Atualizado em 25 de setembro de 2026.

A cultura organizacional é o conjunto de pressupostos, valores, crenças e práticas compartilhados pelos membros de uma organização, que orienta o seu comportamento. A mudança organizacional é o processo de transformação da organização para se adaptar a novas demandas. Os dois temas são cobrados em Administração Geral e Pública e em Gestão de Pessoas, nos concursos de analista, gestor e das carreiras de controle. Este guia resume os pontos mais cobrados. A gestão de pessoas e o clima organizacional estão no guia de gestão de pessoas.

Os níveis da cultura segundo Schein

NívelCaracterísticasExemplos
ArtefatosNível mais visível e superficial, fácil de observar, mas difícil de interpretarArquitetura, layout, vestimenta, linguagem, rituais, cerimônias, histórias
Valores compartilhados ou declaradosEstratégias, objetivos e filosofias que a organização declara e usa para justificar as suas açõesMissão, visão, valores, códigos de conduta
Pressupostos básicosNível mais profundo, formado por crenças inconscientes, tidas como certas, que orientam o comportamentoCrenças sobre a natureza humana, a verdade, o tempo e as relações

Para Edgar Schein, os pressupostos básicos são a essência da cultura e a fonte última dos valores e das ações. Por isso, a mudança cultural profunda é difícil e demorada: alterar artefatos e declarações de valores não basta se os pressupostos permanecerem.

Artefatos são visíveis, pressupostos são profundos: as bancas costumam trocar os níveis, afirmando, por exemplo, que os pressupostos são o nível mais visível ou que a missão declarada é um pressuposto básico. A missão e os valores escritos são valores declarados; os pressupostos são inconscientes.

As funções e os tipos de cultura

A cultura cumpre funções como definir as fronteiras da organização, dar identidade aos membros, facilitar o comprometimento com algo maior que os interesses individuais, aumentar a estabilidade do sistema social e servir como mecanismo de controle que orienta atitudes e comportamentos. Uma cultura forte é aquela em que os valores essenciais são intensamente acatados e amplamente compartilhados; ela reduz a rotatividade e aumenta a coesão, mas pode dificultar a mudança. A organização tem uma cultura dominante e pode ter subculturas, típicas de departamentos ou regiões, e até contraculturas, que se opõem aos valores dominantes.

As tipologias mais cobradas

  • Charles Handy: cultura do poder, associada a Zeus, centralizada em uma figura; cultura de papéis, associada a Apolo, baseada em regras e procedimentos, típica das burocracias; cultura de tarefa, associada a Atena, orientada para projetos e para a competência; e cultura de pessoa, associada a Dionísio, centrada nos indivíduos.
  • Cameron e Quinn: cultura de clã, com foco interno e flexibilidade, semelhante a uma família; cultura adhocrática, com foco externo e flexibilidade, voltada à inovação; cultura de mercado, com foco externo e controle, orientada a resultados e competição; e cultura hierárquica, com foco interno e controle, baseada em regras e estabilidade.

Cultura e clima organizacional

A cultura é profunda, relativamente estável e se forma ao longo do tempo. O clima organizacional é a percepção coletiva dos membros sobre o ambiente de trabalho em determinado momento, é mais superficial e mutável, é influenciado por fatores como a liderança, a remuneração e as condições de trabalho, e pode ser medido por pesquisas de clima. O clima reflete, em parte, a cultura, mas também é afetado por eventos conjunturais, como uma reestruturação ou uma mudança de chefia.

Cultura no setor público

A cultura das organizações públicas costuma ser associada a traços como o apego a normas e procedimentos, a hierarquia, a estabilidade e a aversão ao risco, próprios do modelo burocrático, e a traços históricos, como o patrimonialismo e o formalismo, que as reformas administrativas buscaram superar. A introdução de práticas de gestão por resultados, de inovação e de transformação digital exige, muitas vezes, mudanças culturais, temas relacionados ao guia de governo digital.

O modelo de mudança de Lewin

Kurt Lewin descreveu a mudança em três etapas: o descongelamento, que prepara a organização para a mudança, reduzindo as forças que mantêm a situação atual e criando a percepção de que a mudança é necessária; a mudança ou movimento, em que os novos comportamentos, valores e processos são aprendidos e adotados; e o recongelamento, que estabiliza a nova situação, incorporando-a às normas e às práticas. Lewin propôs também a análise do campo de forças: a situação atual é mantida pelo equilíbrio entre as forças impulsionadoras, que favorecem a mudança, e as forças restritivas, que a dificultam.

As oito etapas de Kotter

  1. estabelecer um senso de urgência;
  2. criar uma coalizão administrativa forte;
  3. desenvolver uma visão e uma estratégia;
  4. comunicar a visão da mudança;
  5. empoderar as pessoas e remover os obstáculos;
  6. gerar vitórias de curto prazo;
  7. consolidar os ganhos e produzir mais mudanças;
  8. ancorar as novas abordagens na cultura.

A resistência à mudança

A resistência à mudança pode ter fontes individuais, como o hábito, a necessidade de segurança, os fatores econômicos, o medo do desconhecido e o processamento seletivo das informações, e fontes organizacionais, como a inércia estrutural, o foco limitado da mudança, a inércia do grupo, a ameaça à especialização, às relações de poder e à alocação de recursos. Kotter e Schlesinger apontam formas de lidar com a resistência: educação e comunicação, participação e envolvimento, facilitação e apoio, negociação e acordo, manipulação e cooptação e coerção explícita ou implícita, cada uma com vantagens e riscos. A comunicação é central nesse processo, tema do guia de comunicação organizacional.

Resistência não é só um problema: a resistência pode ser funcional, porque traz estabilidade, obriga a justificar a mudança e revela falhas no plano. As bancas costumam afirmar que toda resistência deve ser eliminada pela coerção, o que ignora as abordagens participativas.

Tipos de mudança e organizações que aprendem

A mudança pode ser incremental, com pequenos ajustes contínuos, ou radical, também chamada de transformacional, com rupturas profundas; e pode ser planejada, intencional e orientada a objetivos, ou reativa, em resposta a pressões do ambiente. O desenvolvimento organizacional é uma abordagem de mudança planejada, baseada em valores humanistas e na participação. Peter Senge descreveu as organizações que aprendem, com base em cinco disciplinas: o domínio pessoal, os modelos mentais, a visão compartilhada, a aprendizagem em equipe e o pensamento sistêmico, considerado a quinta disciplina, que integra as demais. A liderança da mudança está no guia de liderança.

Como estudar

Memorize os três níveis de Schein, a diferença entre cultura e clima, as etapas de Lewin, as oito etapas de Kotter e as fontes de resistência e formas de superá-la, que são os pontos mais cobrados. Depois, revise as tipologias de Handy e de Cameron e Quinn e as cinco disciplinas de Senge.

Exemplos de como cai

Afirmação: "Na cultura organizacional, os pressupostos básicos constituem o nível mais visível e fácil de interpretar." Errado. São o nível mais profundo; os artefatos são os mais visíveis.

Afirmação: "No modelo de Lewin, o descongelamento é a etapa em que a organização é preparada para a mudança." Certo. É a primeira etapa do modelo.

Afirmação: "O clima organizacional é mais profundo e estável que a cultura." Errado. O clima é mais superficial e mutável.

Resumo para revisar antes da prova

Cultura como pressupostos, valores e práticas compartilhados; níveis de Schein: artefatos, valores declarados e pressupostos básicos; funções da cultura, cultura forte, dominante, subculturas e contraculturas; tipologias de Handy e de Cameron e Quinn; clima como percepção mutável e mensurável; cultura burocrática e patrimonialista no setor público; Lewin com descongelamento, mudança e recongelamento e campo de forças; oito etapas de Kotter; resistência individual e organizacional e as formas de superá-la de Kotter e Schlesinger; mudança incremental e radical, planejada e reativa, desenvolvimento organizacional; e as cinco disciplinas de Senge.

Perguntas frequentes

Quais são os níveis da cultura organizacional segundo Schein?

Os artefatos, que são os elementos visíveis, como estruturas, rituais, linguagem e vestimenta; os valores compartilhados ou declarados, como estratégias, objetivos e filosofias; e os pressupostos básicos, que são as crenças inconscientes e tidas como certas, fonte última dos valores e das ações.

Quais são as etapas do modelo de mudança de Lewin?

Descongelamento, que prepara a organização para a mudança, reduzindo as forças que mantêm a situação atual; mudança ou movimento, em que os novos comportamentos são adotados; e recongelamento, que estabiliza a nova situação.

Qual a diferença entre cultura e clima organizacional?

A cultura é o conjunto de pressupostos, valores e práticas compartilhados, mais profundo e estável. O clima é a percepção coletiva dos membros sobre o ambiente de trabalho em determinado momento, mais superficial e mutável, e pode ser medido por pesquisas.

SOS Concursos
Equipe SOS Concursos

Conteúdo produzido e revisado pela equipe editorial da SOS Concursos, que acompanha concursos públicos desde 2006. Cada dado deste artigo foi conferido nas fontes listadas acima. Conheça nossa política editorial ou envie uma correção para contato@sosconcursos.com.br.