Atualizado em 25 de setembro de 2026.

A gestão de processos é a abordagem que organiza o trabalho a partir dos fluxos de atividades que geram valor para o cliente ou o cidadão, em vez de olhar apenas para a estrutura de departamentos. É tema frequente nas provas de Administração Geral e Pública, em concursos de gestão governamental, tribunais, bancos, estatais e agências reguladoras, com questões sobre tipos de processos, ciclo BPM, notação BPMN e ferramentas de melhoria. Este guia resume os pontos mais cobrados. A visão geral da matéria está no guia de noções de administração.

O que é um processo

Um processo é um conjunto de atividades inter-relacionadas que transformam entradas em saídas, agregando valor para um cliente, interno ou externo. Todo processo tem fornecedores, entradas, atividades, saídas e clientes, elementos resumidos na ferramenta SIPOC, sigla em inglês para fornecedores, entradas, processo, saídas e clientes. A emissão de um passaporte, por exemplo, é um processo que começa com o pedido do cidadão e termina com a entrega do documento, passando por vários setores.

Tipos de processos

TipoCaracterísticasExemplos
Finalísticos ou primáriosEntregam valor diretamente ao cliente ou ao cidadão e estão ligados à missãoAtendimento ao contribuinte, julgamento de processos, concessão de benefícios
De apoio ou suporteSustentam os processos finalísticos, sem entregar valor diretamente ao cliente externoCompras, gestão de pessoas, tecnologia da informação
GerenciaisMedem, monitoram, controlam e direcionam a organizaçãoPlanejamento estratégico, gestão do desempenho

Gestão funcional e gestão por processos

Na gestão tradicional, funcional, a organização é vista em departamentos verticais, e cada área cuida da sua parte, o que pode criar os chamados silos, com falhas de comunicação entre setores. Na gestão por processos, a organização é vista de forma horizontal, acompanhando o fluxo de trabalho de ponta a ponta até o cliente, com um responsável pelo processo inteiro, o dono do processo. O foco passa a ser o resultado para o cliente, e não apenas a eficiência de cada departamento.

O ciclo do BPM: do AS-IS ao TO-BE

O BPM, gerenciamento de processos de negócio, é uma disciplina que trata os processos de forma contínua. O ciclo de vida inclui, em geral, as etapas de planejamento, análise, desenho ou modelagem, implementação, monitoramento e controle e refinamento. Na análise, mapeia-se a situação atual, o chamado modelo AS-IS, "como é"; no desenho, projeta-se a situação futura desejada, o modelo TO-BE, "como será".

A notação BPMN

A BPMN é a notação padrão para modelar processos. Os elementos mais cobrados são:

  • Eventos: representados por círculos, indicam algo que acontece, como o início, um evento intermediário ou o fim do processo.
  • Atividades: representadas por retângulos de cantos arredondados, indicam o trabalho realizado, como tarefas e subprocessos.
  • Gateways: representados por losangos, indicam pontos de decisão ou de divisão e junção do fluxo, como o exclusivo, o paralelo e o inclusivo.
  • Fluxos: o fluxo de sequência liga os elementos dentro do processo, e o fluxo de mensagem representa a comunicação entre participantes diferentes.
  • Piscinas e raias: a piscina representa um participante, como uma organização, e as raias dividem as responsabilidades dentro dela, como setores.
Círculo, retângulo e losango: guarde as formas: círculo é evento, retângulo arredondado é atividade e losango é gateway. Muitas questões apresentam um diagrama e pedem a interpretação desses elementos, ou afirmam que o losango representa uma tarefa, o que está errado.

Melhoria contínua e reengenharia

  • Melhoria contínua: promove mudanças incrementais e graduais nos processos existentes, como no ciclo PDCA, de planejar, executar, verificar e agir, e no Kaizen, filosofia japonesa de melhoria constante.
  • Reengenharia: proposta por Hammer e Champy, defende o repensar fundamental e o redesenho radical dos processos, partindo do zero, para obter melhorias drásticas.
  • Lean: busca eliminar desperdícios, ou seja, atividades que não agregam valor ao cliente, como esperas, retrabalho e deslocamentos desnecessários.
  • Seis Sigma: busca reduzir a variabilidade e os defeitos dos processos, com base em dados, usando o ciclo DMAIC, de definir, medir, analisar, melhorar e controlar.

As ferramentas da qualidade, como o diagrama de Ishikawa, o gráfico de Pareto e o 5W2H, apoiam a análise e a melhoria dos processos e estão no guia de noções de administração.

Indicadores de desempenho dos processos

Os processos devem ser medidos por indicadores. As dimensões mais cobradas são a eficiência, que é fazer bem, com o melhor uso dos recursos; a eficácia, que é alcançar os objetivos e as metas; e a efetividade, que é gerar o impacto desejado na sociedade. Há quem acrescente a economicidade, que é obter os recursos ao menor custo, sem comprometer a qualidade. Esses conceitos aparecem também nas provas de controle e de auditoria governamental.

Os atributos de um bom indicador e o modelo dos 6Es do desempenho estão no guia de indicadores de desempenho.

Cadeia de valor e priorização de processos

A cadeia de valor, proposta por Michael Porter, representa o conjunto de atividades pelas quais a organização gera valor, divididas em atividades primárias, ligadas diretamente ao produto ou serviço, e de apoio, que sustentam as primárias. No setor público, a cadeia de valor mostra como os processos do órgão se articulam para entregar resultados ao cidadão, e é o ponto de partida para priorizar os processos a serem mapeados e melhorados. O tema dialoga com o guia de planejamento estratégico.

Hierarquia de processos

Os processos podem ser organizados em níveis de detalhamento: o macroprocesso, que reúne grandes conjuntos de atividades ligados à missão; o processo; o subprocesso; a atividade; e a tarefa, que é o nível mais detalhado, descrevendo como o trabalho é feito. O nível de detalhe do mapeamento depende do objetivo da análise.

Técnicas de mapeamento

Para levantar as informações do processo atual, usam-se técnicas como entrevistas com os executores, observação direta do trabalho, oficinas com as partes envolvidas, análise de documentos e normas e questionários. A participação de quem executa o processo é essencial, porque o processo real costuma ser diferente do que está descrito nos manuais. Depois do levantamento, o processo é modelado, geralmente em BPMN ou em fluxogramas, e validado com os envolvidos.

Automação e transformação digital

Os sistemas de gerenciamento de processos, os BPMS, permitem modelar, executar e monitorar processos de forma automatizada, e a automação robótica de processos, a RPA, usa programas para executar tarefas repetitivas. No setor público, a transformação digital e a oferta de serviços digitais ao cidadão dependem do redesenho dos processos, evitando apenas digitalizar etapas desnecessárias. Antes de automatizar, é preciso simplificar.

A simplificação e a digitalização dos serviços públicos seguem os princípios da Lei 14.129/2021, resumidos no guia de governo digital.

Como estudar

Memorize os tipos de processos, as etapas do ciclo BPM, os elementos da BPMN e a diferença entre melhoria contínua e reengenharia, que são os pontos mais cobrados. Pratique a leitura de diagramas simples em BPMN e resolva questões de concursos de gestão pública, que costumam trazer situações para classificar.

A melhoria de processos no setor público também reduz custos para o cidadão, ao eliminar exigências e etapas desnecessárias.

Essa lógica está na base das iniciativas de simplificação e de governo digital.

As ferramentas da qualidade, o 5S e a ISO 9001 estão no guia de gestão da qualidade.

Exemplos de como cai

Afirmação: "Os processos de compras e de gestão de pessoas são, em regra, processos de apoio." Certo. Sustentam os processos finalísticos.

Afirmação: "A reengenharia propõe melhorias incrementais e graduais." Errado. A reengenharia propõe mudanças radicais; as incrementais são da melhoria contínua.

Afirmação: "Na BPMN, os gateways são representados por círculos." Errado. São representados por losangos; os círculos são eventos.

Resumo para revisar antes da prova

Processo como atividades que transformam entradas em saídas com valor; SIPOC; processos finalísticos, de apoio e gerenciais; gestão por processos horizontal, com dono do processo, contra os silos da gestão funcional; ciclo BPM com AS-IS e TO-BE; BPMN com eventos em círculos, atividades em retângulos, gateways em losangos, piscinas e raias; PDCA e Kaizen incrementais e reengenharia radical; Lean e Seis Sigma; eficiência, eficácia, efetividade e economicidade; e cadeia de valor de Porter.

Perguntas frequentes

Quais são os tipos de processos?

Os finalísticos ou primários, que entregam valor diretamente ao cliente ou ao cidadão; os de apoio ou suporte, que sustentam os primários, como compras e gestão de pessoas; e os gerenciais, que medem, controlam e direcionam a organização.

Qual a diferença entre melhoria contínua e reengenharia?

A melhoria contínua, como o Kaizen e o PDCA, promove mudanças incrementais e graduais nos processos existentes. A reengenharia, proposta por Hammer e Champy, propõe o redesenho radical dos processos, partindo do zero.

Qual a diferença entre eficiência, eficácia e efetividade?

Eficiência é fazer bem, com o melhor uso dos recursos; eficácia é alcançar os objetivos e metas definidos; e efetividade é gerar o impacto desejado na sociedade ou no problema que motivou a ação.

SOS Concursos
Equipe SOS Concursos

Conteúdo produzido e revisado pela equipe editorial da SOS Concursos, que acompanha concursos públicos desde 2006. Cada dado deste artigo foi conferido nas fontes listadas acima. Conheça nossa política editorial ou envie uma correção para contato@sosconcursos.com.br.