A redação divide o primeiro dia do ENEM com 90 questões objetivas e cinco horas e meia de prova. Quem não decide antes quanto tempo vai dar a ela costuma escrever a conclusão às pressas — e a conclusão é onde estão os 200 pontos mais fáceis de ganhar.
O que cabe no primeiro dia
São 5h30 para 45 questões de Linguagens e Códigos, 45 de Ciências Humanas e a redação. Dividindo de forma bruta, sobrariam cerca de três minutos por questão e uma hora para o texto.
Essa conta bruta serve de referência, mas na prática as questões de Linguagens são longas e consomem mais tempo que as de Humanas. Quem planeja bem costuma reservar entre 50 e 70 minutos para a redação e distribuir o resto de forma desigual entre as duas áreas.
Fazer a redação primeiro ou por último?
Não há resposta certa, há duas estratégias com riscos diferentes.
Redação primeiro garante que ela seja escrita com a cabeça descansada e sem pressão de relógio. O risco é se empolgar e gastar 90 minutos, deixando as objetivas apertadas.
Redação por último garante que as questões sejam feitas com folga. O risco é maior e mais grave: chegar ao texto exausto, com quarenta minutos, e entregar uma proposta de intervenção capenga.
Uma terceira via costuma funcionar melhor que as duas: fazer a redação no meio. Resolve-se uma área de questões, escreve-se o texto, e depois se ataca a segunda área. Você chega ao texto aquecido, mas não esgotado, e ainda tem o restante da prova para voltar e reler.
A divisão de sessenta minutos
| Etapa | Minutos | O que acontece |
|---|---|---|
| Leitura da proposta e da coletânea | 5 | Sublinhar o tema e o recorte |
| Plano de cinco linhas | 7 | Tese, dois tópicos frasais, agente e ação |
| Introdução | 6 | Contextualização e tese |
| Desenvolvimentos | 18 | Os dois parágrafos, com análise |
| Conclusão | 10 | Retomada e os cinco elementos |
| Releitura | 8 | Checklist de sete itens |
| Folga | 6 | Porque nada sai no tempo previsto |
Duas coisas nessa tabela surpreendem quem nunca cronometrou. A primeira é o tamanho do plano: sete minutos parecem um luxo com o relógio correndo, mas são eles que evitam o descontrole de espaço no fim. A segunda é o tamanho da conclusão: dez minutos para um parágrafo parece exagero até você tentar encaixar cinco elementos em seis linhas pela primeira vez.
Sua conclusão entrega os cinco elementos ou para em quatro? Vale descobrir antes do dia da prova. O teste mede as cinco competências em 15 questões.
Testar antes da provaRascunhar o texto inteiro compensa?
Na maioria dos casos, não. Passar o texto a limpo consome de 15 a 20 minutos que fariam muito mais falta na análise dos argumentos e na proposta.
O que compensa é rascunhar apenas o plano: cinco linhas com a tese, os dois tópicos frasais, o agente e a ação. Isso dá o controle necessário e ainda deixa tempo para reler o texto definitivo, que é onde você pega os erros de competência 1.
A exceção é quem tem letra muito irregular sob pressão ou histórico de se perder no meio do parágrafo. Nesse caso, rascunhar por inteiro pode valer o custo, e a decisão precisa ser tomada em casa, treinando, não na hora da prova.
Marcos de tempo dentro da escrita
Cronômetro na cabeça não funciona. Marcos por linha, sim. Estabeleça dois:
- Linha 12: você deveria estar terminando o primeiro desenvolvimento.
- Linha 22: limite absoluto do segundo desenvolvimento. Chegou lá, fecha o parágrafo onde estiver e parte para a conclusão.
Esses dois marcos resolvem sozinhos o erro mais comum da prova, que é a conclusão espremida em duas linhas. Você perde meia ideia no desenvolvimento e ganha uma competência inteira.
Se o tempo acabar mesmo assim
A ordem de prioridade, quando restam dez minutos e falta a conclusão, é clara: escreva a proposta de intervenção antes da retomada.
A retomada vale pouco na grade. Os cinco elementos valem 200 pontos. Um parágrafo final que comece direto em "cabe ao Ministério da Educação" está longe do ideal, mas pontua incomparavelmente mais que uma retomada bonita sem proposta nenhuma.
E não deixe de fechar a última frase. Texto truncado na linha 30, com a frase pela metade, é lido como falta de planejamento e prejudica justamente a competência 5.
Como treinar o relógio
Simulado de redação isolado não prepara para o cansaço real. O ideal é treinar pelo menos duas vezes em condição de prova completa: cinco horas e meia sentado, com as objetivas antes.
Fora isso, cronometre toda redação de treino em 60 minutos, sem exceção e sem pausas. Depois de cinco ou seis, você passa a sentir os marcos de linha sem olhar o relógio, que é exatamente o estado em que você quer chegar no dia.
Um último detalhe prático: leve relógio analógico simples, sem qualquer função adicional. Nem todas as salas têm relógio visível, e depender do fiscal para saber o tempo é um risco desnecessário.
O cansaço é um fator de tempo
Cinco horas e meia sentado alteram a velocidade de escrita mais do que a maioria das pessoas prevê. A caligrafia piora, a atenção para concordância cai e a tendência a pular a análise dos argumentos aumenta.
É por isso que a estratégia de deixar a redação por último costuma sair pior no papel do que na teoria. Não é falta de tempo: é que os últimos quarenta minutos de uma prova de 5h30 rendem bem menos que os primeiros.
Um ajuste simples ajuda: beba água e coma alguma coisa leve antes de começar a redação, não depois. O intervalo de dois minutos que você gasta nisso é recuperado na velocidade de escrita.
Reler é tempo bem gasto
Os oito minutos de releitura são os primeiros a serem sacrificados quando o relógio aperta, e quase sempre é uma decisão ruim.
Nesse intervalo você pega erros de competência 1 que estavam invisíveis durante a escrita, percebe conectivo repetido e, principalmente, confere se a proposta tem os cinco elementos. Encontrar um elemento faltando e acrescentá-lo em uma linha vale 40 pontos por dois minutos de trabalho.
Releia com pergunta fechada, não com impressão geral: a tese está explícita? Os dois argumentos são diferentes? A conclusão tem agente, ação, meio, efeito e detalhamento? Sim ou não, item por item.
Um erro de cronômetro que passa despercebido
Muita gente cronometra o treino em casa contando só o tempo de escrita, sem incluir a leitura da coletânea e o plano. Chega ao dia da prova achando que faz uma redação em 45 minutos e descobre que faz em 70.
Cronometre sempre do momento em que você lê a proposta até o ponto final da releitura. É esse número que você precisa conhecer.
Se você travar no tema
Acontece: você lê a proposta e não vem nada. A saída não é ficar olhando para a folha, é escrever a proposta de intervenção primeiro, no rascunho.
Perguntar quem poderia resolver esse problema e como costuma destravar o raciocínio, porque leva você direto às causas. E as causas são exatamente os seus dois argumentos. Cinco minutos pensando na solução entregam o texto inteiro de trás para frente.
Conclusão com pressa custa 200 pontos
A competência 5 é a que mais sofre com má gestão de tempo. Descubra antes da prova se a sua proposta entrega os cinco elementos.
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