Atualizado em 25 de setembro de 2026.
A microeconomia estuda o comportamento dos agentes econômicos individuais, como consumidores e empresas, e o funcionamento dos mercados. É cobrada em concursos fiscais, de bancos, de agências reguladoras, do Banco Central, de gestão governamental e em provas de conhecimentos gerais de economia. As questões costumam tratar de oferta e demanda, elasticidade, estruturas de mercado e falhas de mercado. Este guia resume os pontos mais cobrados. A outra metade da matéria está no guia de macroeconomia.
A demanda
Pela lei da demanda, mantidos os demais fatores constantes, quando o preço de um bem aumenta, a quantidade demandada diminui, e vice-versa. A curva de demanda é, por isso, negativamente inclinada. É preciso distinguir:
- Movimento ao longo da curva: causado pela mudança no preço do próprio bem, que altera a quantidade demandada.
- Deslocamento da curva: causado pela mudança em outros fatores, como a renda do consumidor, os preços de bens relacionados, as preferências e as expectativas, que altera a demanda em todos os níveis de preço.
Os tipos de bens
| Tipo | Comportamento |
|---|---|
| Normal | A demanda aumenta quando a renda aumenta |
| Inferior | A demanda diminui quando a renda aumenta, porque o consumidor passa a preferir bens de melhor qualidade |
| Substitutos | O aumento do preço de um aumenta a demanda do outro, como manteiga e margarina |
| Complementares | O aumento do preço de um reduz a demanda do outro, como carro e combustível |
| Giffen | Caso excepcional de bem inferior em que a quantidade demandada aumenta quando o preço sobe |
A oferta e o equilíbrio
Pela lei da oferta, mantidos os demais fatores constantes, quando o preço aumenta, a quantidade ofertada também aumenta, e a curva de oferta é positivamente inclinada. A curva se desloca com mudanças nos custos de produção, na tecnologia, nos preços dos insumos e nas expectativas. O equilíbrio ocorre no ponto em que a quantidade demandada é igual à ofertada. Com o preço acima do equilíbrio, surge excesso de oferta; abaixo, excesso de demanda, ou escassez.
Elasticidade
A elasticidade-preço da demanda mede a sensibilidade da quantidade demandada às variações de preço: é a variação percentual da quantidade dividida pela variação percentual do preço, em módulo. A demanda é elástica quando o resultado é maior que 1, inelástica quando é menor que 1 e de elasticidade unitária quando é igual a 1. A demanda tende a ser mais elástica quando há substitutos próximos, quando o bem é supérfluo, quando pesa muito no orçamento e no longo prazo.
A elasticidade afeta a receita total do vendedor: se a demanda é inelástica, um aumento de preço aumenta a receita, porque a quantidade cai proporcionalmente menos; se é elástica, um aumento de preço reduz a receita. Há também a elasticidade-renda, que separa os bens normais dos inferiores, e a elasticidade cruzada, que identifica bens substitutos, com valor positivo, e complementares, com valor negativo.
Custos de produção
No curto prazo, há custos fixos, que não variam com a produção, e variáveis, que variam; no longo prazo, todos os custos são variáveis. O custo marginal é o acréscimo no custo total decorrente da produção de uma unidade adicional. A empresa maximiza o lucro produzindo até o ponto em que a receita marginal se iguala ao custo marginal.
Estruturas de mercado
- Concorrência perfeita: muitos compradores e vendedores, produto homogêneo, livre entrada e saída e informação perfeita. As empresas são tomadoras de preço, e, no equilíbrio de longo prazo, o lucro econômico é zero.
- Monopólio: um único vendedor, sem substitutos próximos e com barreiras à entrada. O monopolista define o preço, produz menos e cobra mais que em concorrência.
- Oligopólio: poucos vendedores, com interdependência nas decisões, e possibilidade de cartel, que é crime contra a ordem econômica.
- Concorrência monopolística: muitos vendedores, com produtos diferenciados, como restaurantes e marcas de roupas.
- Monopsônio e oligopsônio: um único comprador ou poucos compradores.
Falhas de mercado
Há situações em que o mercado, sozinho, não leva ao resultado eficiente, o que justifica a intervenção do Estado:
- Externalidades: efeitos da atividade de um agente sobre terceiros, não refletidos nos preços, como a poluição, negativa, ou a vacinação, positiva. A correção pode vir por tributos, subsídios ou regulação.
- Bens públicos: não rivais e não excludentes, como a iluminação pública, que geram o problema do carona, porque as pessoas podem usufruir sem pagar.
- Assimetria de informação: uma das partes sabe mais que a outra, gerando a seleção adversa, antes do contrato, e o risco moral, depois dele, como no mercado de seguros.
- Poder de mercado: monopólios e cartéis, combatidos pela defesa da concorrência, tema do guia de ordem econômica.
As funções do governo, os bens públicos, o teorema de Coase e a incidência tributária estão no guia de economia do setor público.
Teoria do consumidor
A teoria do consumidor parte da ideia de que as pessoas buscam maximizar a sua satisfação, ou utilidade, dentro da restrição orçamentária, que é o limite imposto pela renda e pelos preços. Pela lei da utilidade marginal decrescente, a satisfação adicional obtida com cada nova unidade consumida de um bem tende a diminuir: o primeiro copo de água para quem tem sede vale muito mais que o quinto. O conceito ajuda a explicar a inclinação negativa da curva de demanda.
Excedente do consumidor e do produtor
O excedente do consumidor é a diferença entre o preço máximo que o consumidor estaria disposto a pagar e o preço efetivamente pago. O excedente do produtor é a diferença entre o preço recebido e o preço mínimo pelo qual o produtor estaria disposto a vender. A soma dos dois mede o bem-estar gerado pelo mercado, e intervenções como tributos e controles de preços costumam gerar perda de eficiência, o chamado peso morto.
Teoria dos jogos
A teoria dos jogos estuda as decisões estratégicas, em que o resultado de cada agente depende também das escolhas dos outros, situação típica dos oligopólios. O equilíbrio de Nash ocorre quando nenhum jogador tem incentivo para mudar a sua estratégia, dadas as estratégias dos demais. O exemplo clássico é o dilema dos prisioneiros, em que a busca do interesse individual leva a um resultado pior para todos, o que ajuda a explicar a instabilidade dos cartéis.
Como estudar
Comece pela oferta e demanda, com atenção à diferença entre movimento e deslocamento das curvas, e treine o raciocínio com gráficos simples. Depois, estude elasticidade, estruturas de mercado e falhas de mercado, que são os temas mais cobrados em provas de nível superior não específicas de economia.
Exemplos de como cai
Afirmação: "O aumento da renda desloca para a direita a curva de demanda de um bem inferior." Errado. Para o bem inferior, a demanda diminui com o aumento da renda.
Afirmação: "Se a demanda é inelástica, o aumento do preço eleva a receita total." Certo. A quantidade cai proporcionalmente menos que o aumento do preço.
Afirmação: "O tabelamento de preços abaixo do equilíbrio gera excedente de produção." Errado. Gera escassez.
Resumo para revisar antes da prova
Lei da demanda e da oferta; movimento ao longo da curva pelo preço do próprio bem e deslocamento por outros fatores; bens normais, inferiores, substitutos, complementares e de Giffen; equilíbrio, com preço máximo gerando escassez e mínimo gerando excedente; elasticidade elástica, inelástica e unitária e o efeito na receita; custos fixos, variáveis e marginal; concorrência perfeita, monopólio, oligopólio e concorrência monopolística; e falhas de mercado por externalidades, bens públicos, assimetria de informação e poder de mercado.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre movimento ao longo da curva e deslocamento da curva de demanda?
A mudança no preço do próprio bem provoca um movimento ao longo da curva de demanda. A mudança em outros fatores, como a renda, os preços de outros bens ou as preferências, desloca a curva inteira para a direita ou para a esquerda.
O que é demanda inelástica?
É aquela em que a quantidade demandada reage pouco às mudanças de preço, com elasticidade menor que 1, como ocorre com bens essenciais e sem substitutos próximos. Nesse caso, um aumento de preço aumenta a receita total do vendedor.
O que são bens públicos na economia?
São bens não rivais, em que o consumo de uma pessoa não reduz o de outra, e não excludentes, em que não é possível impedir alguém de usufruir, como a iluminação pública e a defesa nacional. Eles geram o problema do carona e tendem a ser ofertados pelo Estado.

