Letra, rasura e caneta: as regras da folha de redação

1156 palavras · atualizado em 14 de setembro de 2026 · SOS Concursos

A folha de redação do ENEM tem regras materiais que quase ninguém estuda: qual caneta usar, o que fazer quando erra uma palavra, se pode pular linha, se precisa de título. São detalhes bobos que, mal resolvidos, custam ponto ou zeram o texto.

A caneta

O ENEM exige caneta esferográfica de tinta preta, fabricada em material transparente. As duas exigências têm motivo. O corpo transparente é medida de segurança contra material de consulta escondido. A tinta preta existe porque a folha é digitalizada, e o preto é o que garante contraste na leitura da imagem pelo corretor.

Escrever a lápis é o erro mais grave dessa categoria: o texto pode simplesmente não aparecer na digitalização. Tinta de outra cor entra no mesmo risco.

Leve pelo menos duas canetas. Uma que falha na linha 18 é um problema pequeno que vira grande quando não há substituta.

A letra

Não existe exigência de letra cursiva ou de forma. Escreva no formato em que você é mais legível sob pressão e mantenha o mesmo do início ao fim, porque troca de estilo no meio do texto cansa quem lê.

Letra ilegível que impossibilite a leitura zera a redação. O critério é estrito: não é letra feia, é letra que impede o corretor de entender as palavras. Ainda assim, vale a pena ficar bem longe desse limite, porque legibilidade ruim cria dúvida, e dúvida nunca é resolvida a seu favor.

O que costuma resolver o problema não é caligrafia, é tamanho. Uma letra grande demais gasta a folha e obriga a cortar conteúdo. Uma letra pequena demais cabe mais, mas se aproxima do limite de leitura. O ponto de equilíbrio fica em torno de 12 a 16 palavras por linha. Vale medir uma redação sua e conferir onde você está.

A rasura

Rasura não tira ponto. Essa é provavelmente a informação mais mal contada sobre a redação do ENEM.

O procedimento correto é passar um traço simples sobre a palavra errada e continuar escrevendo. Um risco, uma vez. A palavra corrigida pode vir logo em seguida, na mesma linha.

O que cria problema é o excesso: rabiscar com força até formar um bloco preto, apagar até furar o papel, escrever por cima da palavra errada até virar borrão. Nesses casos o risco não é penalidade por rasura, é o trecho ficar ilegível, o que aí sim custa caro.

Corretivo líquido ou em fita não é permitido. Se você errou, risque e siga. Uma folha com cinco riscos limpos é lida sem nenhum prejuízo.

Resolvidas as regras materiais, o que decide a nota são as cinco competências. O teste tem 15 questões e mostra em qual delas você está perdendo mais ponto.

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Margens, parágrafo e linha pulada

A folha traz as margens demarcadas. Só o que está dentro delas é corrigido, então escrever no espaço externo, na lateral ou no rodapé é o mesmo que não escrever.

O parágrafo se marca com recuo no início da linha, do mesmo tamanho nos quatro. Pular linha entre parágrafos é permitido, mas consome três das suas 30 linhas — em uma prova com esse limite, é espaço caro. A maioria dos candidatos de nota alta usa só o recuo.

Um detalhe que gera dúvida: a numeração das linhas na lateral serve de referência, e a contagem para efeito de texto insuficiente considera as linhas manuscritas. Uma linha com poucas palavras conta como linha usada.

Título

É opcional na redação do ENEM e não pontua em nenhuma das cinco competências. Como ocupa uma linha e às vezes duas, a maioria dos candidatos de nota alta simplesmente não usa.

Se você quiser usar, o título vai na primeira linha, centralizado, sem ponto final. Só evite que ele antecipe a tese de forma tão completa que a introdução fique redundante.

Identificação: o erro que zera sem aviso

Assinar o texto, escrever o próprio nome, colocar a data ou qualquer marca que identifique o candidato no espaço da redação zera a nota. A correção é cega e qualquer quebra disso invalida o texto.

O caso mais comum é involuntário: o candidato assina por hábito no fim, como faria em uma prova de escola. Se acontecer, chame o fiscal em vez de tentar apagar por conta própria — existe procedimento previsto, e apagar costuma piorar a legibilidade sem resolver o problema.

A mesma orientação vale se a folha rasgar ou borrar. Ela é numerada e vinculada ao seu cartão-resposta, então improvisar nunca é a saída.

O que levar e o que não adianta

Onde as regras materiais realmente pesam

Vale uma nota de proporção. Nenhum desses detalhes vai levar sua redação de 700 para 900. Eles existem para evitar o cenário oposto: perder tudo por causa de uma assinatura distraída, de um texto a lápis que não digitalizou ou de um trecho ilegível.

Resolva essa camada em cinco minutos de leitura, uma vez, e volte a atenção para onde a nota se decide de verdade, que são os erros de conteúdo distribuídos pelas cinco competências.

Como treinar na folha certa

Treinar em caderno pautado comum é uma das causas mais silenciosas de descontrole de espaço na prova. A pauta do caderno tem altura diferente da folha oficial, e a sua letra ocupa outro número de linhas em cada uma.

Imprima folhas com 30 linhas no formato da oficial e use sempre elas. Depois de cinco ou seis redações você passa a saber, de cabeça, que a sua introdução ocupa cinco linhas e o seu desenvolvimento ocupa oito. Esse conhecimento vale mais que qualquer técnica de contagem na hora.

Se a mão cansar

Escrever 30 linhas à mão depois de horas marcando cartão-resposta cansa de verdade, e o cansaço aparece na letra justamente no fim, que é onde está a proposta de intervenção.

Duas coisas ajudam. A primeira é escrever a redação no meio da prova, não no fim, quando a mão ainda responde. A segunda é treinar redação à mão, sempre, nunca digitando. Quem treina no computador chega ao dia da prova sem a resistência física necessária, e isso se nota na legibilidade das últimas dez linhas.

Perguntas frequentes

Rasura tira ponto na redação do ENEM?

Não. O procedimento correto é passar um traço simples sobre a palavra errada e continuar escrevendo. O que causa problema é o excesso, quando o trecho fica ilegível.

Pode escrever a redação a lápis?

Não. A folha é digitalizada e o texto a lápis pode não aparecer na imagem enviada ao corretor. A exigência é caneta esferográfica de tinta preta, em material transparente.

O título é obrigatório?

Não, é opcional e não pontua em nenhuma competência. Como ocupa linha, a maioria dos candidatos de nota alta não usa.

Resolvido o material, sobra o que decide a nota

As regras da folha evitam o desastre. As cinco competências é que constroem a nota. O teste mostra em qual delas você está perdendo mais ponto.

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