Atualizado em 25 de setembro de 2026.
O processo decisório é o conjunto de etapas pelas quais gestores e organizações escolhem entre alternativas para resolver problemas ou aproveitar oportunidades. É tema clássico de Administração Geral e de Administração Pública, cobrado nos concursos de analista, gestor, especialista em políticas públicas e das carreiras de controle. As questões costumam pedir os tipos de decisão, os modelos de decisão e os vieses. Este guia resume os pontos mais cobrados. As funções administrativas e as teorias da administração estão no guia de noções de Administração.
Decisões programadas e não programadas
Herbert Simon classificou as decisões em dois tipos:
| Tipo | Características | Exemplos |
|---|---|---|
| Programadas | Rotineiras, repetitivas e estruturadas, tomadas com base em regras, políticas e procedimentos já estabelecidos; mais comuns no nível operacional | Reposição de estoques, concessão de férias, aprovação de despesas dentro de limites |
| Não programadas | Novas, únicas, pouco estruturadas e de maior impacto, que exigem julgamento, criatividade e análise; mais comuns no nível estratégico | Entrada em um novo mercado, reestruturação da organização, resposta a uma crise |
Certeza, risco e incerteza
As decisões também são classificadas pelas condições em que são tomadas. Na certeza, o decisor conhece as alternativas e os seus resultados. No risco, conhece as alternativas e as probabilidades dos resultados possíveis. Na incerteza, conhece as alternativas, mas não consegue estimar as probabilidades dos resultados. Alguns autores falam ainda em ambiguidade, quando os próprios objetivos e problemas não estão claros.
As etapas do processo decisório
- Identificação e diagnóstico do problema ou da oportunidade.
- Geração de alternativas de solução.
- Avaliação das alternativas, considerando custos, benefícios, riscos e viabilidade.
- Escolha da alternativa.
- Implementação da decisão.
- Avaliação dos resultados e retroalimentação.
Os modelos de decisão
- Modelo racional ou clássico: supõe que o decisor tem informações completas, conhece todas as alternativas e as suas consequências e escolhe a que maximiza os resultados. É um modelo ideal, pouco realista.
- Racionalidade limitada: proposto por Herbert Simon, reconhece que o decisor tem informações incompletas, tempo e capacidade cognitiva limitados, e por isso busca soluções satisfatórias, e não ótimas. O "homem administrativo" substitui o "homem econômico".
- Modelo incremental: proposto por Charles Lindblom, descreve as decisões como pequenos ajustes a partir da situação existente, por comparações sucessivas limitadas, o chamado "ir levando". É muito usado para explicar as decisões em políticas públicas e no orçamento.
- Sondagem mista: proposto por Amitai Etzioni, combina uma análise ampla das grandes decisões com o detalhamento incremental das decisões menores.
- Modelo da lata de lixo: proposto por Cohen, March e Olsen, descreve as organizações como "anarquias organizadas", em que problemas, soluções, participantes e oportunidades de escolha circulam de forma relativamente independente e se encontram de modo quase aleatório. Uma solução pode existir antes do problema.
- Modelo político: as decisões resultam de negociação, barganha e formação de coalizões entre grupos com interesses diferentes, e não de uma análise puramente técnica.
Heurísticas e vieses
Os estudos de Daniel Kahneman e Amos Tversky mostraram que as pessoas usam atalhos mentais, as heurísticas, que simplificam as decisões, mas podem gerar erros sistemáticos, os vieses. Os mais cobrados são a disponibilidade, que leva a superestimar a probabilidade de eventos fáceis de lembrar; a ancoragem, que faz o decisor se prender a uma informação inicial; a representatividade, que julga a probabilidade pela semelhança com um estereótipo; o excesso de confiança; o viés de confirmação, que leva a buscar apenas informações que confirmam a opinião prévia; o efeito de enquadramento, pelo qual a forma de apresentar a informação altera a escolha; e a escalada do comprometimento, a tendência de continuar investindo em uma decisão que está dando errado para justificar os recursos já gastos.
A decisão em grupo
A decisão em grupo tem como vantagens a maior quantidade de informações e de alternativas, a diversidade de pontos de vista e a maior aceitação da decisão por quem participou. Como desvantagens, consome mais tempo, pode ser dominada por poucos membros, dilui a responsabilidade e está sujeita ao pensamento de grupo, fenômeno descrito por Irving Janis em que grupos coesos buscam o consenso a ponto de suprimir as divergências e deixar de avaliar criticamente as alternativas.
Algumas técnicas ajudam a melhorar as decisões em grupo:
- Brainstorming: geração livre de ideias, sem críticas na fase inicial, para estimular a criatividade.
- Técnica do grupo nominal: os membros geram ideias individualmente, apresentam ao grupo e votam, o que reduz a influência dos mais dominantes.
- Técnica Delphi: especialistas respondem a questionários em rodadas sucessivas, de forma anônima e sem contato direto, até se aproximarem de um consenso.
- Advogado do diabo: um membro é designado para questionar as propostas, combatendo o pensamento de grupo.
Ferramentas de apoio à decisão
Entre as ferramentas mais cobradas estão a matriz GUT, que prioriza problemas pela gravidade, urgência e tendência; a árvore de decisão, que representa as alternativas, os eventos possíveis e as suas probabilidades; a análise custo-benefício; a matriz de decisão com critérios ponderados; e a análise de Pareto. As ferramentas da qualidade estão no guia de gestão da qualidade.
O grau de participação dos liderados nas decisões varia conforme o estilo de liderança, tema do guia de liderança.
A decisão no setor público
No setor público, as decisões estão sujeitas a limites adicionais: devem respeitar a legalidade, ser motivadas, atender ao interesse público e estão sujeitas ao controle interno, externo e social. A formulação de políticas públicas envolve atores com interesses diversos, o que aproxima as decisões dos modelos incremental, político e da lata de lixo, tema do guia de políticas públicas. O planejamento das decisões estratégicas está no guia de planejamento estratégico.
A qualidade das decisões depende da circulação das informações, tema do guia de comunicação organizacional.
Como estudar
Memorize os tipos de decisão de Simon, a diferença entre risco e incerteza e os modelos de decisão com os seus autores, que são os pontos mais cobrados. Depois, estude os vieses e as técnicas de decisão em grupo, relacionando cada uma a exemplos práticos.
A contribuição de Herbert Simon no contexto da teoria comportamental está no guia de teorias da administração.
Decisões nos níveis organizacionais
As decisões variam conforme o nível da organização. No nível estratégico, a alta direção toma decisões de longo prazo, que envolvem a organização como um todo e são, em geral, não programadas. No nível tático, os gerentes intermediários traduzem as decisões estratégicas em planos para as áreas. No nível operacional, as decisões são de curto prazo, rotineiras e, em geral, programadas. A centralização concentra as decisões na cúpula, e a descentralização as distribui pelos níveis inferiores, dando mais agilidade e autonomia.
Exemplos de como cai
Afirmação: "No modelo da racionalidade limitada, o decisor busca a solução ótima entre todas as alternativas possíveis." Errado. Busca soluções satisfatórias, pela limitação de informações e de capacidade.
Afirmação: "Na técnica Delphi, especialistas respondem a questionários em rodadas sucessivas, de forma anônima." Certo. É a característica central da técnica.
Afirmação: "Na decisão sob incerteza, o decisor conhece as probabilidades de cada resultado." Errado. Conhecer as probabilidades caracteriza a decisão sob risco.
Resumo para revisar antes da prova
Decisões programadas, rotineiras e operacionais, e não programadas, novas e estratégicas; certeza, risco com probabilidades conhecidas e incerteza sem elas; etapas de diagnóstico, alternativas, avaliação, escolha, implementação e avaliação dos resultados; modelos racional, da racionalidade limitada de Simon, incremental de Lindblom, sondagem mista de Etzioni, lata de lixo de Cohen, March e Olsen e político; heurísticas e vieses de disponibilidade, ancoragem, representatividade, confirmação, enquadramento e escalada do comprometimento; vantagens e desvantagens da decisão em grupo, pensamento de grupo de Janis, brainstorming, grupo nominal, Delphi e advogado do diabo; e matriz GUT, árvore de decisão e custo-benefício.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre decisões programadas e não programadas?
As decisões programadas são rotineiras e repetitivas, tomadas com base em regras e procedimentos já estabelecidos. As não programadas são novas, pouco estruturadas e de maior impacto, exigindo julgamento, criatividade e análise, e são mais comuns no nível estratégico.
O que é racionalidade limitada?
É o conceito de Herbert Simon segundo o qual o decisor não tem informações completas nem capacidade de analisar todas as alternativas, e por isso busca soluções satisfatórias, e não ótimas.
O que é pensamento de grupo?
É o fenômeno, descrito por Irving Janis, em que grupos coesos buscam o consenso a ponto de suprimir as divergências e deixar de avaliar criticamente as alternativas, o que leva a decisões ruins.

