A folha de redação do ENEM tem regras materiais que quase ninguém estuda: qual caneta usar, o que fazer quando erra uma palavra, se pode pular linha, se precisa de título. São detalhes bobos que, mal resolvidos, custam ponto ou zeram o texto.
A caneta
O ENEM exige caneta esferográfica de tinta preta, fabricada em material transparente. As duas exigências têm motivo. O corpo transparente é medida de segurança contra material de consulta escondido. A tinta preta existe porque a folha é digitalizada, e o preto é o que garante contraste na leitura da imagem pelo corretor.
Escrever a lápis é o erro mais grave dessa categoria: o texto pode simplesmente não aparecer na digitalização. Tinta de outra cor entra no mesmo risco.
Leve pelo menos duas canetas. Uma que falha na linha 18 é um problema pequeno que vira grande quando não há substituta.
A letra
Não existe exigência de letra cursiva ou de forma. Escreva no formato em que você é mais legível sob pressão e mantenha o mesmo do início ao fim, porque troca de estilo no meio do texto cansa quem lê.
Letra ilegível que impossibilite a leitura zera a redação. O critério é estrito: não é letra feia, é letra que impede o corretor de entender as palavras. Ainda assim, vale a pena ficar bem longe desse limite, porque legibilidade ruim cria dúvida, e dúvida nunca é resolvida a seu favor.
O que costuma resolver o problema não é caligrafia, é tamanho. Uma letra grande demais gasta a folha e obriga a cortar conteúdo. Uma letra pequena demais cabe mais, mas se aproxima do limite de leitura. O ponto de equilíbrio fica em torno de 12 a 16 palavras por linha. Vale medir uma redação sua e conferir onde você está.
A rasura
Rasura não tira ponto. Essa é provavelmente a informação mais mal contada sobre a redação do ENEM.
O procedimento correto é passar um traço simples sobre a palavra errada e continuar escrevendo. Um risco, uma vez. A palavra corrigida pode vir logo em seguida, na mesma linha.
O que cria problema é o excesso: rabiscar com força até formar um bloco preto, apagar até furar o papel, escrever por cima da palavra errada até virar borrão. Nesses casos o risco não é penalidade por rasura, é o trecho ficar ilegível, o que aí sim custa caro.
Corretivo líquido ou em fita não é permitido. Se você errou, risque e siga. Uma folha com cinco riscos limpos é lida sem nenhum prejuízo.
Resolvidas as regras materiais, o que decide a nota são as cinco competências. O teste tem 15 questões e mostra em qual delas você está perdendo mais ponto.
Ver minha nota estimadaMargens, parágrafo e linha pulada
A folha traz as margens demarcadas. Só o que está dentro delas é corrigido, então escrever no espaço externo, na lateral ou no rodapé é o mesmo que não escrever.
O parágrafo se marca com recuo no início da linha, do mesmo tamanho nos quatro. Pular linha entre parágrafos é permitido, mas consome três das suas 30 linhas — em uma prova com esse limite, é espaço caro. A maioria dos candidatos de nota alta usa só o recuo.
Um detalhe que gera dúvida: a numeração das linhas na lateral serve de referência, e a contagem para efeito de texto insuficiente considera as linhas manuscritas. Uma linha com poucas palavras conta como linha usada.
Título
É opcional na redação do ENEM e não pontua em nenhuma das cinco competências. Como ocupa uma linha e às vezes duas, a maioria dos candidatos de nota alta simplesmente não usa.
Se você quiser usar, o título vai na primeira linha, centralizado, sem ponto final. Só evite que ele antecipe a tese de forma tão completa que a introdução fique redundante.
Identificação: o erro que zera sem aviso
Assinar o texto, escrever o próprio nome, colocar a data ou qualquer marca que identifique o candidato no espaço da redação zera a nota. A correção é cega e qualquer quebra disso invalida o texto.
O caso mais comum é involuntário: o candidato assina por hábito no fim, como faria em uma prova de escola. Se acontecer, chame o fiscal em vez de tentar apagar por conta própria — existe procedimento previsto, e apagar costuma piorar a legibilidade sem resolver o problema.
A mesma orientação vale se a folha rasgar ou borrar. Ela é numerada e vinculada ao seu cartão-resposta, então improvisar nunca é a saída.
O que levar e o que não adianta
- Leve: duas ou três canetas pretas de corpo transparente
- Leve: relógio analógico simples, sem funções adicionais
- Não adianta: corretivo, marca-texto, régua para sublinhar
- Não adianta: lapiseira ou lápis para a redação
- Não adianta: caneta de cor diferente para destacar trechos
Onde as regras materiais realmente pesam
Vale uma nota de proporção. Nenhum desses detalhes vai levar sua redação de 700 para 900. Eles existem para evitar o cenário oposto: perder tudo por causa de uma assinatura distraída, de um texto a lápis que não digitalizou ou de um trecho ilegível.
Resolva essa camada em cinco minutos de leitura, uma vez, e volte a atenção para onde a nota se decide de verdade, que são os erros de conteúdo distribuídos pelas cinco competências.
Como treinar na folha certa
Treinar em caderno pautado comum é uma das causas mais silenciosas de descontrole de espaço na prova. A pauta do caderno tem altura diferente da folha oficial, e a sua letra ocupa outro número de linhas em cada uma.
Imprima folhas com 30 linhas no formato da oficial e use sempre elas. Depois de cinco ou seis redações você passa a saber, de cabeça, que a sua introdução ocupa cinco linhas e o seu desenvolvimento ocupa oito. Esse conhecimento vale mais que qualquer técnica de contagem na hora.
Se a mão cansar
Escrever 30 linhas à mão depois de horas marcando cartão-resposta cansa de verdade, e o cansaço aparece na letra justamente no fim, que é onde está a proposta de intervenção.
Duas coisas ajudam. A primeira é escrever a redação no meio da prova, não no fim, quando a mão ainda responde. A segunda é treinar redação à mão, sempre, nunca digitando. Quem treina no computador chega ao dia da prova sem a resistência física necessária, e isso se nota na legibilidade das últimas dez linhas.
Perguntas frequentes
Rasura tira ponto na redação do ENEM?
Não. O procedimento correto é passar um traço simples sobre a palavra errada e continuar escrevendo. O que causa problema é o excesso, quando o trecho fica ilegível.
Pode escrever a redação a lápis?
Não. A folha é digitalizada e o texto a lápis pode não aparecer na imagem enviada ao corretor. A exigência é caneta esferográfica de tinta preta, em material transparente.
O título é obrigatório?
Não, é opcional e não pontua em nenhuma competência. Como ocupa linha, a maioria dos candidatos de nota alta não usa.
Resolvido o material, sobra o que decide a nota
As regras da folha evitam o desastre. As cinco competências é que constroem a nota. O teste mostra em qual delas você está perdendo mais ponto.
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