio da área de saúde. As questões costumam tratar da segurança da cena, da reanimação cardiopulmonar, da obstrução das vias aéreas, das hemorragias e das queimaduras. Este guia resume os pontos mais cobrados, com base nas diretrizes internacionais mais usadas. A preparação para as carreiras está no guia de concurso policial.
Segurança da cena e acionamento do socorro
O primeiro passo é avaliar a segurança da cena: o socorrista não deve se transformar em nova vítima, por exemplo, entrando em local com risco de desabamento, fogo ou fiação elétrica exposta. Em seguida, deve acionar o serviço especializado, pelo 192, do SAMU, ou pelo 193, do Corpo de Bombeiros, informando o endereço, o que aconteceu, o número de vítimas e o estado delas. Deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, ou de pedir o socorro da autoridade pública, configura o crime de omissão de socorro, do artigo 135 do Código Penal.
A organização do atendimento pré-hospitalar, com o SAMU 192 e as unidades de suporte básico e avançado, está no guia de urgência e emergência.
Avaliação primária da vítima
Nas vítimas de trauma, a avaliação primária segue a sequência XABCDE: controle de hemorragia externa grave; vias aéreas com proteção da coluna cervical; respiração; circulação; avaliação neurológica; e exposição da vítima, com prevenção da hipotermia. A vítima de trauma não deve ser movimentada sem necessidade, pelo risco de lesão da coluna, salvo quando houver perigo imediato no local.
Reanimação cardiopulmonar e uso do DEA
Diante de uma pessoa que não responde e não respira ou respira de forma anormal, deve-se acionar o socorro, pedir um desfibrilador externo automático, o DEA, e iniciar a reanimação cardiopulmonar. Nos adultos, as diretrizes internacionais recomendam:
- Compressões torácicas no centro do peito, com frequência de 100 a 120 por minuto;
- Profundidade de 5 a 6 centímetros, permitindo o retorno completo do tórax entre as compressões;
- Mínimo de interrupções;
- Relação de 30 compressões para 2 ventilações, sem via aérea avançada, para socorristas treinados;
- Uso do DEA assim que estiver disponível, seguindo as instruções do aparelho.
Obstrução das vias aéreas
Se a pessoa engasgada tosse com força e consegue falar, deve-se incentivar a tosse, sem intervir. Se não consegue tossir, falar ou respirar, a obstrução é grave: nos adultos e nas crianças maiores, aplicam-se compressões abdominais, a manobra de Heimlich, e as diretrizes mais recentes também orientam a combinação com golpes nas costas; em gestantes e pessoas com obesidade, as compressões são feitas no tórax. Nos bebês, alternam-se cinco golpes nas costas e cinco compressões torácicas. Se a vítima perder a consciência, inicia-se a RCP.
Hemorragias e torniquete
Nas hemorragias externas, a primeira medida é a compressão direta sobre o ferimento com um pano limpo ou gaze. Nas hemorragias graves de membros que não param com a compressão, o torniquete é indicado, aplicado acima do ferimento, com anotação do horário. Não se deve retirar objetos encravados no corpo, que devem ser estabilizados no lugar, porque a retirada pode aumentar o sangramento.
Queimaduras e a regra dos nove
A área queimada deve ser resfriada com água corrente em temperatura ambiente por vários minutos, e os adornos devem ser retirados antes do inchaço. Não se deve aplicar gelo, pasta de dente, manteiga ou outros produtos, nem romper as bolhas. As queimaduras são classificadas em primeiro grau, que atingem a epiderme, com vermelhidão e dor; segundo grau, que atingem parte da derme, com bolhas; e terceiro grau, que atingem toda a espessura da pele, podendo ser indolores pela destruição das terminações nervosas. A regra dos nove estima a superfície queimada nos adultos: cabeça, 9%; cada membro superior, 9%; tronco anterior, 18%; tronco posterior, 18%; cada membro inferior, 18%; e região genital, 1%.
Fraturas, convulsões e choque elétrico
- Fraturas: imobilizar o membro na posição em que se encontra, sem tentar recolocar o osso no lugar.
- Convulsões: proteger a cabeça, afastar objetos, não colocar nada na boca da vítima nem tentar segurá-la, e, após a crise, colocá-la de lado.
- Choque elétrico: desligar a fonte de energia antes de tocar na vítima.
- AVC: suspeitar diante de assimetria no rosto, fraqueza em um lado do corpo e alteração da fala, e acionar o socorro imediatamente, porque o tempo é decisivo.
Posição lateral de segurança
A vítima inconsciente que respira normalmente e não tem suspeita de trauma deve ser colocada na posição lateral de segurança, deitada de lado, com a cabeça ligeiramente estendida, para manter as vias aéreas abertas e permitir a saída de secreções ou vômito. A respiração deve ser reavaliada com frequência, e, se ela parar, inicia-se a RCP.
Estado de choque
O estado de choque é a falha na circulação do sangue para os órgãos, que pode ocorrer em hemorragias graves, queimaduras extensas e reações alérgicas. Os sinais incluem pele pálida, fria e úmida, pulso rápido e fraco, respiração rápida, sede, confusão e agitação. O socorrista deve acionar o socorro, controlar sangramentos visíveis, manter a vítima deitada e aquecida e não oferecer líquidos.
Afogamento
No afogamento, o socorrista não deve entrar na água se não tiver treinamento, preferindo lançar um objeto flutuante ou alcançar a vítima com uma vara ou corda. Retirada a vítima, se ela não respirar, inicia-se a RCP, e nesses casos as ventilações são especialmente importantes, porque a parada é causada pela falta de oxigênio.
Intoxicações e animais peçonhentos
Nas intoxicações, não se deve provocar vômito sem orientação, especialmente com produtos corrosivos ou derivados de petróleo; deve-se acionar o socorro ou um centro de informação toxicológica, levando a embalagem do produto. Nas picadas de cobras e outros animais peçonhentos, deve-se lavar o local, manter a vítima em repouso e levá-la rapidamente ao serviço de saúde, sem fazer torniquete, cortar ou sugar o local, porque o tratamento é feito com soro específico.
As providências no local de um acidente de trânsito, como a sinalização da via, estão no guia de direção defensiva.
Como estudar
Memorize os números da RCP e as condutas certas e erradas em cada situação, porque as questões costumam apresentar condutas populares que não são recomendadas, como colocar objetos na boca na convulsão ou aplicar gelo na queimadura.
Lembre-se também de que o socorrista deve usar luvas ou outra barreira de proteção quando houver contato com sangue ou secreções, tema tratado no guia de biossegurança.
Na dúvida, a regra geral é garantir a segurança, acionar o socorro e não fazer nada que possa agravar o estado da vítima.
Exemplos de como cai
Afirmação: "Nas compressões torácicas de adultos, a frequência recomendada é de 60 por minuto." Errado. É de 100 a 120 por minuto.
Afirmação: "Durante a convulsão, não se deve colocar objetos na boca da vítima." Certo. Deve-se apenas protegê-la de ferimentos.
Afirmação: "Deve-se aplicar gelo diretamente sobre a queimadura." Errado. O resfriamento é feito com água corrente em temperatura ambiente.
Resumo para revisar antes da prova
Segurança da cena e acionamento pelo 192 ou 193; omissão de socorro como crime; XABCDE no trauma; RCP com 100 a 120 compressões por minuto, 5 a 6 centímetros e 30 por 2, com DEA assim que possível; compressões contínuas pelo leigo; engasgo grave com compressões abdominais e, em bebês, golpes nas costas e compressões torácicas; hemorragia com compressão direta e torniquete nos casos graves de membros; queimaduras resfriadas com água corrente, sem gelo e sem romper bolhas; regra dos nove; imobilizar fraturas; e não segurar nem colocar objetos na boca na convulsão.
Perguntas frequentes
Qual a frequência e a profundidade das compressões na RCP de adultos?
Segundo as diretrizes internacionais, de 100 a 120 compressões por minuto, com profundidade de 5 a 6 centímetros, permitindo o retorno completo do tórax e minimizando as interrupções.
Qual a relação entre compressões e ventilações?
Para adultos, sem via aérea avançada, a relação é de 30 compressões para 2 ventilações. O socorrista leigo não treinado pode fazer apenas as compressões.
Como tratar uma queimadura nos primeiros socorros?
Resfriar a área com água corrente em temperatura ambiente, retirar adornos, não romper bolhas e não aplicar gelo, pasta de dente, manteiga ou outros produtos, cobrindo a lesão com pano limpo e procurando atendimento.

