Atualizado em 25 de setembro de 2026.
A Política Nacional de Humanização, a PNH, também chamada de HumanizaSUS, foi lançada pelo Ministério da Saúde em 2003 com o objetivo de colocar em prática os princípios do SUS no cotidiano dos serviços, produzindo mudanças nos modos de gerir e de cuidar. É um dos temas mais cobrados na parte de saúde pública dos concursos para todas as profissões de saúde. Este guia resume os pontos mais cobrados. A base legal do SUS está no guia da Lei 8.080.
O que é humanização para a PNH
Para a PNH, humanizar é incluir as diferenças nos processos de gestão e de cuidado, estimulando a comunicação entre gestores, trabalhadores e usuários para construir processos coletivos de enfrentamento das relações de poder, de trabalho e de afeto que muitas vezes produzem atitudes e práticas desumanizadoras. A humanização não é um programa isolado nem se limita a gentileza no atendimento: é uma política transversal, que atravessa todas as ações e instâncias do SUS.
Os princípios da humanização
- Transversalidade: a PNH deve estar presente e inserida em todas as políticas e programas do SUS, ampliando a comunicação entre as pessoas e os grupos e rompendo o isolamento dos saberes e das hierarquias.
- Indissociabilidade entre atenção e gestão: as decisões da gestão interferem diretamente na atenção à saúde, e por isso trabalhadores e usuários devem conhecer e participar da gestão dos serviços.
- Protagonismo, corresponsabilidade e autonomia dos sujeitos e dos coletivos: usuários e trabalhadores são protagonistas e corresponsáveis pela produção de saúde.
As diretrizes da PNH
| Diretriz | Sentido |
|---|---|
| Acolhimento | Reconhecer o que o outro traz como legítima e singular necessidade de saúde, com escuta qualificada, em todos os momentos e lugares do serviço |
| Gestão participativa e cogestão | Inclusão de novos sujeitos nos processos de análise e decisão, ampliando as tarefas da gestão |
| Ambiência | Criação de espaços saudáveis, acolhedores e confortáveis, que respeitem a privacidade |
| Clínica ampliada e compartilhada | Abordagem que considera a singularidade do sujeito e a complexidade do processo saúde-doença, além da doença |
| Valorização do trabalhador | Dar visibilidade à experiência dos trabalhadores e incluí-los na tomada de decisão |
| Defesa dos direitos dos usuários | Incentivar o conhecimento e o respeito aos direitos assegurados em lei |
Acolhimento com classificação de risco
Nos serviços de urgência e emergência, a PNH propõe o acolhimento com classificação de risco, que organiza o atendimento conforme a gravidade do caso, e não pela ordem de chegada. Um profissional de saúde, em geral o enfermeiro, avalia o usuário com base em protocolos e atribui uma prioridade, frequentemente representada por cores. No protocolo mais usado, o vermelho indica emergência, com atendimento imediato; o laranja, muito urgente; o amarelo, urgente; o verde, pouco urgente; e o azul, não urgente. A classificação é dinâmica e pode ser revista enquanto o usuário aguarda.
As cores e os tempos do protocolo de Manchester e a organização da rede de urgência estão no guia de urgência e emergência.
Os dispositivos da humanização
Os dispositivos são tecnologias ou modos de fazer que colocam a política em prática. Os mais cobrados são:
- Grupos de trabalho de humanização e colegiados gestores;
- Visita aberta e direito a acompanhante;
- Equipes de referência e apoio matricial, em que especialistas dão suporte técnico às equipes que acompanham o usuário;
- Projeto terapêutico singular, conjunto de propostas de condutas terapêuticas articuladas, construído pela equipe para um sujeito individual ou coletivo, geralmente em casos complexos;
- Ouvidorias, programas de formação em saúde do trabalhador e sistemas de escuta qualificada.
O método da tríplice inclusão na PNH
A PNH trabalha com o chamado método da tríplice inclusão: a inclusão dos diferentes sujeitos, gestores, trabalhadores e usuários, nos processos de produção de saúde; a inclusão dos coletivos, como movimentos sociais e redes; e a inclusão dos analisadores sociais, ou seja, das perturbações e conflitos que surgem nesse processo, que devem ser tratados como oportunidades de mudança, e não ignorados.
Direitos dos usuários da saúde
A Carta dos Direitos dos Usuários da Saúde, aprovada em 2009, reúne princípios como o acesso ordenado e organizado aos sistemas de saúde, o tratamento adequado e efetivo para o problema, o atendimento humanizado, acolhedor e livre de discriminação, o respeito aos valores e direitos da pessoa e o comprometimento dos gestores. Ela reforça a diretriz da PNH de defesa dos direitos dos usuários, e dialoga com a participação social prevista na Lei 8.142/1990.
A clínica ampliada
A clínica ampliada propõe que os profissionais de saúde considerem, além da doença, o sujeito, com a sua história, o seu contexto social e os seus desejos, compartilhando as decisões com ele e com a equipe. Ela busca integrar os diferentes saberes, evitar a fragmentação do cuidado e aumentar a autonomia do usuário. Seus eixos incluem a compreensão ampliada do processo saúde-doença, a construção compartilhada dos diagnósticos e das terapêuticas, a ampliação do objeto de trabalho e a transformação dos meios de trabalho.
Equipes de referência e apoio matricial
A equipe de referência é a responsável pelo acompanhamento de um conjunto de usuários, criando vínculo e responsabilização. O apoio matricial é o suporte técnico especializado oferecido por outros profissionais a essa equipe, por meio de discussões de casos, atendimentos conjuntos e construção de projetos terapêuticos, ampliando a capacidade de resolução sem transferir o usuário. Esse arranjo é muito usado na atenção primária e na saúde mental, tema do guia de saúde mental.
Ambiência
A ambiência se refere ao tratamento dado ao espaço físico, entendido como espaço social, profissional e de relações interpessoais, que deve proporcionar atenção acolhedora, resolutiva e humana. Ela se orienta por três eixos: o espaço que visa à confortabilidade, com atenção a elementos como luz, cor, cheiro, som e privacidade; o espaço como ferramenta facilitadora do processo de trabalho; e o espaço que possibilita a produção de subjetividades, ou seja, o encontro entre as pessoas.
Cogestão e colegiados gestores
A cogestão significa a inclusão de novos sujeitos nos processos de gestão, como trabalhadores e usuários, e a ampliação das tarefas da gestão, que passa a incluir também a análise dos contextos e a formação das pessoas. Os colegiados gestores, os contratos internos de gestão e as câmaras técnicas de humanização são exemplos de arranjos de cogestão.
Como estudar
Memorize os três princípios e as seis diretrizes, que caem de forma literal, e entenda o sentido de cada uma, porque as bancas também apresentam situações práticas para classificar. Estude com atenção o acolhimento, a clínica ampliada e o projeto terapêutico singular, que são os conceitos mais cobrados.
A humanização na atenção básica
Na atenção básica, a PNH se expressa no acolhimento à demanda espontânea, na construção de vínculo entre as equipes e as famílias do território, na clínica ampliada e no apoio matricial. O objetivo é que a unidade de saúde seja resolutiva, reconheça as necessidades de cada usuário e o acompanhe ao longo do tempo, coordenando o cuidado na rede.
Exemplos de como cai
Afirmação: "A transversalidade é um dos princípios da Política Nacional de Humanização." Certo. Ao lado da indissociabilidade entre atenção e gestão e do protagonismo.
Afirmação: "No acolhimento com classificação de risco, os pacientes são atendidos por ordem de chegada." Errado. São atendidos conforme a gravidade.
Afirmação: "A clínica ampliada foca exclusivamente na doença do paciente." Errado. Ela considera o sujeito e o contexto, além da doença.
Resumo para revisar antes da prova
PNH de 2003, transversal a todo o SUS; princípios de transversalidade, indissociabilidade entre atenção e gestão e protagonismo, corresponsabilidade e autonomia; diretrizes de acolhimento, gestão participativa e cogestão, ambiência, clínica ampliada e compartilhada, valorização do trabalhador e defesa dos direitos dos usuários; acolhimento como postura, e não triagem; classificação de risco por gravidade, com cores; dispositivos como visita aberta, apoio matricial e projeto terapêutico singular; tríplice inclusão; e Carta dos Direitos dos Usuários.
Perguntas frequentes
Quais são os princípios da Política Nacional de Humanização?
Transversalidade; indissociabilidade entre atenção e gestão; e protagonismo, corresponsabilidade e autonomia dos sujeitos e dos coletivos.
Quais são as diretrizes da PNH?
Acolhimento; gestão participativa e cogestão; ambiência; clínica ampliada e compartilhada; valorização do trabalhador; e defesa dos direitos dos usuários.
O acolhimento com classificação de risco atende por ordem de chegada?
Não. O atendimento é organizado conforme a gravidade do caso, e não pela ordem de chegada, priorizando quem corre maior risco.


