Quase toda redação que fica na faixa dos 600 pontos comete os mesmos erros. Não são erros de talento nem de vocabulário: são falhas de método, repetidas ano após ano, e cada uma delas tem correção conhecida. Esta é a lista, organizada por competência.
Competência 1: norma culta
1. Crase antes de verbo e de pronome indefinido
"Começou à investir" e "refere-se à todos" são os dois mais frequentes. Crase é a fusão da preposição com o artigo feminino, e nem verbo nem pronome indefinido admitem artigo. A regra prática: se dá para trocar por uma palavra masculina e sai "ao", tem crase; se sai "a", não tem.
2. Vírgula separando sujeito de predicado
"A falta de investimento em educação, compromete o futuro do país." Sujeito longo dá vontade de respirar, mas a vírgula ali é proibida. Se você não consegue ler a frase sem pausa, o problema é o tamanho do sujeito, não a pontuação.
3. Concordância com verbos impessoais
"Fazem dez anos" e "houveram muitos casos" são os campeões. Fazer indicando tempo e haver no sentido de existir são impessoais: ficam sempre no singular.
Competência 2: tema e repertório
4. Ignorar o recorte do tema
Se a proposta fala em "metrópoles brasileiras", escrever sobre trânsito na Europa é tangenciar. Não zera, mas derruba a competência 2 e limita a 3, porque os argumentos ficam sem alvo.
A checagem leva dez segundos: sublinhe cada substantivo do tema e confira se todos aparecem na sua tese.
5. Repertório citado sem ser usado
Mencionar Bauman e passar para o próximo parágrafo é repertório legitimado e improdutivo. A competência 2 exige as duas coisas. Toda citação precisa de duas ou três linhas explicando o que ela prova sobre o tema.
6. Abrir com frase feita
"Desde os primórdios da humanidade" e "vivemos em uma sociedade cada vez mais globalizada" não contextualizam nada, cabem em qualquer tema e queimam duas linhas que fariam falta adiante.
Quais desses erros você comete hoje? O teste tem 15 questões nas cinco competências e devolve sua nota estimada com o diagnóstico do seu ponto mais fraco.
Ver meu diagnósticoCompetência 3: projeto de texto
7. Argumento sem análise
O candidato traz o dado do IBGE, traz o filme, e emenda na frase seguinte. Sem a frase que diz "isto prova aquilo", o parágrafo vira colagem de informação. É o erro mais caro da lista inteira, porque a competência 3 é a que mais separa 700 de 900.
8. Dois parágrafos com o mesmo argumento
Dizer a mesma coisa com outras palavras em dois desenvolvimentos vale como um só e configura falta de progressão. Os dois argumentos precisam ser distintos, ainda que apontem para a mesma tese.
9. Tese que é só constatação
"O trabalho precarizado cresceu no Brasil" descreve a realidade e não dá o que defender. "A omissão fiscalizatória do Estado é o principal motor da precarização" aponta uma causa e organiza os dois parágrafos seguintes. Uma tese boa é aquela com a qual alguém poderia discordar.
Competência 4: coesão
10. Conectivo com o sentido trocado
"Outrossim" é adição, não conclusão. "Porquanto" é causa, não consequência. Palavra difícil usada errado é pior do que palavra simples usada certa, porque mostra que ela foi decorada sem o significado.
11. Parágrafos sem ligação entre si
A maioria usa conectivo dentro da frase e esquece a ponte entre um parágrafo e o próximo. O texto vira quatro blocos empilhados. Cada parágrafo, do segundo em diante, deve começar retomando algo do anterior.
Competência 5: proposta de intervenção
12. Conclusão sem proposta de verdade
"É preciso que a população se conscientize" é o fecho mais escrito do ENEM. Não diz quem age, o que faz, como faz nem para quê. A proposta precisa dos cinco elementos: agente, ação, meio, efeito e detalhamento.
E ela precisa atacar a causa que o seu texto apontou. Solução tecnicamente completa que não conversa com a discussão perde ponto por falta de articulação.
O erro que não é de nenhuma competência
Gestão de espaço. O candidato se empolga nos desenvolvimentos, chega na linha 28 e escreve a conclusão em duas linhas. Perde entre 80 e 120 pontos na competência 5 por aritmética, não por desconhecimento.
Marque a linha 22 como limite do segundo desenvolvimento. Chegou lá, feche o parágrafo onde estiver.
Três mitos que fazem gente perder tempo
Vocabulário rebuscado sobe a nota. Não sobe. Palavra difícil usada errado desce, pela competência 1.
Tem que preencher as 30 linhas. Não tem. A faixa de 25 a 30 é confortável, mas texto longo e raso perde para texto médio e aprofundado.
Rasura tira ponto. Não tira. Passe um traço simples sobre o erro e siga. O que cria problema é apagar até furar o papel ou usar corretivo.
Checklist de dois minutos
Antes de entregar, releia procurando estas sete coisas:
- A tese está explícita na introdução
- Os dois tópicos frasais apontam para essa tese
- Os dois argumentos são diferentes entre si
- Cada desenvolvimento tem pelo menos uma frase de análise própria
- Cada parágrafo começa ligado ao anterior
- A conclusão tem agente, ação, meio, efeito e detalhamento
- Não há nome, assinatura ou marca de identificação no texto
Sete itens, dois minutos. É o gesto de maior retorno da prova inteira, e é justamente o que ninguém faz porque a redação costuma ser a última coisa entregue.
Se quiser atacar um erro por vez, comece pelo número 12: é o mais mecânico e o de correção mais rápida. Detalhamos cada elemento no guia da proposta de intervenção.
Por qual erro começar
Se você fosse corrigir um por semana, esta é a ordem que dá mais ponto por esforço:
- Conclusão sem proposta completa. É o mais mecânico dos doze. Tem lista fechada de cinco elementos e se resolve em uma tarde de estudo.
- Argumento sem análise. Custa mais caro, mas leva mais tempo para virar hábito. Treine escrevendo só parágrafos de desenvolvimento.
- Parágrafos sem ligação. Resolve-se relendo textos antigos e reescrevendo as aberturas de parágrafo.
- Ignorar o recorte do tema. Não exige estudo, exige um hábito de dez segundos antes de escrever.
- Erros de gramática. Por último, porque cada deslize custa pouco por unidade.
Repare que a ordem não segue a numeração das competências. Ela segue o retorno: quanto ponto você recupera por hora de estudo. A competência 1 é importante, mas um erro de crase custa muito menos que uma conclusão sem agente.
O erro de método por trás de todos eles
Escrever redação atrás de redação sem saber onde está errando. É o padrão mais comum entre candidatos dedicados: dez textos escritos, o mesmo problema de competência 3 repetido dez vezes, e nenhuma correção que aponte isso.
Volume só funciona depois do diagnóstico. Antes dele, você treina o que já sabe fazer e reforça o que faz errado.
Quais desses você comete hoje?
Volume de treino só funciona depois do diagnóstico. O teste tem 15 questões nas cinco competências e aponta onde você está perdendo mais ponto.
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