Dados do IBGE e do IPEA: onde achar e como citar

988 palavras · atualizado em 14 de setembro de 2026 · SOS Concursos

Dado estatístico é o repertório mais forte que existe em redação do ENEM, porque é verificável, específico e já nasce dentro do recorte brasileiro. Também é o mais arriscado: número inventado enfraquece o argumento em vez de sustentá-lo.

Por que dado funciona tão bem

Três motivos. Ele ancora o argumento em algo concreto, o que a competência 2 valoriza. Ele evita a generalização vaga, que derruba a competência 3. E ele costuma vir de fonte brasileira, o que resolve o recorte nacional que a banca quase sempre pede.

Uma frase com dado obriga você a ser preciso. É difícil escrever "as pessoas perderam os valores" logo depois de citar uma pesquisa.

As fontes que valem a pena conhecer

FonteO que produzServe para
IBGECenso, PNAD Contínua, indicadores sociaisRenda, trabalho, educação, moradia, demografia
IPEAPesquisa aplicada em políticas públicasDesigualdade, violência, mercado de trabalho
INEPCenso Escolar, IDEB, indicadores educacionaisEvasão, alfabetização, acesso à escola
Ministério da Saúde e DataSUSEstatísticas de saúde públicaDoenças, vacinação, saúde mental
FiocruzPesquisa em saúde coletivaEpidemias, saneamento, desigualdade em saúde
INPEMonitoramento por satéliteDesmatamento, queimadas, uso da terra
Fórum Brasileiro de Segurança PúblicaAnuário de segurançaViolência, homicídios, violência de gênero

Sete fontes cobrem praticamente todos os eixos temáticos que a banca costuma escolher. Não é preciso conhecer mais que isso.

Dado sem análise não pontua. O que separa 160 de 200 na competência 2 é a frase que liga o número ao argumento. O teste mede isso em 15 questões.

Testar minha competência 2

Não invente número

Esta é a regra mais importante da página, e ela vale mesmo sabendo que o corretor não vai conferir a fonte.

O problema do dado inventado não é ético apenas: é técnico. Número chutado sai genérico — "cerca de 70% dos brasileiros", "a maioria da população" — e genérico não é repertório produtivo. Você paga o custo de parecer impreciso e não recebe o benefício da especificidade.

Há ainda o risco de escrever algo implausível, do tipo que qualquer leitor atento identifica como invenção. Isso mina a credibilidade do texto inteiro, inclusive dos argumentos corretos.

Como citar quando você não lembra o número

Esta é a saída prática, e ela é perfeitamente aceita.

Cite a fonte e a tendência, sem inventar a cifra. "Dados do IBGE apontam crescimento da informalidade no mercado de trabalho brasileiro" é repertório legitimado e honesto. "Segundo o IBGE, 47,3% dos trabalhadores estão na informalidade" só vale se você tiver certeza do número.

A tendência é o que o argumento precisa. O decimal não acrescenta nada à competência 2, e acrescenta risco.

Se você lembra do número mas não da fonte, é melhor citar a fonte sem o número do que o número sem a fonte. Dado órfão parece invenção.

O encadeamento de três frases

Como todo repertório, o dado precisa ser trabalhado. Improdutivo: "segundo o IBGE, a informalidade cresceu no Brasil".

Produtivo: "dados do IBGE apontam o crescimento da informalidade no mercado de trabalho brasileiro. Trabalhar sem vínculo formal significa ficar fora da previdência, do seguro-desemprego e do limite de jornada. A precarização, portanto, não é sensação difusa: é a retirada concreta de direitos que a lei atribuiria ao empregador."

A diferença é a segunda e a terceira frases. Elas dizem o que o número significa e o que ele prova sobre a tese.

Onde colocar

Na contextualização da introdução, sinalizando cedo que você tem repertório, ou dentro de um dos desenvolvimentos, sustentando o argumento do parágrafo.

Na conclusão raramente compensa: o espaço ali pertence à retomada e aos cinco elementos da proposta de intervenção.

Um por parágrafo, no máximo. Dois dados no mesmo parágrafo quase sempre significam que nenhum foi analisado.

Como montar o seu repertório de dados

Escolha três eixos que você considera prováveis e, para cada um, memorize uma fonte e uma tendência. Nada de planilha: três frases prontas resolvem.

Por exemplo: "dados do INEP mostram que a evasão escolar se concentra no ensino médio"; "o INPE monitora o avanço do desmatamento na Amazônia"; "o IBGE registra o envelhecimento acelerado da população brasileira".

São afirmações verdadeiras, verificáveis, sem número específico e prontas para receber a análise que faz o repertório pontuar. Guarde-as ao lado das leis e das obras no banco de repertório por eixo.

Perguntas frequentes

Posso inventar dados na redação do ENEM?

Não compensa. Número chutado sai genérico e genérico não conta como repertório produtivo, além do risco de escrever algo implausível. Cite a fonte e a tendência, sem inventar a cifra.

Preciso citar o ano da pesquisa?

Não é obrigatório e é melhor omitir do que errar. Fonte e tendência bastam para caracterizar repertório legitimado.

Dados que você provavelmente já conhece

Antes de sair procurando pesquisa nova, vale notar que boa parte do repertório de dados aparece no próprio conteúdo de Ciências Humanas e de Ciências da Natureza.

Transição demográfica, urbanização acelerada, concentração fundiária, matriz energética, indicadores de saneamento: tudo isso é conteúdo de prova e serve como repertório sem exigir estudo adicional.

Estudar essas duas áreas com a redação em mente é a forma mais barata de montar o banco de dados. A cada conteúdo, anote a tendência e a fonte provável.

Cuidado com dado de rede social

Número que circula em post, story ou vídeo curto frequentemente vem sem fonte, distorcido ou fora de contexto. Levar isso para a redação é assumir risco desnecessário.

A regra prática: se você não consegue nomear a instituição que produziu o dado, não use o número. Use a tendência, sem cifra, ou escolha outro repertório.

Ordem de grandeza vale mais que decimal

Quando você lembra aproximadamente do número, use a ordem de grandeza em vez da cifra exata. "Milhões de brasileiros" é seguro; "37,4 milhões" só se você tiver certeza.

A precisão que a competência 2 valoriza é a da fonte e a da aplicação, não a do decimal. Um argumento não fica mais forte por ter vírgula.

Dado sem análise não pontua

O que separa 160 de 200 na competência 2 é a frase que liga o número ao argumento. O teste mede exatamente isso.

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