A competência 2 avalia se você compreendeu a proposta e se sustenta a discussão com repertório sociocultural. É a única competência que pode zerar a redação inteira, e é onde a palavra "produtivo" decide a diferença entre 160 e 200.
O que ela avalia
Três coisas ao mesmo tempo: se o texto trata do tema proposto, com o recorte dado; se traz repertório sociocultural pertinente e usado; e se respeita o tipo textual dissertativo-argumentativo.
É por isso que ela é a mais perigosa das cinco. Fugir do tema ou do tipo textual não derruba a nota da competência: zera a redação inteira, incluindo as outras quatro.
Fuga, tangenciamento e abordagem completa
Fuga total é escrever sobre outro assunto. O tema é solidão entre idosos e o texto discute previdência. Zera tudo.
Tangenciamento é passar de raspão: o texto fica no assunto geral e nunca chega ao recorte proposto. Não zera, mas costuma travar a competência 2 no nível 40 e limitar a 3, porque os argumentos ficam sem alvo.
Abordagem completa é enfrentar o recorte inteiro. Se a proposta diz "entre idosos, no Brasil", os dois delimitadores precisam aparecer na tese e orientar os dois desenvolvimentos.
Teste de dez segundos: sublinhe cada substantivo do tema na folha de questões e confira, um a um, se aparece na sua tese. Substantivo sublinhado que ficou de fora é tangenciamento esperando para acontecer.
Legitimado e produtivo
Repertório legitimado é o que vem de fonte reconhecida socialmente: um dispositivo legal, um dado oficial, uma obra, um pensador, um fato histórico. Opinião de conhecido, experiência pessoal e frase feita não entram.
Repertório produtivo é o que trabalha dentro do argumento. Citar um sociólogo e passar para o próximo parágrafo é legitimado e improdutivo. A grade exige as duas coisas para o nível máximo, e o segundo é o que quase ninguém entrega.
Na prática, todo repertório precisa de duas ou três linhas depois dele dizendo o que aquilo prova sobre o tema. Se você citou em oito palavras e seguiu adiante, fez uma menção, não usou repertório.
Seu repertório é produtivo ou só legitimado? É a diferença entre 160 e 200 nesta competência. O teste mede as cinco em 15 questões.
Testar minha competência 2Os seis níveis
| Nota | Descrição aproximada |
|---|---|
| 200 | Argumentação consistente, repertório produtivo, excelente domínio do tipo textual |
| 160 | Bom domínio, com repertório legitimado |
| 120 | Tema desenvolvido de forma mediana, apoiado nos textos motivadores |
| 80 | Tema abordado com traços de outros tipos textuais |
| 40 | Tangenciamento, domínio precário do tipo textual |
| 0 | Fuga ao tema ou ao tipo textual |
Repare no nível 120: apoiar-se apenas nos textos motivadores mantém o texto no meio da escala. A coletânea serve para provocar reflexão, não para virar matéria-prima, e trechos copiados são desconsiderados na contagem de linhas.
Onde colocar o repertório
Três posições rendem mais. Na introdução, na contextualização, sinalizando cedo que você tem repertório. Em cada desenvolvimento, sustentando o argumento anunciado no tópico frasal. E é só.
Na conclusão ele raramente compensa: o espaço ali pertence à retomada e aos cinco elementos da proposta.
Vale variar a origem entre os dois desenvolvimentos. Se o primeiro usou um dispositivo legal, o segundo pode usar um dado, uma obra ou um fato histórico. Essa variedade sinaliza amplitude sem custar linha extra.
Como montar um banco de repertório
Repertório colecionado sem organização não é recuperado sob pressão. O formato que funciona é por eixo temático, não por autor: educação, saúde, trabalho, meio ambiente, tecnologia, direitos e cultura.
Em cada eixo, três entradas bastam: um dispositivo legal, um dado ou fato verificável e uma obra ou pensador. São 21 entradas no total, revisadas uma vez por semana, e elas cobrem quase qualquer tema que a banca proponha.
Anote junto de cada entrada a frase que liga aquele repertório a um argumento. É essa frase, e não a citação, que faz o repertório virar produtivo.
Erros que travam a competência 2
- Abrir com frase feita: "desde os primórdios da humanidade" não contextualiza nada
- Repetir a mesma fonte nos quatro parágrafos, o que não amplia a discussão
- Encaixar repertório à força, sem relação real com o tema
- Ignorar um dos delimitadores do recorte
- Usar experiência pessoal como se fosse repertório legitimado
- Escrever texto expositivo, que apresenta o assunto sem defender ponto de vista
O último merece atenção. Mostrar os dois lados e concluir que é preciso refletir não é dissertação argumentativa: falta a tese defendida. É a forma mais silenciosa de perder nota nesta competência.
Por onde atacar
Se a sua competência 2 está baixa, primeiro descubra qual das três frentes é o problema, porque o tratamento é diferente em cada uma.
Se é recorte, o remédio é um hábito de dez segundos antes de escrever. Se é repertório escasso, o remédio é o banco de 21 entradas. Se é repertório improdutivo, o remédio é treinar a frase de ligação — e essa é a mais comum das três entre quem já estuda.
Repertório de que áreas?
Não há área privilegiada. Filosofia, sociologia, história, literatura, cinema, legislação, dados oficiais e ciência funcionam igualmente, desde que a referência seja pertinente ao recorte e usada dentro do argumento.
Isso derruba um mito comum: não é preciso citar filósofo para pontuar bem. Um artigo da Constituição bem aplicado vale tanto quanto uma referência a Foucault, e costuma sair mais preciso na mão de quem não estudou filosofia a fundo.
A regra prática é usar o que você domina. Repertório meio lembrado sai genérico, e genérico não é produtivo.
Um erro de proporção
Muita gente estuda repertório como se fosse a competência 2 inteira e esquece que ela também avalia o recorte e o tipo textual. Na prática, quem zera essa competência quase nunca zera por falta de repertório: zera por fuga ao tema ou ao tipo textual.
Antes de ampliar o banco de citações, garanta os dois pilares mais baratos: enfrentar o recorte completo e defender uma tese explícita. Sem eles, nenhuma quantidade de repertório sustenta a nota.
Perguntas frequentes
Preciso usar os textos motivadores?
Não é obrigatório. Eles servem para provocar reflexão. Apoiar-se apenas neles costuma manter a competência no nível 120, e copiar trechos faz com que sejam desconsiderados na contagem de linhas.
Quantos repertórios preciso usar?
Um por parágrafo, bem trabalhado, vale mais que três mencionados de passagem. Dois de origens diferentes nos desenvolvimentos já sinalizam amplitude.
Posso discordar da posição sugerida pela coletânea?
Pode. Não existe posição correta no ENEM. O que se avalia é a consistência da argumentação e o respeito aos direitos humanos na proposta de intervenção.
Legitimado não é o mesmo que produtivo
Citar uma fonte reconhecida garante metade da competência 2. A outra metade é usar aquilo dentro do argumento. O teste mede as duas.
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