Atualizado em 25 de setembro de 2026.
As palavras que e se podem exercer muitas funções diferentes na frase, e identificar cada uma delas é uma das tarefas mais cobradas nas provas de Português, principalmente nas bancas FCC, Vunesp, Cesgranrio e FGV. A classificação correta ajuda também a resolver questões de concordância, pontuação e reescrita. Este guia mostra as funções mais cobradas e os testes práticos para reconhecê-las. As classes de palavras em geral estão no guia de classes de palavras.
O que como pronome relativo
O que é pronome relativo quando retoma um termo anterior, chamado antecedente, e introduz uma oração subordinada adjetiva. O teste é substituí-lo por o qual, a qual, os quais ou as quais: "O livro que comprei é ótimo" equivale a "O livro o qual comprei é ótimo". Como pronome, o que relativo exerce uma função sintática na oração que introduz, como sujeito ou objeto direto.
O que como conjunção integrante
O que é conjunção integrante quando introduz uma oração subordinada substantiva, sem retomar nenhum termo. O teste é substituir toda a oração por isso: "Espero que você venha" equivale a "Espero isso". A conjunção integrante não exerce função sintática; apenas liga as orações.
Outras funções da palavra que
- Conjunção subordinativa adverbial: pode ser causal, equivalendo a porque, como em "Saia, que está tarde"; consecutiva, depois de tão, tal ou tanto, como em "Estudou tanto que passou"; comparativa, como em "É mais alto que o irmão"; ou final, equivalendo a para que.
- Advérbio de intensidade: quando modifica um adjetivo ou advérbio, equivalendo a quão, como em "Que bonito!".
- Pronome interrogativo: em perguntas diretas ou indiretas, como em "Que horas são?".
- Substantivo: quando acompanhado de artigo ou outro determinante, e então acentuado, como em "Ela tem um quê de mistério".
- Preposição: quando equivale a de, como em "Tenho que sair".
- Partícula expletiva ou de realce: quando pode ser retirado sem prejuízo do sentido, como em "Quase que caí".
O se como partícula apassivadora
O se é partícula apassivadora, ou pronome apassivador, quando acompanha verbo transitivo direto, formando a voz passiva sintética. Nesse caso, há sujeito, chamado sujeito paciente, e o verbo concorda com ele: "Vendem-se casas" equivale a "Casas são vendidas". O teste é transformar a frase na voz passiva analítica. É por isso que "Vende-se casas" está errado na norma-padrão.
O se como índice de indeterminação do sujeito
O se é índice de indeterminação do sujeito quando acompanha verbo transitivo indireto, intransitivo ou de ligação, na terceira pessoa do singular. O sujeito é indeterminado, e o verbo fica sempre no singular: "Precisa-se de funcionários", "Vive-se bem aqui" e "É-se feliz quando se é jovem". Não é possível passar essas frases para a voz passiva analítica.
Outras funções do se
- Pronome reflexivo: quando a ação recai sobre o próprio sujeito, como em "Ele se feriu", podendo ser objeto direto ou indireto.
- Pronome reflexivo recíproco: quando indica ação mútua entre dois ou mais seres, como em "Eles se abraçaram".
- Parte integrante do verbo: nos verbos essencialmente pronominais, que não existem sem o pronome, como queixar-se, arrepender-se, suicidar-se e dignar-se; nesse caso, o se não tem função sintática.
- Partícula expletiva ou de realce: quando pode ser retirado sem alteração de sentido, geralmente com verbos intransitivos, como em "Foi-se embora".
- Conjunção condicional: quando equivale a caso, como em "Se chover, não sairemos".
- Conjunção integrante: quando introduz oração substantiva, geralmente em perguntas indiretas, como em "Não sei se ele virá".
Como resolver as questões de que e se
Primeiro, identifique o verbo mais próximo e a sua transitividade. Depois, aplique os testes: o qual e isso para o que; voz passiva analítica e presença de preposição para o se. Lembre que a mesma palavra pode ter funções diferentes na mesma frase, e que as bancas costumam pedir a identificação de qual das alternativas tem a mesma função de um termo destacado no texto. A análise das orações está no guia de orações coordenadas e subordinadas.
A função sintática do pronome relativo
Como pronome, o que relativo sempre exerce uma função na oração adjetiva. Em "O aluno que chegou é novo", o que é sujeito de chegou, porque quem chegou foi o aluno. Em "O livro que li é ótimo", o que é objeto direto de li, porque li o livro. Em "O filme de que gostei ganhou prêmios", o que é objeto indireto de gostei, e a preposição de, exigida pelo verbo, vem antes do relativo. Essa regência é muito cobrada, tema do guia de regência verbal.
O se e a colocação pronominal
O se, como pronome oblíquo átono, também segue as regras de colocação pronominal. Palavras atrativas, como advérbios, pronomes relativos, conjunções subordinativas e palavras negativas, exigem a próclise: "Não se vendem casas aqui", "Os imóveis que se venderam eram caros". Sem palavra atrativa, no início da frase, usa-se a ênclise: "Vendem-se casas". O tema está no guia de pronomes e colocação pronominal.
Exercícios com respostas
- "Consertam-se relógios." Resposta: partícula apassivadora; o verbo concorda com relógios.
- "Assistiu-se a filmes antigos." Resposta: índice de indeterminação do sujeito; assistir, no sentido de ver, é transitivo indireto.
- "É importante que todos participem." Resposta: conjunção integrante; a oração pode ser trocada por isso.
- "Ele se arrependeu do que disse." Resposta: parte integrante do verbo, porque arrepender-se é essencialmente pronominal.
- "Estava tão cansado que dormiu cedo." Resposta: conjunção subordinativa consecutiva.
Como estudar
Memorize os testes práticos e treine com muitas frases, porque a identificação fica automática com a prática. Revise junto a transitividade verbal, que é a chave para distinguir a partícula apassivadora do índice de indeterminação do sujeito.
Nas provas da FCC e da Vunesp, é comum a banca destacar um que ou um se no texto e pedir, entre as alternativas, a frase em que a palavra tem a mesma função, por isso treine a comparação entre frases.
Revise sempre os dois testes principais.
Exemplos de como cai
Frase: "Espera-se que os resultados melhorem." Análise: o se é partícula apassivadora, porque o sujeito é a oração "que os resultados melhorem", e o que é conjunção integrante.
Frase: "Obedeceu-se às normas." Análise: o se é índice de indeterminação do sujeito, porque obedecer, nesse caso, é transitivo indireto.
Frase: "A proposta que apresentamos foi aprovada." Análise: o que é pronome relativo, substituível por a qual.
Resumo para revisar antes da prova
Que pronome relativo substituível por o qual; que conjunção integrante com oração substituível por isso; que conjunção adverbial causal, consecutiva, comparativa ou final; que advérbio, pronome interrogativo, substantivo acentuado, preposição e partícula expletiva; se partícula apassivadora com verbo transitivo direto e verbo concordando com o sujeito; se índice de indeterminação com verbo transitivo indireto, intransitivo ou de ligação, sempre no singular; se reflexivo, recíproco, parte integrante do verbo, expletivo, conjunção condicional e integrante.
Perguntas frequentes
Como diferenciar o que pronome relativo da conjunção integrante?
O pronome relativo retoma um termo anterior e pode ser substituído por o qual, a qual, os quais ou as quais. A conjunção integrante introduz uma oração substantiva e a oração inteira pode ser substituída por isso.
Qual a diferença entre partícula apassivadora e índice de indeterminação do sujeito?
A partícula apassivadora acompanha verbo transitivo direto, e o verbo concorda com o sujeito paciente, como em vendem-se casas. O índice de indeterminação do sujeito acompanha verbo transitivo indireto, intransitivo ou de ligação, e o verbo fica no singular, como em precisa-se de funcionários.
O que é o se como parte integrante do verbo?
É o se que acompanha os verbos essencialmente pronominais, que não existem sem o pronome, como queixar-se, arrepender-se e suicidar-se. Nesse caso, o pronome não tem função sintática própria.

