Atualizado em 25 de setembro de 2026.

A organização do Estado é a parte da Constituição que define como o Brasil está estruturado: uma federação formada pela União, pelos estados, pelo Distrito Federal e pelos municípios, todos autônomos, com competências repartidas pela própria Constituição. O tema, que vai do artigo 18 ao artigo 43, é cobrado em quase todo concurso com Direito Constitucional, principalmente na repartição de competências dos artigos 21 a 24 e 30.

Este guia explica a federação, a autonomia dos entes, os tipos de competência, o Distrito Federal, a intervenção e a separação de Poderes. Leia os artigos citados na Constituição, com o método de como estudar lei seca.

A federação brasileira

O artigo 1º define a República Federativa do Brasil como formada pela união indissolúvel dos estados, dos municípios e do Distrito Federal. O artigo 18 afirma que todos são autônomos, nos termos da Constituição. A forma federativa de Estado é cláusula pétrea: não pode ser objeto de emenda tendente a aboli-la, conforme o artigo 60, § 4º, I. Diferente de uma confederação, a federação não admite direito de secessão, ou seja, nenhum ente pode se separar.

Autonomia não é soberania

A soberania pertence à República Federativa do Brasil como um todo, e não aos entes. Cada ente tem autonomia, que se desdobra em quatro capacidades:

  • Auto-organização: elaborar a própria constituição estadual ou lei orgânica municipal;
  • Autogoverno: eleger os próprios governantes e representantes;
  • Autoadministração: exercer as próprias competências administrativas;
  • Autolegislação: editar as próprias leis, dentro das competências.

O artigo 19 traz vedações comuns a todos os entes, como estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los ou manter com eles relações de dependência ou aliança, ressalvada a colaboração de interesse público, e criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si.

A repartição de competências

ArtigoTipoQuem exerceCaracterística
21ExclusivaUniãoAdministrativa e indelegável
22PrivativaUniãoLegislativa e delegável aos estados por lei complementar, sobre questões específicas
23ComumTodos os entesAdministrativa, exercida em cooperação
24ConcorrenteUnião, estados e DFLegislativa: a União faz normas gerais, e os estados suplementam
30MunicipalMunicípiosAssuntos de interesse local e suplementação da legislação federal e estadual no que couber
25, § 1ºRemanescenteEstadosO que não for vedado pela Constituição

Competência privativa: o artigo 22

O artigo 22 lista as matérias em que só a União legisla, como direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral, agrário, marítimo, aeronáutico, espacial e do trabalho, além de desapropriação, trânsito e transporte, entre muitas outras. Um recurso de memorização conhecido para parte da lista é a expressão "CAPACETE DE PM": civil, agrário, penal, aeronáutico, comercial, eleitoral, trabalho, espacial, desapropriação, processual e marítimo. A inclusão de trânsito e transporte na competência privativa da União explica por que o Código de Trânsito é federal, como mostra o grupo de artigos sobre o concurso DETRAN-SP.

Competência concorrente: o artigo 24

Aqui, União, estados e Distrito Federal legislam sobre as mesmas matérias, como direito tributário, financeiro, penitenciário, econômico e urbanístico, orçamento, educação e proteção do meio ambiente. As regras de funcionamento são muito cobradas:

  1. A União limita-se a estabelecer normas gerais;
  2. Os estados exercem a competência suplementar;
  3. Inexistindo lei federal sobre normas gerais, os estados exercem a competência legislativa plena, para atender às suas peculiaridades;
  4. A superveniência de lei federal sobre normas gerais suspende a eficácia da lei estadual, no que lhe for contrário. Não é revogação, e sim suspensão.

Os municípios não aparecem no caput do artigo 24, mas podem suplementar a legislação federal e estadual no que couber, pelo artigo 30, II.

O Distrito Federal

O Distrito Federal tem natureza híbrida: acumula as competências legislativas reservadas aos estados e aos municípios, mas não pode ser dividido em municípios. Algumas estruturas, como o Poder Judiciário, o Ministério Público e as polícias do DF, são organizadas e mantidas pela União. Os territórios federais, previstos no artigo 33, integram a União, mas atualmente não existe nenhum.

Intervenção

A regra é a não intervenção. A União só intervém nos estados e no Distrito Federal nas hipóteses taxativas do artigo 34, como para manter a integridade nacional, repelir invasão estrangeira, pôr termo a grave comprometimento da ordem pública e assegurar a observância de princípios constitucionais sensíveis. Os estados só intervêm nos seus municípios, e a União só nos municípios localizados em território federal. A intervenção é decretada pelo Presidente da República e, em regra, submetida ao Congresso Nacional.

Separação de Poderes

O artigo 2º estabelece que são Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário. Cada Poder tem uma função típica, como legislar, administrar e julgar, e exerce funções atípicas, como o Legislativo que julga o Presidente em crimes de responsabilidade ou o Judiciário que administra seus próprios servidores. O sistema de freios e contrapesos permite que um Poder controle o outro, como no veto presidencial e no controle de constitucionalidade, explicado no guia de controle de constitucionalidade.

Criação de municípios e estados

A criação, a incorporação, a fusão e o desmembramento de municípios dependem de lei estadual, dentro do período determinado por lei complementar federal, e de consulta prévia, mediante plebiscito, às populações dos municípios envolvidos, após divulgação de estudos de viabilidade municipal. No caso dos estados, a incorporação, a subdivisão ou o desmembramento exigem aprovação da população diretamente interessada, por plebiscito, e do Congresso Nacional, por lei complementar. Como a lei complementar federal sobre o período para a criação de municípios ainda não foi editada, a criação de novos municípios ficou praticamente travada, o que costuma ser explorado em provas.

Bens da União e dos estados

O artigo 20 lista os bens da União, como os terrenos de marinha, o mar territorial, os potenciais de energia hidráulica, os recursos minerais, inclusive os do subsolo, as cavidades naturais subterrâneas, os sítios arqueológicos e as terras tradicionalmente ocupadas pelos indígenas. O artigo 26 lista os bens dos estados, como as águas superficiais ou subterrâneas, ressalvadas as decorrentes de obras da União, e as ilhas fluviais e lacustres não pertencentes à União. Os recursos minerais pertencem à União, mesmo quando estão em terreno particular, o que é uma pegadinha frequente.

A união indissolúvel, a forma federativa e a separação dos Poderes, previstas nos artigos 1º e 2º, estão no guia de princípios fundamentais da Constituição.

Exemplos para fixar

  • Lei estadual que cria novo crime: inconstitucional, porque direito penal é competência privativa da União.
  • Lei municipal sobre horário de funcionamento do comércio local: válida, por ser assunto de interesse local, como reconhece a Súmula Vinculante 38.
  • Lei estadual sobre proteção do meio ambiente, suplementando normas gerais federais: válida, por ser competência concorrente.
  • Lei estadual que estabelece regras de trânsito para rodovias: inconstitucional, porque trânsito é competência privativa da União.
  • Ação conjunta de União, estado e município para combater a dengue: competência comum.

Revisão rápida dos pontos mais cobrados

Antes da prova, confira: federação é cláusula pétrea e não admite secessão; autonomia tem quatro capacidades; artigo 21 é exclusiva e administrativa; artigo 22 é privativa, legislativa e delegável; artigo 23 é comum; artigo 24 é concorrente, com normas gerais da União e suspensão, não revogação, da lei estadual; e o DF não se divide em municípios.

Súmulas vinculantes sobre competência também aparecem com frequência, como a 38, sobre o horário do comércio, e a 46, que atribui à União a competência para definir crimes de responsabilidade e as respectivas normas de processo e julgamento. Vale ler essas súmulas junto com os artigos de competência.

As hipóteses, as espécies e o procedimento da intervenção, com a intervenção estadual nos municípios, estão detalhados no guia de intervenção federal.

Como o tema cai em prova

  • Confundir competência exclusiva, administrativa, com privativa, legislativa;
  • Afirmar que a competência exclusiva pode ser delegada;
  • Dizer que a lei federal superveniente revoga a lei estadual na competência concorrente;
  • Afirmar que o Distrito Federal pode ser dividido em municípios;
  • Chamar a autonomia dos estados de soberania.

Monte uma tabela própria com os artigos 21 a 24 e revise-a antes de cada simulado. O tema dialoga com os direitos fundamentais e com a nacionalidade e os direitos políticos, que completam a parte mais cobrada da Constituição.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre competência privativa e exclusiva da União?

A competência privativa, do artigo 22, é legislativa e pode ser delegada aos estados por lei complementar sobre questões específicas. A exclusiva, do artigo 21, é administrativa e indelegável.

O que é competência concorrente?

É a competência legislativa do artigo 24, dividida entre União, estados e Distrito Federal: a União edita normas gerais, e os estados as suplementam.

O Distrito Federal pode ser dividido em municípios?

Não. A Constituição proíbe a divisão do Distrito Federal em municípios, e ele acumula as competências legislativas reservadas aos estados e aos municípios.

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Equipe SOS Concursos

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